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25/10/2010

Às favas a verdade factual


Mino Carta 25 de outubro de 2010 às 8:56h


 Nunca na história eleitoral brasileira a mídia nativa mostrou tamanho pendor para a ficção


Há quatro meses CartaCapital publicou a verdade factual a respeito do caso da quebra do sigilo fiscal de personalidades tucanas. Está claro que a chamada grande imprensa não quer a verdade factual, prefere a ficcional, sem contar que em hipótese alguma repercutiria informações veiculadas por esta publicação. Nem mesmo se revelássemos, e provássemos, que o papa saiu com Gisele Bündchen.

Furtei a expressão verdade factual de um ensaio de Hannah Arendt, lido nos tempos da censura brava na Veja que eu dirigia. Ela é o que não se discute. Diferencia-se, portanto, das verdades carregadas aos magotes por cada qual. Correspondem às visões que temos da vida e do mundo, às convicções e às crenças. Às vezes, às esperanças, às emoções, ao bom e ao mau humor.

Por exemplo: eu me chamo Mino e neste momento batuco na minha Olivetti. Esta é a verdade factual. Quatro meses depois da reportagem de CartaCapital sobre o célebre caso, a Polícia Federal desvenda o fruto das suas investigações. Coincide com as nossas informações. O sigilo não foi quebrado pela turma da Dilma, e sim por um repórter de O Estado de Minas, acionado porque o deputado Marcelo Itagiba estaria levantando informações contra Aécio Neves.

Nesta edição, voltamos a expor, com maiores detalhes, a verdade factual. E a mídia nativa? Desfralda impavidamente a verdade ficcional. Conta aquilo que gostaria que fosse e não é. Descreve, entre o ridículo e o delírio, uma realidade inexistente, porque nela Dilma leva a pior, como se a própria candidata petista fosse personagem de ficção. Estamos diante de um faz de conta romanesco, capaz talvez de enganar prezados leitores bem-postos na vida, tomados por medos grotescos e frequentemente movidos a ódio de classe.

Ao sabor do entrecho literário, pretende-se a todo custo que o repórter Amaury Ribeiro Jr. tenha trabalhado a mando de Dilma. Desde a quarta 20, a Folha de S.Paulo partiu para a denúncia com uma manchete de primeira página digna do anúncio da guerra atômica. Ao longo do dia, via UOL, teve de retocá-la até engatar a marcha à ré. 

Deu-se que a Polícia Federal entrasse em cena para confirmar com absoluta precisão os dados do inquérito e para excluir a ligação entre o repórter e a campanha petista.

O recorde em matéria de brutal entrega à veia ficcional cabe, de todo modo, à manchete de primeira página de O Globo de quinta 21, obra-prima de fantasia ou de hipocrisia, de imaginação desvairada ou de desfaçatez. Não custa muito esforço constatar que o jornal da família Marinho acusa a PF de trabalhar a favor de Dilma, com o pronto, inescapável endosso do Estadão. Texto da primeira página soletra que, segundo “investigação da PF, partiu da campanha de Dilma Rousseff a iniciativa de contratar o jornalista”. Aqui a acusação se agrava: de acordo com o jornalão, o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa, a quem coube apresentar à mídia os resultados do inquérito, é mentiroso.

Seria este jornalismo? Não hesito em afirmar que nunca, na história das eleições brasileiras pós-guerra, a mídia nativa permitiu-se trair a verdade factual de forma tão clamorosa. Tão tragicômica. Com destaque, na área da comicidade, para a bolinha de papel que atingiu a calva de José Serra.

A fidelidade canina à verdade factual é, a meu ver, o primeiro requisito da prática do jornalismo honesto. Escrevia Hannah Arendt: “Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece, e que acontece porque é”. Este final, “porque é”, há de ser entendido como o registro indelével, gravado para sempre na teia misteriosa do tempo. A verdade factual é.

Dulcis in fundo: na festa da premiação das Empresas Mais Admiradas no Brasil, noite de segunda 18, o presidente Lula contou os dias que o separam da hora de abandonar o cargo e deixou a plateia de prontidão para as palavras e o tom do seu tempo livre pós-Presidência. Não mais “comedido”, como convém ao primeiro mandatário. E palavras e tom vai usá-los em CartaCapital. Apresento o novo, futuro colunista: Luiz Inácio Lula da Silva.

Por enquanto, ao presidente e à sua candidata não faltou na festa o apoio de dois qualificadíssimos representantes do empresariado. Roberto Setubal falou em nome dos seus pares. Abilio Diniz, de certa forma a representar também os consumidores, em levas crescentes na qualidade de novos incluídos.

A mídia nativa não deu eco, obviamente, a estes pronunciamentos muito significativos.


Mino Carta
Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br
http://www.cartacapital.com.br/

14/07/2010

REVISTA PIAUÍ


Da série Achados & imperdíveis - Vídeo criado por alunos do curso de publicidade da Escola Municipal de Ensino ProfªAlcina Dantas Feijão (SP).
Tem o pinguim da Piauí como protagonista.

Vale a pena assistir, leve, inteligente e divertido:



29/03/2010

NOSTALGIA DA LAMA

A velha e boa hipocrisia brasileira,
cada vez mais em alta, cada vez mais classista...

Escândalos envolvendo os jogadores Adriano e Vagner Love,
do Flamengo, escancaram o preconceito de classe no Brasil

Talvez não seja correto dizer que o esporte é um espelho da sociedade, mas a maneira como os fatos do esporte e seu entorno são lidos pela mídia certamente diz muito sobre ambas (a sociedade e a própria mídia).

O "mea culpa" do golfista Tiger Woods diante das câmeras expôs muito mais que suas infidelidades conjugais. Colocou a nu uma cultura manifestamente puritana que transforma em espetáculo midiático a repressão de suas pulsões.

Como se sabe, muitos norte-americanos, talvez a maioria, acham que gostar de sexo é uma espécie de doença.

No Brasil, a cobertura e a repercussão crítica dos recentes escândalos envolvendo os astros do futebol Adriano e Vagner Love revelam, entre outras coisas, um indisfarçável preconceito de classe.

O que mais escandaliza a chamada crônica esportiva, com honrosas exceções, parece ser o ambiente em que os personagens foram "flagrados". A própria recorrência desse verbo é significativa, como se estar num baile funk ou simplesmente na favela fosse por si só uma atitude ilícita ou, no mínimo, suspeita.


Na Chatuba e na Barra

O vínculo entre os termos favela e crime, martelado durante décadas pelos meios de comunicação, parece ter-se tornado indissolúvel.

Condena-se Adriano não tanto por trocar socos com a namorada, mas por fazê-lo no morro da Chatuba, e não numa cobertura na Barra da Tijuca ou num palacete em Milão.

O viés de classe nunca ficou tão evidente, aliás, como quando o jogador, um ano atrás, deixou de se reapresentar a seu clube, a Internazionale de Milão, e se refugiou durante três dias no bairro onde se criou, no Rio de Janeiro. A perplexidade foi geral, na imprensa e no mundo futebolístico.

A pergunta que se repetia era: como um sujeito abre mão de milhões de euros, do destaque num clube de ponta, de uma cidade sofisticada, para voltar à favela? O corolário, explícito ou subjacente, era mais ou menos o seguinte: "Quem nasceu na maloca nunca vai deixar de ser maloqueiro".

Uma espécie de "nostalgia da lama" arrastaria Adriano para baixo -ainda que, topograficamente, para cima.
O que escandaliza, no fundo, é a recusa em aderir aos valores, condutas e discursos tornados praticamente compulsórios para quem "vence" na nossa sociedade.

Não se perdoa Vagner Love por optar por um baile funk na Rocinha em vez de uma boate na zona sul do Rio. No primeiro, estão os "bandidos"; na segunda, a gente de bem.

Pouco importa que o tráfico que mata tanta gente no morro se alimente do consumo recreativo de muitos habitués das casas noturnas chiques.

Num país de "malandros com contrato, com gravata e capital", não escandaliza ninguém que Kaká saia publicamente em defesa dos líderes de sua argentária igreja, investigados em dois países por estelionato e lavagem de dinheiro.

Kaká, diz a crônica em uníssono, é um rapaz de boa cabeça, de boa família, de boa "estrutura". Mas Vagner Love aparecer num baile na Rocinha ladeado por traficantes armados (algo que talvez ocorresse com qualquer celebridade que visitasse o local) é intolerável.

Motel e travestis


Para reforçar a constatação de que, entre nós, o viés de classe é ainda mais forte do que o viés moralista, um caso exemplar é o de Ronaldo, "flagrado" (olha o verbo de novo) com três travestis num motel do Rio.

O que mais se ouviu, nos bastidores da imprensa, foi: "Como é que um sujeito com a grana que ele tem vai se meter com travecos de rua? Era só pegar o telefone e encomendar a perversão que quisesse, no sigilo do seu apartamento ou de um hotel de luxo".

Ou seja, dependendo do montante gasto, do cenário e dos figurinos, tudo é bonito e aceitável.

Artigo publicado no

Caderno Mais da Folha de São Paulo de 21/03/2010

Por JOSÉ GERALDO COUTO


PS:

"Se fosse você, um famoso jogador de futebol,

preferiria ser visto em um Baile Funk na Rocinha,

ou em um Culto da Renascer???


25/11/2009

LITTLE MISS SUNSHINES


Não faz muito que assisti a uma das edições do programa
coordenado pelo excelentíssimo Jornalista Caco Barcellos - "Profissão Repórter" da Rede Globo, que me marcou, era sobre “Concursos de Beleza”. No programa, como a própria chamada deles define:

Caco Barcellos e sua equipe de jovens repórteres vão às ruas, juntos,

para mostrar diferentes ângulos do mesmo fato, da mesma notícia.

Cada repórter tem sempre uma missão, um desafio a cumprir.

Será que eles vão conseguir? No Profissão Repórter, você acompanha tudo.

Os desafios da reportagem. Os bastidores da notícia.”


Trabalham sob uma égide inovadora para os canais abertos e enriquecem o tão carente horário nobre da televisão brasileira. Na citada edição, o mesmo em que aparecia uma candidata inconsolável por ter sido desclassificada no Rio de Janeiro do “Concurso de Garota da Laje”, e que depois até virou hit do You Tube (vale a pena ver de novo...rsrs), também foram abordados outros processos seletivos, como o “Concurso de Prendas” no Rio Grande do Sul e o “Miss Brasil Infantil”, e aí vem o choque...


Assustadoramente maquiadas, vestidas de gala e com saltos altos, meninas de menos de 10 anos de idade, passavam por árduas etapas de seleção, desfiles, sessões de fotografia e todo o kit que acompanha o “querer ser miss” com pitadas sutis de crueldade. Sim, crueldade é a palavra para definir a lavagem cerebral imposta a estas crianças, cidadãs em formação, que por influências maternas e midiáticas, receberam a incumbência de “vencerem” o tal concurso.


Geralmente este não é o objetivo maior delas, muitas preferiam estar brincando, como falaram às repórteres do programa nos bastidores. Porém, vestem-se de mulheres, agem como fantoches dos desejos dos outros, para enfim concorrer a um título de gente grande. Choram, dormem, e sonham com os louros da vitória com todo o direito de sua inocência de meninas.


Mas tudo isso veio à tona, pois hoje acessando o site da TPM (a Revista Trip das Meninas), li uma reportagem de uma fotógrafa americana, Susan Anderson, que dedicou-se a cobrir estes polêmicos eventos de beleza na terra do Tio Sam.



O trabalho rendeu o projeto High Glitz: The Extravagant World of Child Beauty Pageants (algo como "Muito glitter: o mundo extravagante dos concursos de beleza infantis"), exibido em Amsterdã e na Califórnia e publicado como livro em outubro, pela editora powerHouse Books. E ganhou atenção da mídia. As fotos, como sempre, falam por si só.....



Mais...

Entrevista da TPM na íntegra:

http://revistatpm.uol.com.br/entrevistas/little-miss-sunshines.html#3


Vale a pena ver de novo - Garota da Laje:

http://www.youtube.com/watch?v=CLFkpTNCFsE


Link do Programa Profissão Repórter:

http://especiais.profissaoreporter.globo.com/programa




01/09/2009

O ataque covarde da IstoÉ à Venezuela



Na edição desta semana, a revista IstoÉ, famosa por suas capas sensacionalistas e reportagens difamatórias, aprontou mais uma das suas. No artigo “O lobista de Chávez”, ela desferiu um ataque covarde contra o jornalista Carlos Alberto de Almeida, reconhecido por sua militância internacionalista e por seu compromisso com a ética jornalística. Descaradamente marcarthista, o texto insufla a perseguição política: “Jornalista brasileiro trabalha no Senado, mas faz hora extra para defender os interesses da Venezuela”. Nela, o senador tucano Álvaro Dias aparece pregando a apuração sobre a “dupla militância do funcionário”. Só falta pedir a sua demissão!

Para a revista, que nunca escondeu o seu ódio à revolução bolivariana, Beto Almeida seria um inimigo da “liberdade de expressão” por defender as medidas de Hugo Chávez contra a ditadura midiática. A fonte principal da IstoÉ é Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), a máfia dos barões da mídia que não tolera qualquer restrição legal à “libertinagem de imprensa”. O texto também desfere duro ataque à Telesur, “a emissora criada para se contrapor à rede americana CNN na América Latina”. Beto Almeida é membro do seu conselho diretivo, “seguindo à risca a cartilha do caudilho venezuelano”, esbraveja a revista.


Temores da mídia colonizada
Na prática, o rancoroso artigo visa atingir o presidente Hugo Chávez, num momento em que o parlamento brasileiro discute a adesão da Venezuela ao Mercosul. Ele também procura evitar o fortalecimento da Telesur, que já agrega vários países do continente e realiza o contraponto à mídia colonizada pelos EUA. A IstoÉ chega a alertar os reacionários de plantão. “Até agora, a emissora funciona de forma precária, quase na informalidade. Mas, aos poucos, Beto avança no lobby pelos ideais bolivarianos. Já emplacou, por exemplo, a programação da Telesur na grade do Canal Comunitário de Brasil, a ‘TV Cidade Livre’, da qual é presidente. E está costurando um convênio entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Telesur”.

No seu reacionarismo inconsistente e leviano, a IstoÉ joga farpas para todos os lados. Ataca o governo de Roberto Requião (PMDB), que retransmite a Telesur na TVE do Paraná, e critica a militância de Beto Almeida em defesa do “repasse das verbas públicas para emissoras públicas e comunitárias”. De forma marota, ela aproveita o episódio para se contrapor à 1ª Conferência Nacional de Comunicação. A revista não tolera a diversidade e pluralidade informativas e rejeita qualquer ação que vise enfrentar a concentração e a manipulação midiáticas. Para ela, a militância de Beto Almeida é incompatível “com os princípios da liberdade de expressão”.


“IstoÉ Daniel Dantas”
A publicação semanal da Editora Três já é bem conhecida por seu jornalismo sensacionalista e mercenário, sempre na busca insana por aumento de tiragem e de lucros. Em fevereiro passado, no texto intitulado “Stédile, o intocável”, ela procurou justificar a repressão às 270 famílias de sem-terras acampadas numa fazenda em Eldorado da Carajás (PA), adquirida ilegalmente pelo Grupo Opportunity, controlado pelo mega-especulador Daniel Dantas. A agressão ao líder do MST teve como objetivo criminalizar a luta pela reforma agrária e defender o banqueiro.

Na ocasião, o MST respondeu a altura no texto intitulado “IstoÉ Daniel Dantas”. Lembrou que a revista “atua como títere dos poderosos, ao passo que se distancia do compromisso com a sociedade e a ética jornalística”. Destacou que ela faz o papel de advogado do bandido e que evita noticiar as sujeiras de Daniel Dantas, “preso em julho passado durante a operação da Polícia Federal por prática de crimes financeiros e de desvio de verbas públicas”. E ironizou: “Resta saber se o conteúdo da reportagem é fruto de um trabalho investigativo competente ou se deve ao curioso fato de que a IstoÉ é publicada pela Editora Três, que por sua vez também é controlada pelo banqueiro Daniel Dantas. Desde 2007, ele possui 51% das ações da editora”.

26/05/2009

MUDOU A IMPRENSA, NÓS MUDAMOS



A matéria abaixo foi publicada pela Carta Capital e vai de encontro a uma realidade cada vez mais presente e expressiva, as mídias alternativas e não impressas ganham espaço e ameaçam a estabilidade econômica dos grandes impérios da informação mundial.

O "The Huffington Post" que o diga, em pouco tempo e com aparente baixo investimento de manutenção e divulgação, tornou-se um fênomeno de notícias da internet. Assim, os grandes veículos profissionais perdem espaço para blogs e sites que incentivam a cultura do amador.
Palmas a todos nós!!!



The New York Times
O jornal de maior prestígio perde com a internet e acumula dívida que os anúncios on-line não conseguem sanar

Em 2007, seguro de seu papel como um dos mais importantes jornais americanos, o The New York Times apresentava ao mundo uma nova sede de 57 andares em Manhattan. Apenas dois anos depois, a família Sulzberger, proprietária do veículo, vendia 8% das ações da empresa ao magnata mexicano Carlos Slim. Aquela era a maneira encontrada para aplacar a ansiedade dos credores que cobravam do Times uma dívida de 400 milhões de dólares. Mudava o jornal ou mudava seu leitor? Credita-se a perda de espaço do Times ao advento da internet, que opera com uma velocidade incomparável à transmissão de notícias. A rede, entre outras coisas, transformou os blogs em centros noticiosos, a ressaltar que uma nova cultura, aquela do amador, chegava com o objetivo de ficar. O Times discute se sobreviverá apenas vendendo anúncios on-line em seu site. O Google propõe o “uso justo” das notícias do jornal na sua página Google News, mas os Sulzberger querem mais vantagens na divulgação de seus conteúdos. Ou, valendo-se deles, ainda sobreviver com independência.

The Economist
A revista inglesa não esconde suas posições e informa sem medo de exercer o bom humor e a profundidade

A revista inglesa é a mais respeitada publicação semanal em todo o mundo, por conta de uma característica que a distingue do resto, atualmente mergulhado em grande crise. O semanário informa e qualifica sem temer exercer a profundidade, a contrariedade ao senso comum e a independência. Mas não esconde seu veio liberal. A The Economist só pôde crescer nesses anos de turbulência porque apostou em seus profissionais e, mais do que isso, em sua coesão intelectual e talento para transmitir a informação pela escrita. É uma revista em moldes antigos, mas a face está renovada. Quem a lê espera a visão clara, a abordagem surpreendente, a ironia em “uso justo”. Talento vende desde pelo menos 1843, quando a Economist foi criada em Londres por representantes da indústria têxtil de Manchester. Capitaneados pelo fabricante escocês de chapéus James Wilson, a revista pregava, como ainda prega, “a defesa do livre comércio, do internacionalismo e da mínima interferência do governo, especialmente nos negócios de mercado”.

Arianna Huffington
A empresária nascida na Grécia fez de seu blog um centro de notícias identificado com a esquerda e com os tempos novos

Nascida Ariánna Stassinópolos, em 1950, em Atenas, Arianna Huffington é a colunista, autora e escritora de séries de televisão responsável por lançar o mais bem-sucedido projeto de informação identificado com a era da internet. O The Huffington Post prova o poder da confecção particular de notícias sobre o mundo tradicional dos jornais impressos. A revista americana PC World tem Arianna, estabelecida nos Estados Unidos a partir de 1980, como um dos 50 visionários da história da tecnologia. Seu blog centra-se no noticiário político e orienta o pensamento americano à esquerda, que para ele contribui por meio de textos assinados, como os do ex-candidato democrata à Casa Branca John Kerry. A empresária amealhou fortuna após separar-se de seu marido americano, Michael Huffington, em 1997. À época do casamento, esta que hoje se diz progressista era orientada pelo pensamento conservador. Ela é autora de biografias da cantora Maria Callas e do pintor Pablo Picasso.

Carlos Slim
O Midas mexicano tem 8% do New York Times e é a segunda fortuna mundial, ampliada no mercado de telefones

Ele transforma empreendimentos decadentes em companhias lucrativas, e por essa razão senta-se em um trono à moda de Rupert Murdoch, como invejável Midas. De origem libanesa, o mexicano Carlos Slim é a segunda fortuna mundial, atrás apenas daquela amealhada pelo americano Warren Buffett. Segundo a Forbes, sua fortuna provoca polêmica no México, onde a renda per capita é de 6,8 mil dólares por ano e ele controla 90% do mercado de telefones. Slim, que tem 8% das ações do jornal The New York Times, comanda companhias de telecomunicações na Guatemala, em Porto Rico, no Peru, no Equador, em El Salvador, na Nicarágua, na Argentina, no Chile e na Colômbia. No Brasil, comprou a participação da Globopar na rede de tevê a cabo Net, com 2,5 milhões de clientes. Associou-se ao empresário americano Bill Gates, dono da Microsoft, para criar um portal na internet destinado aos americanos de origem hispânica. Mantém próximas relações com José Dirceu, que o apresentou a Lula.

Al-Jazira
A rede árabe ousa ao transmitir, diretamente do Oriente Médio, as notícias que o Ocidente pena em reportar

Os atentados de 2001 a tornaram conhecida mundialmente. A Al-Jazira era o Oriente para que o Ocidente pudesse descobri-lo. Fora criada cinco anos antes, com uma verba inicial de 150 milhões de dólares oferecida pelo emir do Catar, nos moldes do canal americano de televisão CNN. A Al-Jazira descreve-se em sua programação como “a única rede internacional de mídia eletrônica com presença local”. Transmite notícias em um ambiente no qual elas pululam, e ao qual os jornalistas ocidentais dificilmente têm acesso. Embora seu serviço em inglês possa ser visto em mais de cem países, via cabo e satélite, a rede só é retransmitida nos Estados Unidos por operadoras de cabo em Vermont, Ohio e Washington. Como a Al-Jazira deseja ampliar sua atuação no país, aceita liberar sem cobrança todo o material de sua autoria sobre a guerra de Gaza, desde que receba o devido crédito. A rede também oferece versões pela web de seus programas em diversos formatos e tem um canal exclusivo no YouTube com mais de 6,8 mil vídeos.


Links:
CARTA CAPITAL
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=9&i=4168
THE HUFFINGTON POST
http://www.huffingtonpost.com/
AL JAZEERA
http://english.aljazeera.net/
THE NEW YORK TIMES
http://www.nytimes.com/
THE ECONOMIST
http://www.economist.com/

15/04/2009

AS GUERRAS E AS MENTIRAS MIDIÁTICAS

Já faz algum tempo que guardei este material, e antes que ele ser perca de vez, posta-lo-ei!
Trata-se de um artigo de Michel Colon, adaptado por Mello (http://blogdomello.blogspot.com/2008/05/dez-guerras-dez-mentiras-miditicas.html)
Como foi escrito em 2008, a invasão à Gaza não foi elencada, mas serve como uma luva a nossa décima posição.



Cada guerra é precedida por uma mentira dos meios de comunicação de massa.


(...) Recordemos simplesmente quantas vezes os mesmos Estados Unidos e os mesmos meios já nos manipularam. Cada grande guerra se “justifica” pelo que mais tarde (demasiado tarde) aparecerá como uma simples desinformação. Um rápido inventário:


1) Vietnã (1964-1975)
Mentira midiática: Nos dias 2 e 3 de agosto o Vietnã do Norte teria atacado dois barcos dos Estados Unidos na baía de Tonkin.
O que se saberá mais tarde: Esse ataque não aconteceu. Foi uma invenção da Casa Branca.
Verdadeiro objetivo: Impedir a independência de Vietnã e manter o domínio dos Estados Unidos na região
Conseqüências: Milhões de vítimas, malformações genéticas (agente laranja), enormes problemas sociais.


2) Granada (1983)
Mentira midiática:: A pequena ilha do Caribe foi acusada de que nela se construía uma base militar soviética e de trazer perigo à vida de médicos americanos.
O que se saberá mais tarde: Absolutamente falso. O Presidente Reagan inventou esses pretextos.
Verdadeiro objetivo: Impedir as reformas sociais e democráticas do premiê Bishop (depois assassinado)
Conseqüências: Brutal repressão e restabelecimento da tutela de Washington.


3) Panamá (1989)
Mentira midiática: A invasão tinha o objetivo de prender o presidente Noriega por tráfico de drogas.
O que se saberá mais tarde: Formado pela CIA o presidente Noriega reclamava a soberania ao fim do acordo do canal, o que era intolerável para os Estados Unidos.
Verdadeiro objetivo: Manter o controle dos Estados Unidos sobre essa estratégica via de comunicação.
Conseqüências: Os bombardeios dos Estados Unidos mataram entre 2 e 4 mil civis, ignorados pelos meios.


4) Iraque (1991)
Mentira midiática: Os iraquianos teriam destruído parte da maternidade da cidade de Kuwait.
O que se saberá mais tarde: Invenção total da agência publicitária Hill e Knowlton, paga pelo emir de Kuwait.
Verdadeiro objetivo: Impedir que o Oriente Médio resista a Israel e se comporte com independência em relação aos Estados Unidos.
Conseqüências: Inumeráveis vítimas da guerra, depois um longo embargo, inclusive de medicamentos.


5) Somália (1993)
Mentira midiática: O senhor Kouchner aparece na cena como herói de uma intervenção humanitária.
O que se saberá mais tarde: Quatro sociedades americanas tinham comprado uma quarta parte do subsolo somali, rico em petróleo.
Verdadeiro objetivo: Controlar uma região militarmente estratégica.
Conseqüências: Não conseguindo controlar a região os Estados Unidos a manterão num prolongado caos.


6) Bósnia (1992-1995)
Mentira midiática: A empresa americana Ruder Finn e Bernard Kouchner divulga a existência de campos de extermínio sérvios.
O que se saberá mais tarde: Ruder Finn e Kouchner mentiram. Eram apenas campos de prisioneiros. O presidente muçulmano Izetbegovic o admitiu.
Verdadeiro objetivo: Quebrar uma Iugoslávia demasiado esquerdista, eliminar seu sistema social, submeter a zona às multinacionais, controlar o Danúbio e as estratégicas rotas dos Bálcãs.
Conseqüências: Quatro atrozes anos de guerra para todas as nacionalidades (muçulmanos, sérvios, croatas). Provocada por Berlin, prolongada por Washington.


7) Iugoslávia (1999)
Mentira midiática: Os sérvios cometem um genocídio contra os albaneses do Kosovo.
O que se saberá mais tarde: Pura e simples invenção da OTAN como o reconheceu Jaime Shea, seu porta-voz oficial.
Verdadeiro objetivo: Impor o domínio da OTAN nos Bálcãs e sua transformação em polícia do mundo. Instalar uma base militar americana no Kosovo.
Conseqüências: Duas mil vítimas dos bombardeios da OTAN. Limpeza étnica de Kosovo pelo UCK, protegido pela OTAN.


8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.


9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.



Nossa 10ª posição vai para..... uma guerra, que como todos sabemos não aconteceu!

E agora frente a nova política externa proposta por Barack Obama, é bem provável que não aconteça mesmo... mas não desmerecendo o texto e análise feita, ela está aqui entre as "mentiras midiáticas" que assistimos diariamente, encobertadas entre as manchetes de nossos grandes meios de comunicação:


10) VenezuelaEquador (2009 ???)
Mentira midiática: Chávez apoiaria o terrorismo, importaria armas, seria um ditador (o pretexto definitivo parece não ter sido escolhido ainda).
Verdadeiro objetivo: As multinacionais querem seguir com o controle petroleiro e de outras riquezas de toda América Latina, temem a libertação social e democrática do continente.
Conseqüências: Washington empreende uma guerra global contra o continente: golpes de estado, sabotagens econômicas, chantagens, estabelecimento de bases militares próximas às riquezas naturais.


02/03/2009

"Ditabranda" ... fala sério ...

...
A Folha saúda a ditadura!

Publicado por Ceso Marcondes na Carta Capital 26/02

Já se passaram nove dias do editorial da Folha de S.Paulo que criou o termo “ditabranda” para caracterizar a ditadura militar que aterrorizou o País a partir de 1964. Mas a polêmica não morreu, apesar do Carnaval. Hoje mesmo, dia 26, os respeitabilíssimos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides se insurgem na seção de cartas dos leitores do jornal. Ambos protestaram dia 20 passado no mesmo espaço diante da “criação” do editor do jornal. Agora, repudiam a resposta que obtiveram da Redação.

Para quem não viu, a Folha lhes respondeu simplesmente o seguinte: “Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa”.

Ou seja, o caldo entornou de vez. Se no Editorial do dia 17, o “ditabranda” apareceu de passagem, só “uma lembrança”, em um texto que criticava o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, naquela Nota da Redação, não só o jornal reiterou sua criação, como destratou duas das figuras mais respeitadas da universidade brasileira. São eles cínicos e mentirosos em sua indignação, disse a Folha, extrapolando todos os limites da boa conduta jornalística descritos em seu Manual de Redação.
Tão absurda quanta, foi a “exigência” do jornal: ficamos sabendo que passa a ser obrigatório condenar o regime cubano para ser autorizado a condenar o brasileiro daquela época. Vindo de quem apoiou abertamente o golpe de 64, dá para entender a “exigência”. O jornal já recebeu a contestação de muita gente, entre elas, de pelo menos três jornalistas da própria Folha: do ombudsman Carlos Eduardo Lins e Silva, de Fernando de Barros e Silva e Juca Kfouri. Agora, ganha audiência na internet o abaixo-assinado aqui reproduzido.

O leitor de CartaCapital pode deixar seu comentário neste espaço ou se manifestar através da petição online.“REPUDIO E SOLIDARIEDADE Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitraria e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiros que lutaram pela redemocratização dos país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964. Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota da Redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato.

Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal. Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.”
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A esta altura do campeonato, um dos jornais mais
respeitados do país,definir como "branda" a ditadura,
que mais do que sequelas deixou em nossa sociedade,
é acima de tudo irresponsável do ponto de vista jornalístico.

O períodico que além de "apoiar" as ações dos militares,
"dissimulava" informaçõese ainda por cima "emprestava"
suas peruas para transporte dos presos políticos
até o DOI-COD, no mínimo, deveria pesar suas
manifestações políticas, nesta esfera, nos dias de hoje.
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Trata-se de um desrespeito as vítimas,
aos seus familiares
e a história do nosso país!
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Matar, separar, torturar, desaparecer...
é um ato "brando"
...aonde?
e desde de quando?
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Para que não esqueças,
para que nunca mais aconteça:
Ato contra editorial da Folha ditabranda
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