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26/03/2010

LOJAS MARISA E O TRABALHO ESCRAVO

Fiscalização multa rede de lojas Marisa por trabalho escravo
Por Redação - de São Paulo


A costureira ganha R$ 2 por peça

Uma inspeção de rotina de fiscais do Ministério do Trabalho descobriu, na capital paulista, nesta quinta-feira, trabalhadores bolivianos em condições análogas à escravidão em oficinas de costura contratadas pela rede de lojas Marisa. Cada trabalhador recebe R$ 2 por uma peça que será vendida a R$ 49,99 pela empresa.

Diante das evidências, a empresa foi autuada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP) acusada de ligação com o trabalho escravo de imigrantes sul-americanos. Foram aplicados 43 autos de infração, num total de R$ 663,6 mil, depois de serem encontrados, em oficinas de costura contratadas pela empresa, imigrantes trabalhando em condições análogas à escravidão. As ações de fiscalização ocorreram durante os meses de fevereiro e março.

O rastreamento da cadeia produtiva do setor de confecções levou a SRTE a encontrar trabalhadores, em geral bolivianos, sem registro, com salários de R$ 202 a R$ 247, menos da metade do mínimo brasileiro (R$ 510) e menos de um terço do piso da categoria. As condições de trabalho, saúde e segurança também eram inadequadas. De acordo com as investigações dos fiscais do trabalho, dos R$ 49,99 que um cliente da rede de lojas Marisa pague por uma peça, R$ 2 vão para o trabalhador (4%), R$ 2 para o dono da oficina (4%), R$ 17 para os intermediários (34%) e R$ 28,99 (58%) ficam com a Marisa.

A SRTE também encaminhou o relatório da fiscalização a outros órgãos. À Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (SIT/MTE), bem como à Polícia Federal (PF), para apuração dos indícios de tráfico de pessoas. Os indícios de sonegação de tributos foram enviados às Receitas Federal e Estadual. Representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público Federal (MPF) também receberam o material.

A pergunta que não quer calar:
- E em propaganda, eles gastam quanto mesmo?



Notícia veiculada pelo Correio do Brasil:
http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=165839

13/05/2009

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Hoje "comemora-se" os
121 anos da Abolição
da Escravatura em terras brasileiras.



A Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888 marcou a história recente de nossa sociedade e podemos afirmar que aconteceu "ontem." Porque 121 anos são muito poucos se comparados aos 362 anos (1526/1888) em que reinou em nossa pátria amada a escravidão, o comércio, o tráfico e toda espécie de violência (física, psicológica, sexual) dos negros africanos.

Da instauração do tráfico negreiro, até a abolição "definitiva" da escravatura foram escritas as mais tristes páginas de nossa história, largamente preenchidas de sangue, injustiça e hipocrisia.

Estatísticas:
  • Calcula-se que para as Américas foram trazidos em torno de 12 a 13 milhões de africanos.
  • Para as lavouras brasileiras, estima-se algo em torno de 3 a 4 milhões.
  • 40% morriam no caminho, devido a efermidades e as péssimas condições de higiene e acomodação (acumulação) dos porões dos navios negreiros, sendo "dispensados" nas águas do Atlântico.
  • Cerca de 5 a 10% dos escravos morriam no primeiro ano após a chegada devido as jornadas exaustivas e aos maus tratos sofridos.

Os grandes proprietários rurais (de terras e de escravos), os empresários e os políticos daquele tempo souberam sugar de todas as formas, o suor e a vida dos trabalhadores africanos e de seus descendentes, em nome dos mais "nobres" desejos de acumulação e expansão do capital, deixando uma incomensurável cicatriz, que permanece aberta e larga no seio da sociedade brasileira.

As lavouras de cana de açúcar, café, tabaco e algodão, não só do Brasil, mas também do Caribe, foram as responsáveis por uma verdadeira sangria na África:
  • alimentando guerras internas
  • abalando as estruturas organizacionais tradicionais
  • destruindo reinos, tribos e clãs
  • além da matança indicriminada de milhares de seus habitantes
  • mas principalmente "atropelando" e desestabilizando o processo de desenvolvimento civilizatório do contintente que até hoje não conseguiu recuperar o ritmo e encontrar a sua vocação.
O processo de luta dos abolicionistas brasileiros foi lento e longo, muitas foram as suas reinvindicações e seus levantes . Em 1871 conseguiram a aprovação da Lei do Ventre Livre, depois em 1887, a dos Sexagenários - que garantia a liberdade dos escravos maiores de 60 anos, desde que indenizados seus proprietários.

A libertação somente foi assinada em 1888, não por um ato de louvável bondade da princesa, e sim, por pressões externas (leia-se inglesas) e internas, que estavam tornando o modo de produção escravista brasileiro, uma pedra no sapato do Império Português. Internamente, a insatisfação com a medida, por parte dos proprietários rurais foram as maiores possíveis, mas por outro lado, satisfez a parcela da sociedade que há anos lutava por ela, e da qual participaram políticos e poetas, escravos, libertos, estudantes, jornalistas, advogados, intelectuais, empregados públicos e operários. Efetivamente a escravidão só foi abolida uns 30 anos depois da assinatura da lei.

Ainda hoje temos os resquícios destes três séculos de servidão forçada muito presentes em nosso cotidiano, e as questões que estão relacionados a este período permanecem carentes de vinculação direta e acima de tudo de responsabilidade:
  • Seja na existência de trabalhadores escravos nos interiores do Brasil, que sustentam donos de terra, que assassinam agentes do Incra, missionários e defensores de indígenas e representantes de comunidades locais
  • no Turismo Sexual
  • na "dependência de empregada", presente em grande parte dos domícilios de média e alta renda, que nada mais representam do que "trazer a senzala pra dentro de casa"
  • na discussão das cotas para afrodescendentes nas faculdades brasileiras
  • no cercamento das favelas...
Ficam lançadas estas questões para reflexão... e pergunta-se:
  • Alguém duvida da dívida histórica que o mundo tem com África???
  • E nós brasileiros, realmente abolimos a escravatura?
  • Como agimos com relação as propostas de "reparação" aos afrodescendentes?


Graziele Saraiva

Para ler:
CASA GRANDE E SENZALA, escrito em 1933 obra máxima e clássico da nossa literatura, escrita por Gilberto Freire.



17/04/2009

A (RE)VOLTA DA CHIBATA

João Cândido foi o Almirante Negro - líder da revolta da Chibata, movimento de militares da Marinha do Brasil que se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos como punição contra eles, em 1910. Em uma carta ele dá o ultimato: "Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já".

Os tempos são outros, mas o teor ainda é o mesmo: a violência. Eu 'e toda a torcida do Flamengo' ficamos chocados com as imagens exibidas pela televisão hoje. Pensei que o tempo dos castigos da escravidão (como o da imagem acima, de Debret) tinha passado. Estava enganada.

As chicotadas que os seguranças da SuperVia deram nos cidadãos embarcados e amontoados nos poucos trens que estavam em funcionamento mostram que sofremos ainda com os mesmos erros do passado. Esse comportamento adotado pela companhia é um retrocesso social. É a prova que o Estado falha, mais uma vez.

O contribuinte acorda de manhã e enfrenta um tumulto para poder ir trabalhar. Greve dos ferroviários e pronto: quem depende dos trens vai sofrer. Centenas de se aglomeram nas estações e lotam os vagões. Trata-se de pessoas que pagaram por aquele serviço, concedido à empresa pelo governo. Ninguém está fazendo nada de errado para ser castigado.

Mais do que os socos e pontapés, os chicotes usados para bater os passageiros são a instituição da barbárie no sistema de transportes. Mais de um agressor possuía o instrumento em mãos. Como (e por quê)? Faz parte do uniforme? Gostaria que o diretor de lá me respondesse. Será que eles tinham carta branca para agir daquela forma?

Confusão sempre vai ter quando houver problemas, greve etc. mas não há justificativa para que pessoas sejam tratadas de tal forma por uma empresa prestadora de um serviço básico como o de transporte. Logo penso na minha teoria de poder e volto a me questionar sobre o porquê de as pessoas tomarem para si certos (podres) poderes.

Por que o porteiro sempre pensa que é dono do prédio?
Deveríamos nos rebelar mais! (e em resposta a tudo!)

Por Vavá Jones
http://vavalindajones.blogspot.com/
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