13/05/2009

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Hoje "comemora-se" os
121 anos da Abolição
da Escravatura em terras brasileiras.



A Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888 marcou a história recente de nossa sociedade e podemos afirmar que aconteceu "ontem." Porque 121 anos são muito poucos se comparados aos 362 anos (1526/1888) em que reinou em nossa pátria amada a escravidão, o comércio, o tráfico e toda espécie de violência (física, psicológica, sexual) dos negros africanos.

Da instauração do tráfico negreiro, até a abolição "definitiva" da escravatura foram escritas as mais tristes páginas de nossa história, largamente preenchidas de sangue, injustiça e hipocrisia.

Estatísticas:
  • Calcula-se que para as Américas foram trazidos em torno de 12 a 13 milhões de africanos.
  • Para as lavouras brasileiras, estima-se algo em torno de 3 a 4 milhões.
  • 40% morriam no caminho, devido a efermidades e as péssimas condições de higiene e acomodação (acumulação) dos porões dos navios negreiros, sendo "dispensados" nas águas do Atlântico.
  • Cerca de 5 a 10% dos escravos morriam no primeiro ano após a chegada devido as jornadas exaustivas e aos maus tratos sofridos.

Os grandes proprietários rurais (de terras e de escravos), os empresários e os políticos daquele tempo souberam sugar de todas as formas, o suor e a vida dos trabalhadores africanos e de seus descendentes, em nome dos mais "nobres" desejos de acumulação e expansão do capital, deixando uma incomensurável cicatriz, que permanece aberta e larga no seio da sociedade brasileira.

As lavouras de cana de açúcar, café, tabaco e algodão, não só do Brasil, mas também do Caribe, foram as responsáveis por uma verdadeira sangria na África:
  • alimentando guerras internas
  • abalando as estruturas organizacionais tradicionais
  • destruindo reinos, tribos e clãs
  • além da matança indicriminada de milhares de seus habitantes
  • mas principalmente "atropelando" e desestabilizando o processo de desenvolvimento civilizatório do contintente que até hoje não conseguiu recuperar o ritmo e encontrar a sua vocação.
O processo de luta dos abolicionistas brasileiros foi lento e longo, muitas foram as suas reinvindicações e seus levantes . Em 1871 conseguiram a aprovação da Lei do Ventre Livre, depois em 1887, a dos Sexagenários - que garantia a liberdade dos escravos maiores de 60 anos, desde que indenizados seus proprietários.

A libertação somente foi assinada em 1888, não por um ato de louvável bondade da princesa, e sim, por pressões externas (leia-se inglesas) e internas, que estavam tornando o modo de produção escravista brasileiro, uma pedra no sapato do Império Português. Internamente, a insatisfação com a medida, por parte dos proprietários rurais foram as maiores possíveis, mas por outro lado, satisfez a parcela da sociedade que há anos lutava por ela, e da qual participaram políticos e poetas, escravos, libertos, estudantes, jornalistas, advogados, intelectuais, empregados públicos e operários. Efetivamente a escravidão só foi abolida uns 30 anos depois da assinatura da lei.

Ainda hoje temos os resquícios destes três séculos de servidão forçada muito presentes em nosso cotidiano, e as questões que estão relacionados a este período permanecem carentes de vinculação direta e acima de tudo de responsabilidade:
  • Seja na existência de trabalhadores escravos nos interiores do Brasil, que sustentam donos de terra, que assassinam agentes do Incra, missionários e defensores de indígenas e representantes de comunidades locais
  • no Turismo Sexual
  • na "dependência de empregada", presente em grande parte dos domícilios de média e alta renda, que nada mais representam do que "trazer a senzala pra dentro de casa"
  • na discussão das cotas para afrodescendentes nas faculdades brasileiras
  • no cercamento das favelas...
Ficam lançadas estas questões para reflexão... e pergunta-se:
  • Alguém duvida da dívida histórica que o mundo tem com África???
  • E nós brasileiros, realmente abolimos a escravatura?
  • Como agimos com relação as propostas de "reparação" aos afrodescendentes?


Graziele Saraiva

Para ler:
CASA GRANDE E SENZALA, escrito em 1933 obra máxima e clássico da nossa literatura, escrita por Gilberto Freire.



11/05/2009

A EPIDEMIA DA QUAL NÃO SE FALA

Sem repercussão na mídia, a África Ocidental enfrenta há meses um dos piores surtos de meningite de sua história, com 1.900 mortos e mais de 56.000 casos declarados.

Enquanto a comunidade internacional anda preocupada com as consequencias do vírus H1N1 que matou 44 pessoas e infectou mais de 1.000 em vinte países, a África Ocidental sofre literalmente uma epidemia, que se pode previnir com facilidade, mas que esta matando milhares de africanos.

Não tem um problema de nomenclatura, nem desencadea hostilidades internacionais. Mesmo assim tem causado alertas sanitários no mundo. No entanto, desde os primeiros meses deste ano um grande epidemia de meningite (infecção que afeta as membranas que envolvem o sistema nervoso central) se extendeu por vários países da África. Para combate-la, os Médicos sem Fronteiras (MSF), com a colaboração de diversos Governos, tem posto em marcha uma das maiores campanhas de vacinação da história.

"Sempre há um risco epidemico nesta parte da África, mas este ano a infecção está muito agressiva. Desde 1996 não se havia visto uma tão forte na Nigéria, e se pode dizer o mesno do Niger e Chad", conta Miriam Alia, enfermeira dos MSF que esteve trabalhando nas últimas semanas em nove Estados do norte nigeriano.

O contágio atual é um dos mais graves das últimas décadas. Os ministérios de Saúde do Níger, Nigeria e Chad estão superados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) esta alertando para o seu grau de letalidade. As cifras não são nenhum chuvisco. Hoje são mais de 1.900 mortos pela infecção. Enquanto que com 56.000 casos declarados, o surto se extende por três países, com alto risco de saltar aos demais vizinhos.

Desdobramento histórico

Os Governos locais e MSF tentam pará-lo e estão se molibizando com o maior desdobramento da história na região. Trabalhadores voluntários cooperam em distintas áreas e num ritmo vertiginoso. "Sem tratamento a metade dos infectados morre", alerta a enfermeira dos MSF. Pouco mais de dez anos atrás o pior flagelo de meningite que se recorda no contimente africano acabou com a vida de mais de 25.000 pessoas.

O alerta reside principalmente na falta de acesso as vacinas contra a enfermidade. A Nigéria obriga seus cidadãos a pagar pelo medicamenteo e a maioria dos infectados não tem condições financeiras para tal. E assim como a Nigéria, outros países vizinhos o fazem. Vacinar uma pessoa contra a meningite na África custa aproximadamente um euro. A ong tem chegado a cordo com as autoridades locais para oferecê-las gratuitamente.

"Com a vacina se evita que a pessoa adoeça de meningite, mas não se evita a trasmissão", recorda Olimpia de la Rosa, responsável técnica pelas emergências para MSF. De la Rosa explica que a atual vacina oferece imunidade só por três anos, mas que a partir de 2010 se poderá utilizar uma nova que se alargará por 10 anos. Mas até lá, este 2009 está desimando com uma das partes mais pobres da África.

"Este ano a transmissão foi muito rápida, chegando aos campos de refugiados de Darfur", afirma a responsavél técnica do MSF. A transmissão deste tipo de meningite bacteriana (meningocócica de tipo A) se reproduz de pessoa a pessoa pelo nariz e pela boca. E o ar seco, o pó e o vento irritam a garganta e portanto, explica De la Rosa, esta não atua como barreira. As condições de vida pouco saudáveis aumento o risco de tramissão e infecção.

Para limitar a propagação da epidemia, 270 grupos de MSF trabalham neste projeto de vacinação massiva. Os especialistas calculam que mais de sete milhões de pessoas tenham que recer urgentemente a injeção, aos menos nestes três países, que estão localizados no que vem sendo chamado "Cinturão da Meningite", uma área geográfica que abrange do Senegal até a Etiópia, e que circuscreve uma população de mais de 300 millões de pessoas.

Cada dia, cada uma das 270 equipes médicas chegam a vacinar uns 1.500 homens e mulheres com idades compreendidas entre dos 2 e 30 anos, a populaçã de maior risco. "Trabalhamos em centros sanitários, escolas, em casas particulares, inclusive em lugares religiosos (xamãs), em praças, em baixo de árvores". É um trabalho simples, mas essencial. É a única forma de deter a epidemia ali onde pouco se sabe o que vem acontecendo no México. A África só registrou um caso suspeito da gripe A, na cidade de Ceuta.

Aqui as preocupações são outras: são contra o relógio e sem descanso, para evitar que a conhecida meningite siga destruindo milhares de vidas.

Texto de Fernando Navarro para El País

Tradução e grifos Graziele Saraiva

- E COMO SEMPRE AS CRIANÇAS SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS -

Links:

El País http://www.elpais.com/articulo/internacional/epidemia/habla/elpepuint/20090507elpepuint_3/Tes

Fotogaleria http://www.elpais.com/fotogaleria/Epidemia/meningitis/oeste/Africa/6448-1/elpgal/

Médicos Sem Fronteiras http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=1026

07/05/2009

ISSO É BRASIL

De doer:
"Estou me lixando para a opinião pública.
Até porque parte dela não acredita no
que vocês escrevem. Vocês batem,

mas a gente se reelege."
Sérgio Moraes
deputado federal (PTB-RS), relator do processo contra Edmar Moreira, falando a jornalistas sobre a possibilidade de uma má repercussão caso Moreira seja absolvido.

É Sérgio, nosso queridão amigo Collor que o diga...A real:
"Há uma clara criminalização da pobreza.
A maior parte das vítimas é pobre,
moradora de favelas e negra."

Tamara Melo
da ONG Justiça Global, sobre denúncias que responsabilizam o governo pela violência praticada contra a população, em especial a mais pobre.

Fonte: http://www.folha.uol.com.br/

29/04/2009

EPIDEMIA DE LUCROS.... Atchimmmmmmmm....

A nova epidemia de gripe suína, que dia a dia ameaça expandir-se por mais regiões do mundo, não é um fenômeno isolado. É parte da crise generalizada, e tem suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado pelas grandes empresas multinacionais.

No México, as grandes empresas da área de avicultura e suinocultura têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Alca). Um exemplo disso é a empresa Granjas Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, que é a maior criadora de porcos e a maior processadora de produtos suínos no mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China. No entorno de sua unidade em Perote começou,l há algumas semanas, uma virulenta epidemia de doenças respiratórias que afetou 60% da população de La Gloria, fato informado por La Jornada em várias oportunidades, a partir de denúncias dos habitantes locais. Eles conduzem há anos uma dura luta contra a contaminação provocada pela empresa, e inclusive têm sofrido a repressão de autoridades governamentais pelas denúncias. Granjas Carroll declarou que não tem nada a ver com a origem da atual epidemia, alegando que a população tinha uma “gripe comum”. Na dúvida, não fizeram análises para saber exatamente de que vírus se tratava.

Contrastando com isso, as conclusões do painel Pew Comission on Industrial Farm Animal Production (Comissão Pew sobre a Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, principalmente de suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de diferentes cepas. Mencionam inclusive o perigo de recombinação das gripe aviária e suína, e finalmente como se pode chegar à recombinação de vírus que afetem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que, por muitos meios, incluindo a contaminação da água, podem chegar a localidades longínquas, sem aparente contato direto. Um exemplo do que devemos aprender é o surgimento da gripe aviária. Veja, por exemplo, o relatório do GRAIN (ONG que promove o desenvolvimento sustentável e a agricultura ecológica), que ilustra como a indústria da avicultura criou a gripe aviária (http://www.grain.org/front/).

Mas as respostas oficiais, diante da crise atual, além de serem demoradas (esperaram que os EUA anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias valiosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes.

Mais do que enviar linhagens do vírus para sua seqüenciação genômica para cientistas com Craig Venter, que tem enriquecido com a privatização da pesquisa de de seus resultados (sequenciação que certamente já foi feita por pesquisadores de órgãos públicos no Centro de Prevenção de Doenças de Atlanta, EUA), o que é preciso é entender que esse fenômeno vai continuar se repetindo enquanto prosseguirem as condições de criação dessas doenças.

Já na epidemia, são também as multinacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que mopolizam as vacinas e os anti-vírus. O governo mexicano anunciou que tinha um milhão de doses de antígenos para atacar a nova linhagem de vírus da gripe suína, mas nunca informou quanto pagou por elas.

Os únicos anti-virais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do planeta, e são propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: zanamivir, com o nome comercial de Relenza, fabricado por GlaxoSmithKline, e oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences e licenciado de forma exclusiva ao laboratório Roche. A Glaxo e a Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta maiores empresas farmacêuticas em escala mundial e, da mesma forma que com o restante de seus remédios, é nas epidemias que aparecem suas melhores oportunidades de negócios.

Com a gripe aviária, todas elas tiveram centenas de milhões ou bilhões de dólares de lucros. Com o anúncio da nova epidemia no México, as ações da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%, sendo isso somente o começo.

Outra empresa que persegue esse suculento negócio é a Baxter, que solicitou amostras do vírus e anunciou que poderia ter a vacina em 13 semanas. A Baxter, outra indústria farmacêutica global (está em 22° lugar no ranking), teve um “acidente” em sua fábrica na Áustria em fevereiro deste ano. Ela enviou um produto contra a gripe contaminado com vírus da gripe aviária para a Alemanha, Eslovênia e a República Tcheca. Segundo a empresa, “foram erros humanos e problemas no processo”, do qual alega não poder dar detalhes “por que teria que revelar processos patenteados”.

Não necessitamos somente enfrentar a nova epidemia de gripe: é preciso enfrentar também a dos lucros.

Silvia Ribeiro, La Jornada

_____________________________________________________________

"Gripe Suína, Verdadeira emergência global"

A virulência com que o surto de gripe suína se abateu sobre o México, atingindo rapidamente os vizinhos EUA e Canadá e ameaçando converter-se numa pandemia global, surpreendeu a todos os observadores. Embora, possivelemente, ainda levará tempo para se estabelecer com precisão a origem e a trajetória da doença, alguns aspectos relevantes já merecem a devida consideração.

Primeiro, a situação assustadora que se abateu sobre o país literalmente da noite para o dia se gerou nas condições ultrajantes em que o México foi incorporado ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), praticamente na condição de "senzala" do grupo, fornecedor de mão-de-obra barata para segmentos da produção industrial estadunidense (o PIB mexicano corresponde a apenas 4% do total do bloco).

É evidente que quase duas décadas de saque econômico sem qualquer projeto de desenvolvimento industrial, com a quebra da produção agrícola destinada ao consumo interno (incapaz de competir com os produtos subsidiados estadunidenses) e investimentos quase nulos em infra-estrutura física, não poderiam produzir resultado diferente do colapso dos serviços básicos necessários ao bem-estar da população em geral - sanitários, médico-hospitalares, condições de trabalho decente etc. -, deficiências que prejudicam drasticamente a capacidade de resposta do país diante de uma emergência como essa.

O quadro do México deve acender um alerta vermelho, se ainda faltava um, para os problemas causados pela "globalização financeira" das últimas décadas, além de colocar em destaque o fato de que se trata de uma verdadeira emergência ambiental global - ao contrário da insidiosa campanha internacional para combater o suposto aquecimento global antropogênico.

Agora, o membro mais débil do NAFTA se descobre como um país com população subnutrida e acossada por múltiplas enfermidades ambientais. Embora não haja confirmação oficial, sabe-se que a epidemia se originou nos estados de Oaxaca e Vera Cruz. O primeiro é um estado paupérrimo situado na costa do Pacífico, do qual partem muitos das levas de refugiados econômicos que demandam os EUA em busca dos empregos que não encontram no país. O segundo, banhado pelo Golfo do México, tem grandes granjas de criação industrial de suínos e exibe os mais altos índices de brucelose da América Latina, infecção severa oriunda de produtos lácteos não-pasteurizados.O México é também detentor de um dos índices mais altos de leptospirose aguda, para citar apenas algumas enfermidades tipicamente "ambientais".

Por isso, trata-se de uma emergência mundial verdadeira, que apenas pode ser enfrentada a contento com um ativo e estreito processo de coordenação de esforços entre governos nacionais e agências multilaterais, baseado no entendimento de que o problema não se restringe a um único país ou região. Efetivamente, os seus efeitos podem atingir rapidamente grande parte do planeta, tanto com a proliferação da doença como pela irradiação de impactos socioeconômicos, não apenas no México, mas também com a eventual interrupção de fluxos comerciais transfronteiriços, no caso de uma pandemia mais grave. Aliás, o México irá necessitar de ajuda internacional, tanto de forma direta para responder à emergência epidemiológica, como a médio e longo prazo, para restabelecer uma capacidade de infra-estrutura sanitária mínimia necessária para estabilizar a produtividade agroindustial em condições aceitáveis para a população. Essa ajuda deverá considerar os enormes prejuízos decorrentes da paralisação das atividades econômicas em várias áreas do país, principalmente na capital federal - e não deve de forma alguma ser amarrada aos tradicionais condicionantes que usualmente acompanham os empréstimos de órgãos multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em especial, o episódio proporciona uma oportunidade para que o governo dos EUA assuma uma atitude bilateral diferente, contribuindo efetivamente para proporcionar uma solução concreta para o vizinho do sul, pois qualquer agravamento da já deteriorada situação socioeconômica mexicana - devido aos reflexos da crise econômico-financeira e à crise de segurança provocada pela violência do narcotráfico - tende a causar impactos transfronteiriços imediatos e perigosos.

Semelhante iniciativa custaria não mais do que uma pequena fração dos trilionários recursos financeiros consumidos no vão esforço de preservar os "ativos tóxicos" dos bancos estadunidenses tecnicamente falidos.

A experiência adquirida nos últimos anos com epidemias como a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, em inglês) e a gripe aviária melhorou consideravelmente a capacidade de resposta internacional a tais ameaças. Não obstante, isso não foi suficiente para os protagonistas internacionais se comprometessem a sério com o crucial aspecto da disponibilidade dos medicamentos necessários para o combate a variedades de gripe particularmente virulentas. Tanto no caso da gripe aviária de 2006-07 como no da suína atual, ambas parecem reagir apenas a medicamentos controlados pelos grandes laboratórios multinacionais - no caso, o custoso Tamiflu, da suíça Roche -, pelo que já se deveria ter estabelecido a liberação da patente e a sua fabricação como genérico em vários países (como, de resto, é previsto por leis internacionais para casos emergenciais). O problema é que mesmo de posse da fórmula do produto, países dotados de infra-estrutura laboratorial adequada (como o próprio México, China, Índia, Brasil e outros) levariam meses para se iniciar a sua produção. Ou seja, para a crise atual, resta esperar que ela não escape à capacidade de controle e sequer se aproxime da gravidade da epidemia asiática de SARS (2003) ou, pior ainda, da gripe espanhola de 1918-19, que afetou quase a metade da população mundial e causou um número de mortes estimado entre 20 e 40 milhões, em todos os continentes.

Porém, a especulação financeira não tem limites e, em meio à calamidade, as ações da Roche subiram 3,5% após o anúncio da epidemia. Em contrapartida, uma estimativa do Banco Mundial feita no ano passado sugere que uma pandemia de gripe poderia por si só causar um impacto de 3 trilhões de dólares na economia mundial e provocar uma retração de 5% do PIB global. Seguramente, um acordo com a multinacional intermediado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) custaria bem menos.

O conceituado mexicano Ricardo Rocha, do jornal El Universal, deu à sua coluna de 28 de abril o sugestivo título "México doente". "E não se trata unicamente dessa gripe suína e teimosa que se tornou psicose e que revela o tamanho de nossos medos. As doenças da nação são crônicas e já levam muito tempo.

"Evidentemente, a contingência é grave, mas o é mais por nossos órgãos ineficientes, por nossas escleroses múltiplas e pelas feridas tão profundas como as de 1988 ou 2006, que ainda não fecharam [referência às fraudes eleitorais que colocaram Carlos Salinas de Gortari e Felipe Calderón na Presidência da República]. Por isso, o impacto da gripe é ainda maior... No momento, o assassino invisível continua matando mexicanos em áreas crescentes do território. E não há quem possa detê-lo. Uma quarta praga, depois das crises financeira, econômica e social que ainda estamos padecendo. Uma prova de fogo para nossos governos. Uma epidemia de efeitos devastadores, sobretudo para os mais pobres. E é que este país, desde há muito tempo, está muito doente."

Diante dos prejuízos imediatos experimentados pela suinocultura em vários países, representantes do setor, inclusive brasileiros, estão sugerindo à OMS a mudança do nome da enfermidade para "gripe mexicana". Por sua vez, funcionários da agência preferem a denominação "gripe da América do Norte". Talvez o mais apropriado fosse denominá-la "gripe do NAFTA".

MSIA.ORG/29 de abril de 2009


Fontes:

http://www.jornada.unam.mx/2009/04/30/index.php

http://www.grain.org/principal/

http://www.msia.org.br/

28/04/2009

CHICO SCIENCE


"Deixai que os fatos sejam fatos naturalmente e não que sejam forjados para acontecer, deixai que os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente, deixai que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos para lhe servir quando for preciso e nunca lhe causar danos, sejam eles morais, físicos ou psicológicos."

27/04/2009

EQUADOR APROVA SOCIALISMO DE CORREA!

Com 55,21% dos votos Rafael Correa é reeleito presidente do Equador. "Hoy es un día histórico", afirmou Correa ao reconhecer os resultados.

" O Equador é um país que deciu ser livre"

A vitória garante a continuidade do Projeto de "Revolução Cidadã" que já vem sendo empregado no país.
O presidente recordou que seus sete predecessores não puderam completar seus mandatos. "Hoy estamos en otra etapa. Hemos luchado por una nueva Constitución, por nuevas leyes, que permitan asegurar la educación, la sanidad, el nivel de vida de los ecuatorianos y lo hemos hecho juntos. Les doy las gracias".
O presidente Correa tem se beneficiado da crise que sofrem os partidos tradicionais, e da ansia de estabilidade de uma sociedade que viu seus últimos três mandatários abandonarem o cargo devido a revoltas populares.
Com um carácter forte e o que seus seguidores chamam de carisma, dedicou os dois primeiros anos de seu cargo, em fortalecer a figura e as competencias presidenciais, com uma nova Constituição marcadamente centralista.


El País:
http://www.elpais.com/articulo/internacional/Rafael/Correa/reelegido/presidente/Ecuador/primera/vuelta/elpepuint/20090427elpepuint_1/Tes
Vídeo /Ecuador respalda el socialismo de Correa:
http://www.elpais.com/videos/internacional/Ecuador/respalda/socialismo/Correa/elpepuint/20090427elpepuint_1/Ves/

ELE, O ...




EGO:
Um pequeno argentino
que vive em todos nós!

20/04/2009

YERBA MATE - ILEX PARAGUARIENSIS - CHIMARRÃO - MATE


Em um momento típico de "Saudades do pago", coloco na roda, como um bom chimas, esse material interessante com as regras para tomar o chimarrão..."chi-chi-chimarrão criolo" para a gaúchada... "mate" para los hermanos ...

Hábito indígena que tornou-se tradição!

Herdado das culturas Guarani, Quíchua e Aymará e que mantém-se vivo até hoje em todo sul do Brasil e em grande parte da América do Sul...

REGLAS PARA COMPARTIR EL MATE

1.No pida azúcar.
Mucha gente está acostumbrada a usar azúcar en su café o té, y es perfectamente correcto el pedir por ella.
Mucha gente también toma Mate con azúcar.
Pero cuando Ud. es invitado a una Mateada, Ud. puede cometer el mayor sacrilegio imaginable por pedir azúcar.
2.No diga que el Mate es antihigiénico.
Ud. puede pensar que es antihigiénico el poner su boca donde los demás ponen la suyas.
Por supuesto que lo es, pero eso es precisamente la experiencia íntima de una Mateada.
La oferta de compartir algo tan íntimo es el honor más alto. Si Ud. no quiere ser tan íntimo con alguién, no comparta el Mate con ellos.
Si desea compartir entonces una mateada, no diga nada sobre la higiene.
3. No diga que el mate está muy caliente.
Si todos los demás están contentos con la temperatura del Mate, se consideraría de mala educación el pedir que lo enfríen o el esperar hasta que se enfríe.
4.No deje el Mate a medio tomar.
A pesar de la similidad entre el Mate y la pipa de la paz, hay algunas diferencias básicas.
Mientras que cada uno toma una pitada de la pipa y la pasa, nunca haga eso con el mate.
Ud. debe tomar toda el agua hasta que escuche el sonido que señala que el mate está vacío.
Vea la regla siguiente.
5.No sienta vergüenza del ruido al final.
Si, después de chupar, Ud. escucha el mate "roncando", no se sienta avergonzado. Es normal, nadie lo va a mirar como un maleducado.
Es lo que se debe hacer.
6.No revuelva el mate.
El mate se puede tapar de vez en cuando por si mismo, por la Yerba o por el que preparó el Mate.
Si pasa, Ud. tiene todo el derecho a quejarse.
Pero, por favor no revuelva el mate.
Hable con quién le ofreció el Mate, o al que le pasó el mate a Ud.
Pero no revuelva el mate, no revuelva el mate y, ante todo no toque la bombilla con sus dedos.
7.No cambie el orden.
Una mateada da la vuelta como el reloj.
El mate pasa de mano en mano siempre en el mismo orden.
Si Ud. está siendo servido pase el mate al cebador.
Si hay gente cebando con su propia agua, que sucede en algunos lugares, siempre paselo a la siguiente persona, sin cambiar el orden.
8.No atrase el ritmo.
Tomar el Mate sólo es una excelente manera para meditar sobre las cosas de su vida.
Ud. lo toma despacio, pensando acerca de cualquier cosa que le pasa por la mente.
El tomar Mate en una Mateada es completamente diferente.
La esencia no es la meditación sino la integración.
En una Mateada, Ud. habla, discute, ríe, maldice, Ud. es parte de la comunidad; es una hermandad.
No se olvide de chupar, el resto de la gente está esperando.
9.No condene al cebador por tomar el primer mate.
Si Ud. dice que el cebador es maleducado porque él o ella prepara el Mate y toma el primer mate, bueno, Ud. es el maleducado.
La chupada más fuerte es la primera, y quien la toma le hace un favor al grupo.
10. No diga gracias antes de tiempo.
Se dice gracias sólo cuando uno ya no quiere seguir Mateando.

17/04/2009

A (RE)VOLTA DA CHIBATA

João Cândido foi o Almirante Negro - líder da revolta da Chibata, movimento de militares da Marinha do Brasil que se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos como punição contra eles, em 1910. Em uma carta ele dá o ultimato: "Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já".

Os tempos são outros, mas o teor ainda é o mesmo: a violência. Eu 'e toda a torcida do Flamengo' ficamos chocados com as imagens exibidas pela televisão hoje. Pensei que o tempo dos castigos da escravidão (como o da imagem acima, de Debret) tinha passado. Estava enganada.

As chicotadas que os seguranças da SuperVia deram nos cidadãos embarcados e amontoados nos poucos trens que estavam em funcionamento mostram que sofremos ainda com os mesmos erros do passado. Esse comportamento adotado pela companhia é um retrocesso social. É a prova que o Estado falha, mais uma vez.

O contribuinte acorda de manhã e enfrenta um tumulto para poder ir trabalhar. Greve dos ferroviários e pronto: quem depende dos trens vai sofrer. Centenas de se aglomeram nas estações e lotam os vagões. Trata-se de pessoas que pagaram por aquele serviço, concedido à empresa pelo governo. Ninguém está fazendo nada de errado para ser castigado.

Mais do que os socos e pontapés, os chicotes usados para bater os passageiros são a instituição da barbárie no sistema de transportes. Mais de um agressor possuía o instrumento em mãos. Como (e por quê)? Faz parte do uniforme? Gostaria que o diretor de lá me respondesse. Será que eles tinham carta branca para agir daquela forma?

Confusão sempre vai ter quando houver problemas, greve etc. mas não há justificativa para que pessoas sejam tratadas de tal forma por uma empresa prestadora de um serviço básico como o de transporte. Logo penso na minha teoria de poder e volto a me questionar sobre o porquê de as pessoas tomarem para si certos (podres) poderes.

Por que o porteiro sempre pensa que é dono do prédio?
Deveríamos nos rebelar mais! (e em resposta a tudo!)

Por Vavá Jones
http://vavalindajones.blogspot.com/

16/04/2009

UM POVO INCULTO É UM POVO FÁCIL DE ENGANAR


Os problemas sociais em Roma durante o império romano eram mais que muitos. A escravidão e desemprego geravam descontentamento entre o povo. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador romano criou a política do «Pão e Circo».
Esta consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios ( o mais famoso foi o Coliseu de Roma ), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo a sua vontade de revolta.


EMBORA HOJE NÃO TENHAMOS MAIS O PÃO
ASSIM, DISTRIBUÍDO GRATUITAMENTE,


O CIRCO TÁ AÍ...
TODOS OS DIAS... PEGANDO FOGO!

EXPOSTO NAS BANCAS DE JORNAIS,
NAS RÁDIOS, NAS EMISSORAS DE TV, NA INTERNET...

CADA VEZ MAIS BANALIZANDO,
INTRETENDO E MANIPULANDO ELE...
O POVO!
...
TODOS NÓS
.

imagem e txt roma: http://pimentanegra.blogspot.com/

15/04/2009

AS GUERRAS E AS MENTIRAS MIDIÁTICAS

Já faz algum tempo que guardei este material, e antes que ele ser perca de vez, posta-lo-ei!
Trata-se de um artigo de Michel Colon, adaptado por Mello (http://blogdomello.blogspot.com/2008/05/dez-guerras-dez-mentiras-miditicas.html)
Como foi escrito em 2008, a invasão à Gaza não foi elencada, mas serve como uma luva a nossa décima posição.



Cada guerra é precedida por uma mentira dos meios de comunicação de massa.


(...) Recordemos simplesmente quantas vezes os mesmos Estados Unidos e os mesmos meios já nos manipularam. Cada grande guerra se “justifica” pelo que mais tarde (demasiado tarde) aparecerá como uma simples desinformação. Um rápido inventário:


1) Vietnã (1964-1975)
Mentira midiática: Nos dias 2 e 3 de agosto o Vietnã do Norte teria atacado dois barcos dos Estados Unidos na baía de Tonkin.
O que se saberá mais tarde: Esse ataque não aconteceu. Foi uma invenção da Casa Branca.
Verdadeiro objetivo: Impedir a independência de Vietnã e manter o domínio dos Estados Unidos na região
Conseqüências: Milhões de vítimas, malformações genéticas (agente laranja), enormes problemas sociais.


2) Granada (1983)
Mentira midiática:: A pequena ilha do Caribe foi acusada de que nela se construía uma base militar soviética e de trazer perigo à vida de médicos americanos.
O que se saberá mais tarde: Absolutamente falso. O Presidente Reagan inventou esses pretextos.
Verdadeiro objetivo: Impedir as reformas sociais e democráticas do premiê Bishop (depois assassinado)
Conseqüências: Brutal repressão e restabelecimento da tutela de Washington.


3) Panamá (1989)
Mentira midiática: A invasão tinha o objetivo de prender o presidente Noriega por tráfico de drogas.
O que se saberá mais tarde: Formado pela CIA o presidente Noriega reclamava a soberania ao fim do acordo do canal, o que era intolerável para os Estados Unidos.
Verdadeiro objetivo: Manter o controle dos Estados Unidos sobre essa estratégica via de comunicação.
Conseqüências: Os bombardeios dos Estados Unidos mataram entre 2 e 4 mil civis, ignorados pelos meios.


4) Iraque (1991)
Mentira midiática: Os iraquianos teriam destruído parte da maternidade da cidade de Kuwait.
O que se saberá mais tarde: Invenção total da agência publicitária Hill e Knowlton, paga pelo emir de Kuwait.
Verdadeiro objetivo: Impedir que o Oriente Médio resista a Israel e se comporte com independência em relação aos Estados Unidos.
Conseqüências: Inumeráveis vítimas da guerra, depois um longo embargo, inclusive de medicamentos.


5) Somália (1993)
Mentira midiática: O senhor Kouchner aparece na cena como herói de uma intervenção humanitária.
O que se saberá mais tarde: Quatro sociedades americanas tinham comprado uma quarta parte do subsolo somali, rico em petróleo.
Verdadeiro objetivo: Controlar uma região militarmente estratégica.
Conseqüências: Não conseguindo controlar a região os Estados Unidos a manterão num prolongado caos.


6) Bósnia (1992-1995)
Mentira midiática: A empresa americana Ruder Finn e Bernard Kouchner divulga a existência de campos de extermínio sérvios.
O que se saberá mais tarde: Ruder Finn e Kouchner mentiram. Eram apenas campos de prisioneiros. O presidente muçulmano Izetbegovic o admitiu.
Verdadeiro objetivo: Quebrar uma Iugoslávia demasiado esquerdista, eliminar seu sistema social, submeter a zona às multinacionais, controlar o Danúbio e as estratégicas rotas dos Bálcãs.
Conseqüências: Quatro atrozes anos de guerra para todas as nacionalidades (muçulmanos, sérvios, croatas). Provocada por Berlin, prolongada por Washington.


7) Iugoslávia (1999)
Mentira midiática: Os sérvios cometem um genocídio contra os albaneses do Kosovo.
O que se saberá mais tarde: Pura e simples invenção da OTAN como o reconheceu Jaime Shea, seu porta-voz oficial.
Verdadeiro objetivo: Impor o domínio da OTAN nos Bálcãs e sua transformação em polícia do mundo. Instalar uma base militar americana no Kosovo.
Conseqüências: Duas mil vítimas dos bombardeios da OTAN. Limpeza étnica de Kosovo pelo UCK, protegido pela OTAN.


8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.


9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.



Nossa 10ª posição vai para..... uma guerra, que como todos sabemos não aconteceu!

E agora frente a nova política externa proposta por Barack Obama, é bem provável que não aconteça mesmo... mas não desmerecendo o texto e análise feita, ela está aqui entre as "mentiras midiáticas" que assistimos diariamente, encobertadas entre as manchetes de nossos grandes meios de comunicação:


10) VenezuelaEquador (2009 ???)
Mentira midiática: Chávez apoiaria o terrorismo, importaria armas, seria um ditador (o pretexto definitivo parece não ter sido escolhido ainda).
Verdadeiro objetivo: As multinacionais querem seguir com o controle petroleiro e de outras riquezas de toda América Latina, temem a libertação social e democrática do continente.
Conseqüências: Washington empreende uma guerra global contra o continente: golpes de estado, sabotagens econômicas, chantagens, estabelecimento de bases militares próximas às riquezas naturais.


04/04/2009

Marx ou Não Marx?!!!


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".

Karl Marx, in Das Kapital, 1867.

03/04/2009

G20 e os "ANTIGLOBALIZAÇÃO"




Não é de agora que o movimento dito, antiglobalização* ganha as manchetes mundiais. Primeiramente em Seatle, depois Gênova, Porto Alegre (...) e agora Londres. Aos poucos tais concentrações, que não se restringem a manifestações em frente a cúpulas de Estado, ganharam força e visibilidade internacional.

A imprensa - dado o volume e magnitude destas mobilizações - não tem mais como ignorá-las. Vem prestando mais atenção nestes barulhentos ativistas e de uma maneira, digamos, positiva, tem dado uma maior importância, sem mais basicamente denominá-los "baderneiros" ou dotando-os de outros adjetivos pejorativos.

Porquê? Porque acima de tudo, eles representam a opinião pública mundial.

Em sua maioria, espalharam pelas ruas de Londres, extremamente blindadas por um inédito esquema de segurança, passeatas pacíficas. Mas dado o número de participantes, pluralidade ideológica e aos ânimos exaltados de alguns, inevitavelmente teve seus momentos de enfrentamento, violência e depredações. Como qualquer outra manifestação popular, em qualquer lugar do planeta.

Por trás de toda agitação, trazem consigo uma diversidade de reclames e propostas, mostrando ao mundo, e aproveitando-se destes momentos de aglutinação midiática - causada pelo encontro dos principais líderes mundiais, para explicitarem suas insatisfações, que inevitavelmente tendem a ser acentuadas em momentos de crise.

Crise essa que se manifesta em escala global, como a da década de 30, e que mais uma vez mostra ao mundo que a forma com a qual os grandes países (leia-se ricos, desenvolvidos) e os grandes bancos (cujos grandes diretores, os famigerados banqueiros, acumularam cifras incalculáveis nos últimos anos) conduzem a economia e todo o sistema financeiro internacional em pról de seus lucros e acumulação pessoais e corporativistas, não refletindo os anseios e necessidades da maior parte da população do planeta.

O encontro do G20, teve direito a banquete feito pelo chef pop-star Jamie Oliver, famoso por descomplicar a culinária, exatamente o que queriam os organizadores do evento: ingredientes simples para desenrolar este complexo emaranhando gerado pela crise.

Prometeram boas idéias e soluções para salvar o mundo do colapso financeiro gerado pela economia norte-americana, que acostumada ao excesso de consumo, comprou... comprou
... comprou... e na hora em que a conta chegou... quebrou... quebrou!

Incontestávelmente os Estados Unidos são os grandes responsáveis por este enorme abacaxi, e graças ao carismático e boa praça presidente Obama, a coisa não ficou muito pior. Sua capacidade de negociar, de assumir as falhas e propor novas alternativas, parece dar um fôlego a mais a todos os grandes chefes.

Em momento histórico e numa tentativa e de reerguer o FMI, os países membros do G20, dentre eles o Brasil / ponto para a política externa do Governo Lula, prometeram apertar o cerco aos paraísos fiscais e injetar 1 trilhão no Fundo Monetário Internacional, no intuito de ajudar países pobres a sair da crise...Veremos nas cenas dos próximos capítulos se o projeto vai vingar...

Os elogios de Obama à Lula, por mais legais que possam parecer, denotam o que pode vir por aí, um apoio a mais e uma aproximação com o Brasil em um momento em que parte da América Latina esta promovendo uma ruptura com as diretrizes do capital, e tentando um reformulação política, nos moldes da Revolução Bolivariana, proposta por Chavez. Neste contexto, o Brasil se configuraria como o grande líder latino-americano e de certa forma, contrabalanciaria esta tendência "revolucionária" que tanto assusta aos estadunidenses.

Fica a questão:
O Lula é o Cara, ou não é?!!!

-----------------------------------------------------------------------------------
* O termo "antiglobalização" parece-me um tanto quanto controverso, mas, foi denominado assim por designar os que
se opõem aos aspectos capitalistas-liberais da globalização. Não que sejam contrários a uma globalização, mas não nos ditames específicos do Capital. E sim econômicos - no que tange uma melhor distribuição das riquezas, mas também cultural - miscigenação dos povos e culturas, ecológico - no sentido de todos trabalharem juntos para salvar o planeta das mazelas geradas por este sistema produtivo destruidor; procurando globalizar valores que venham a ajudar a nos tornarmos seres humanos mais humanos e menos mercadológicos.
...é... "O capitalismo não esta funcionando" ....

Por Grazi

01/04/2009

Related Posts with Thumbnails