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01/09/2011

E o bonde chora

As coisas não choram
quem chora são as pessoas

quem vive são as pessoas
mesmo no mundo das coisas

quem chora somos nós
de tristeza, de indignação, de raiva
diante de nossa impotência frente às coisas
através das quais outras pessoas
controlam nossas vidas
de pessoas - que choram.

Uma pequena homenagem aos familiares e feridos no acidente em Santa Teresa - e uma enojada desomenagem a Sérgio Cabral, Eduardo Paes e Júlio Lopes, os grandes responsáveis pelo "acidente".
Por Victor Neves de Souza
Manifesta-Ação Luto pelo bonde dia 1 de setembro
data em que o bondinho começou a circular há 115 anos.
local: Estação da Carioca, centro às 9h da manhã
e às 19:00 no Largo Guimarães em Santa Teresa.

29/03/2010

NOSTALGIA DA LAMA

A velha e boa hipocrisia brasileira,
cada vez mais em alta, cada vez mais classista...

Escândalos envolvendo os jogadores Adriano e Vagner Love,
do Flamengo, escancaram o preconceito de classe no Brasil

Talvez não seja correto dizer que o esporte é um espelho da sociedade, mas a maneira como os fatos do esporte e seu entorno são lidos pela mídia certamente diz muito sobre ambas (a sociedade e a própria mídia).

O "mea culpa" do golfista Tiger Woods diante das câmeras expôs muito mais que suas infidelidades conjugais. Colocou a nu uma cultura manifestamente puritana que transforma em espetáculo midiático a repressão de suas pulsões.

Como se sabe, muitos norte-americanos, talvez a maioria, acham que gostar de sexo é uma espécie de doença.

No Brasil, a cobertura e a repercussão crítica dos recentes escândalos envolvendo os astros do futebol Adriano e Vagner Love revelam, entre outras coisas, um indisfarçável preconceito de classe.

O que mais escandaliza a chamada crônica esportiva, com honrosas exceções, parece ser o ambiente em que os personagens foram "flagrados". A própria recorrência desse verbo é significativa, como se estar num baile funk ou simplesmente na favela fosse por si só uma atitude ilícita ou, no mínimo, suspeita.


Na Chatuba e na Barra

O vínculo entre os termos favela e crime, martelado durante décadas pelos meios de comunicação, parece ter-se tornado indissolúvel.

Condena-se Adriano não tanto por trocar socos com a namorada, mas por fazê-lo no morro da Chatuba, e não numa cobertura na Barra da Tijuca ou num palacete em Milão.

O viés de classe nunca ficou tão evidente, aliás, como quando o jogador, um ano atrás, deixou de se reapresentar a seu clube, a Internazionale de Milão, e se refugiou durante três dias no bairro onde se criou, no Rio de Janeiro. A perplexidade foi geral, na imprensa e no mundo futebolístico.

A pergunta que se repetia era: como um sujeito abre mão de milhões de euros, do destaque num clube de ponta, de uma cidade sofisticada, para voltar à favela? O corolário, explícito ou subjacente, era mais ou menos o seguinte: "Quem nasceu na maloca nunca vai deixar de ser maloqueiro".

Uma espécie de "nostalgia da lama" arrastaria Adriano para baixo -ainda que, topograficamente, para cima.
O que escandaliza, no fundo, é a recusa em aderir aos valores, condutas e discursos tornados praticamente compulsórios para quem "vence" na nossa sociedade.

Não se perdoa Vagner Love por optar por um baile funk na Rocinha em vez de uma boate na zona sul do Rio. No primeiro, estão os "bandidos"; na segunda, a gente de bem.

Pouco importa que o tráfico que mata tanta gente no morro se alimente do consumo recreativo de muitos habitués das casas noturnas chiques.

Num país de "malandros com contrato, com gravata e capital", não escandaliza ninguém que Kaká saia publicamente em defesa dos líderes de sua argentária igreja, investigados em dois países por estelionato e lavagem de dinheiro.

Kaká, diz a crônica em uníssono, é um rapaz de boa cabeça, de boa família, de boa "estrutura". Mas Vagner Love aparecer num baile na Rocinha ladeado por traficantes armados (algo que talvez ocorresse com qualquer celebridade que visitasse o local) é intolerável.

Motel e travestis


Para reforçar a constatação de que, entre nós, o viés de classe é ainda mais forte do que o viés moralista, um caso exemplar é o de Ronaldo, "flagrado" (olha o verbo de novo) com três travestis num motel do Rio.

O que mais se ouviu, nos bastidores da imprensa, foi: "Como é que um sujeito com a grana que ele tem vai se meter com travecos de rua? Era só pegar o telefone e encomendar a perversão que quisesse, no sigilo do seu apartamento ou de um hotel de luxo".

Ou seja, dependendo do montante gasto, do cenário e dos figurinos, tudo é bonito e aceitável.

Artigo publicado no

Caderno Mais da Folha de São Paulo de 21/03/2010

Por JOSÉ GERALDO COUTO


PS:

"Se fosse você, um famoso jogador de futebol,

preferiria ser visto em um Baile Funk na Rocinha,

ou em um Culto da Renascer???


08/12/2009

FORÇA LETAL - Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo

Rio de Janeiro

Policiais do Rio de Janeiro e de São Paulo recorrem à força letal de forma rotineira, frequentemente cometendo execuções extrajudiciais e exacerbando a violência nos dois estados, afirmou a Human Rights Watch em relatório lançado hoje.

O relatório de 134 páginas, "Força Letal: Violência Policial e Segurança Pública no Rio de Janeiro e em São Paulo", examinou 51 casos nos quais policiais teriam executado supostos criminosos reportando em seguida que as vítimas haviam morrido em tiroteios enquanto resistiam à prisão.

As polícias do Rio e de São Paulo juntas matam mais do que 1.000 pessoas por ano em supostos confrontos. Embora alguns desses casos de homicídios cometidos pela polícia após suposta "resistência" sejam atos de legítima defesa, muitos outros são execuções extrajudiciais, concluiu o relatório.

"A execução extrajudicial de suspeitos criminosos não é a resposta ao crime violento," disse José Miguel Vivanco, diretor da divisão das Américas da Human Rights Watch. "Os moradores do Rio e de São Paulo precisam de um policiamento mais eficaz e não de uma polícia mais violenta."

Homicídios ilegais cometidos pela polícia acabam por minar os esforços legítimos nos dois estados de combate à violência do crime organizado fortemente armado. No Rio, essas facções são em grande parte responsáveis por uma das mais altas taxas de homicídios do hemisfério. Em São Paulo, apesar da redução da taxa de homicídios na última década, a violência das facções criminosas também constitui uma grande ameaça.

A Human Rights Watch obteve provas críveis em 51 casos de "resistência" que contradizem as alegações dos policiais de que as vítimas teriam morrido em tiroteios. Por exemplo, em 33 casos, provas forenses não eram aparentemente compatíveis com as versões oficiais sobre o ocorrido- inclusive 17 casos nos quais os laudos necroscópicos demonstram que a polícia atirou nas vítimas à queima roupa. Os 51 casos não representam a totalidade do número de possíveis execuções extrajudiciais, mas servem como indicativo de um problema mais amplo, concluiu o relatório.

O relatório também se baseia em entrevistas detalhadas com mais de 40 autoridades da justiça criminal inclusive promotores e procuradores importantes que vêem as execuções extrajudiciais cometidas pela polícia como um grave problema nos dois estados.

Dados estatísticos governamentais apoiam a avaliação dos promotores de que o problema é generalizado:

  • As polícias do Rio e de São Paulo mataram mais de 11.000 pessoas desde 2003.
  • O número de homicídios cometidos pela polícia do Rio atingiu o nível recorde de 1.330 em 2007 e em 2008 o número de homicídios era o terceiro mais alto, atingindo 1.137 homicídios.
  • O número de homicídios no estado de São Paulo, embora seja menor do que no Rio, também é comparativamente alto: por exemplo, nos últimos cinco anos, a polícia do estado de São Paulo matou ao todo 2.176 pessoas, número maior do que as mortes cometidas por policiais em toda a África do Sul (1.623) no mesmo período de cinco anos, sendo que a África do Sul possui taxa de homicídio bem maior do que São Paulo.

O elevado número de homicídios cometidos pela polícia é ainda mais dramático ao lado dos comparativamente baixos números de civis feridos não fatalmente e de óbitos policiais.

  • O Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar de São Paulo matou 305 pessoas no período de 2004 a 2008, deixando apenas 20 feridos. Em todos esses supostos "tiroteios", a polícia sofreu um óbito.
  • No Rio, a polícia em 10 áreas, cada uma sob responsabilidade de um batalhão da polícia militar, foi responsável por 825 homicídios classificados como "autos de resistência" em 2008 sofrendo, no mesmo período, um total de 12 óbitos policiais.
  • A polícia do Rio prendeu 23 pessoas para cada pessoa que mataram em 2008 e a
    polícia de São Paulo prendeu 348 para cada vítima fatal. Comparativamente, a polícia dos Estados Unidos prendeu mais de 37.000 pessoas para cada vítima fatal em supostos confrontos no mesmo ano.

"Policiais são autorizados a usar força letal como último recurso para se protegerem ou protegerem outros," afirmou Vivanco. "Mas a noção de que esses homicídios seriam cometidos em legítima defesa ou seriam justificados pelos altos índices de criminalidade, é insustentável."

Além dos muitos homicídios após "resistência" cometidos todos os anos por policiais durante o expediente, policiais matam mais centenas enquanto atuam fora do expediente, frequentemente quando agem como membros de milícias no Rio e em grupos de extermínio em São Paulo.

Os policiais responsáveis por homicídios no Rio e em São Paulo raramente são levados à Justiça. A causa principal dessa falha crônica de responsabilizar os policiais em casos de assassinatos, o relatório afirmou, é que os sistemas de justiça penal dos dois estados atualmente dependem quase que inteiramente de investigadores da polícia para resolver
esses casos.

A Human Rights Watch conclui que policiais frequentemente tomam medidas para acobertar a natureza real dos homicídios após "resistência". Além disso, investigadores da polícia geralmente não tomam as medidas necessárias para determinar a verdade dos fatos, garantindo dessa maneira que não se possa determinar a responsabilidade criminal nos casos e que os autores dos crimes permaneçam impunes.

"Enquanto couber às polícias investigar a si mesmas, essas execuções continuarão e os esforços legítimos de combater a violência nos dois estado serão enfraquecidos," disse Vivanco.

O relatório apresenta recomendações para as autoridades do Rio e de São Paulo para reduzir a violência policial e melhorar a aplicação da lei. A recomendação central é a criação de unidades especializadas dentro dos Ministérios Públicos Estaduais para investigar homicídios após "resistência" e garantir que os policiais responsáveis por execuções extrajudiciais sejam responsabilizados criminalmente.

O relatório também detalha medidas que as autoridades estaduais e federais deveriam tomar para maximizar a eficácia dessas unidades especiais, dentre elas:

  • Exigir que os policiais notifiquem o Ministério Público sobre homicídios após
    "resistência" imediatamente após o ocorrido;
  • Estabelecer e rigorosamente implementar procedimentos para a preservação da cena do crime que impeçam que policiais realizem falsos "socorros" e outras técnicas de acobertamento; e
  • Investigar possíveis técnicas de acobertamento, inclusive falsos "socorros", e processar criminalmente os policiais que assim atuarem.


Na íntegra em PDF:

http://www.hrw.org/sites/default/files/reports/brazil1209ptwebwcover.pdf

24/11/2009

SARAJEVO É BRINCADEIRA AQUI É O RIO DE JANEIRO


O Rio de Janeiro possui a polícia mais violenta do mundo.

O grau de letalidade da polícia carioca supera todas as polícias dos Estados Unidos somadas. Nos últimos sete anos, as mortes provocadas pelas ações policiais cresceram 298,3%. Hoje são mais de três pessoas por dia mortas pela polícia.

O perfil das vítimas é conhecido: jovens do sexo masculino, pretos, pobres, moradores de favelas e periferias e de baixíssima escolaridade.


Marcelo Freixo, 2006




Vivemos uma Guerra, não declarada, mas uma Guerra instituída, dita civil. Acostumamos-nos com as cenas de violência explícita, gratuíta, assustadora. Tiroteios são comuns, crianças assaltando aos bandos são comuns, corpos estendidos são comuns, e em meio a esta cartarse, em quem devemos confiar? Na polícia, deveria ser a resposta mais coerente. Mas no caso brasileiro, especificamente no caso carioca, a coisa não é bem assim...


Se fores parado, em uma blitz policial, a noite, no Aterro do Flamengo por exemplo, certo que serás assaltado, por quem acima de tudo, deveria estar ali para nos proteger. Os famigerados R$ 50,00 cobrados pela corrupta Polícia Militar Carioca, é conhecido por todos. Raras são as exceções em que serás liberado sem ter que deixar a significativa quantia para o "cafézinho" da galera, mesmo que estejas com documentação em dia, impostos pagos, sempre encontrarão uma coisinha boba para consumar o fato extorsivo.


Mão na cabeça, assalto? Não, é a polícia

Mas dá no mesmo se você não tem um pingo de malícia

São pagos pra proteger, mas te tratam como ladrão
Quem é que vão proteger, então?


Não é mais só nas favelas, que a PMERJ vem estrelando sua capacidade mágica de fazer "desaparecer" corpos de cidadãos assassinados impunemente. Na Barra da Tijuca, nobre bairro de Classe Alta, tivemos dois casos recentes desta habilidade. A jovem engenheira Patrícia que voltava de uma festa na Lapa, e que segundo a família - foi abordada em uma blitz policial, sendo seu carro encontrado dentro das águas e seu corpo e situações reais do acontecido, nunca esclarecidas. E o caso da comerciante chinesa Ye Guee que ao sair de uma casa de câmbio, com quantia significativa de dinheiro, foi abordada por uma viatura policial e pimba, nunca mais... Nas favelas, a lista de nomes é imensa... mas quando mata-se favelado, é diferente, no máximo uma mãe, uma irmã desesperada no noticiário, depois ninguém mais saberá o nome das vítimas, seja o menino que saiu pra comprar pão, seja o trabalhor que regressava tarde da noite depois de uma jornada exaustiva.



Quem foi a praia do Arpoador, Zona Sul - Rio de Janeiro, este final de semana teve a real dimensão do des-preparo da Polícia de Sérgio Cabral, nosso saudoso governador. O Grupo de Operações Táticas, leia-se os mais bem preparados políciais da corporação, aqueles que conseguem imobilizar sequestradores - isso quando não acertam na cabeça das vítimas - dispararam três tiros em um sujeito suspeito, que ameaça banhistas com um "canivete". Não defendendo o "elemento", que tava mais pra malucão, do que para qualquer outra coisa, e que deveria sim, ser detido, levado, penalizado, mas não com sua vida.


Ora, um grupo especializado, com certeza em número superior a "um" - o cara do canivete, conseguiria imobilizar o sujeito sem ter que sujar de sangue as areias da praia lotada e cheia de crianças. O que mais assusta, é a incapacidade de ação, e a opção pela concepção de assassinatos. Cada vez mais, e em plena arena, diga-se areia, para o povo todo ver...


O triste episódio trouxe à tona:

  1. A filosofia do "atirar para matar" da Polícia Militar;
  2. Seu despreparo para agir nestas situações;
  3. A discussão sobre a possibilidade de ampliação no uso de armas não letais, para este tipo de circunstância;
  4. O prognóstico assustador da aprovação de grande parcela da população civil, levantando a máxima de que "ladrão bom, é ladrão morto";


Não podemos deixar de levantar a bandeira dos Direitos Humanos, frente a essa maré "fascista" de limpeza social. Vivemos um ápice da violência, a desigualdade social e de oportunidades se agrava a cada dia. Nosso sistema penitenciário é um fracasso pleno e pouco se discute suas necessárias reformulações. Nossas cadeiais funcionando como pós-graduações para o Crime organizar-se, e lá de dentro os detentos chaves, comandam ações de seus grupos aqui fora. Com dinheiro e bons advogados, conseguem rapidamente suas reduções de pena, e demais flexibilizações que o sistema fornece.


Temos que cuidar nossas crianças, orientá-las, educá-las, alimentá-las, não permitindo que continue a formação de exércitos de bandidos como vemos na maioria dos bairros de periféria espalhados por este país. A bandidagem rola solta, todos sabemos, é cruel e nefasta, mas nossa polícia não pode ser assim também. As corporações devem ser organizadas sob valores, ética, razão. Com melhores salários, mais treinamentos, uma vez que é composta de trabalhadores, pais de família, filhos, que devem ter condições dignas de vida para poderem exercer com plenitude suas funções de manutenção da ordem pública e segurança dos cidadãos, e não evoluirem para uma nova versão, miliciana, de bandidos fardados.

586 cruzes representando policiais mortos na Guerra contra do Tráfico, expostas na Praia de Copacabana


Para o alto escalão da PMERJ o fato citado do Arpoador foi um sucesso. Para boa parcela da nossa Opinião Pública também...

E aí??? é essa a mentalidade que queremos transmitir?

Discutir a raiz do problema é um buraco bem mais embaixo, onde, infelizmente, nem todos querem descer.


Por Graziele Saraiva

09/11/2009

NO MURO DOS OUTROS É REFRESCO

Aproveitando a oportunidade, com todos os holofotes voltados às homenagens dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, por enquanto, tenho apenas essa oportuna colocação à ocasião: NO MURO DO OUTROS É REFRESCO!

O momento de reflexão deveria avaliar a real necessidade, a real discriminação e a real segment
ação social que os muros representam, tanto o de 20 anos atrás como os atuais:
  1. O projeto da prefeitura carioca em cercar as favelas, sob a justificativa de conter o avanço das mesmas.
  2. O "Murinho americano" que divide a fronteira entre México e Estados Unidos, barreira física e "legal" para conter a imigração "ilegal".
  3. O "Muro da Vergonha" que separa a Cisjordânia de Israel, isolando e imobilizando milhares de Palestinos.
  4. O muro de Cuba, o que sofre o embargo americano, e o que não permite a saída de sua população.




Não seria a hora de discutirmos sobre estes
polêmicos e atuais entraves à liberdade,
ou será preciso que se passem muitas décadas
para que estes também sejam considerados
páginas cinzentas de nossa história
?


09/10/2009

FRASE DO ANO

Já que tem Copa em 2014
e Olimpíadas em 2016,
a gente bem que podia enforcar 2015.

17/04/2009

A (RE)VOLTA DA CHIBATA

João Cândido foi o Almirante Negro - líder da revolta da Chibata, movimento de militares da Marinha do Brasil que se rebelaram contra a aplicação de castigos físicos como punição contra eles, em 1910. Em uma carta ele dá o ultimato: "Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já".

Os tempos são outros, mas o teor ainda é o mesmo: a violência. Eu 'e toda a torcida do Flamengo' ficamos chocados com as imagens exibidas pela televisão hoje. Pensei que o tempo dos castigos da escravidão (como o da imagem acima, de Debret) tinha passado. Estava enganada.

As chicotadas que os seguranças da SuperVia deram nos cidadãos embarcados e amontoados nos poucos trens que estavam em funcionamento mostram que sofremos ainda com os mesmos erros do passado. Esse comportamento adotado pela companhia é um retrocesso social. É a prova que o Estado falha, mais uma vez.

O contribuinte acorda de manhã e enfrenta um tumulto para poder ir trabalhar. Greve dos ferroviários e pronto: quem depende dos trens vai sofrer. Centenas de se aglomeram nas estações e lotam os vagões. Trata-se de pessoas que pagaram por aquele serviço, concedido à empresa pelo governo. Ninguém está fazendo nada de errado para ser castigado.

Mais do que os socos e pontapés, os chicotes usados para bater os passageiros são a instituição da barbárie no sistema de transportes. Mais de um agressor possuía o instrumento em mãos. Como (e por quê)? Faz parte do uniforme? Gostaria que o diretor de lá me respondesse. Será que eles tinham carta branca para agir daquela forma?

Confusão sempre vai ter quando houver problemas, greve etc. mas não há justificativa para que pessoas sejam tratadas de tal forma por uma empresa prestadora de um serviço básico como o de transporte. Logo penso na minha teoria de poder e volto a me questionar sobre o porquê de as pessoas tomarem para si certos (podres) poderes.

Por que o porteiro sempre pensa que é dono do prédio?
Deveríamos nos rebelar mais! (e em resposta a tudo!)

Por Vavá Jones
http://vavalindajones.blogspot.com/

17/12/2008

SARAJEVO É BRINCADEIRA AQUI É O RIO DE JANEIRO



....É muito fácil falar de coisas tão belas
de frente pro mar, mas de costas pra favela...


Problemas nos sistemas judicial, prisional e de segurança pública, entre os quais violações sistemáticas dos direitos humanos, contribuíram para os níveis elevados e persistentes de violência criminal. A maioria das dezenas de milhares de mortes causadas por armas de fogo ocorreu nas comunidades mais pobres. Bem mais de mil pessoas foram mortas em confrontos com a polícia, em incidentes classificados como “resistência seguida de morte”, muitas em situações que sugerem o uso excessivo de força ou execuções extrajudiciais. A tortura continuou a ocorrer de forma generalizada e sistemática. O acesso à terra seguiu sendo um foco de violações dos direitos humanos. Houve despejos forçados e ataques violentos contra ativistas rurais, manifestantes contrários à construção de barragens, movimentos de sem-teto e povos indígenas. Muitas pessoas continuaram a trabalhar em condições análogas à escravidão ou sujeitas a servidão por dívida. Os defensores dos direitos humanos continuaram a sofrer ameaças e ataques.



Trecho introdutório do Relatório Anual da Anistia Internacional, onde encontramos um capítulo que fala do Brasil, mais especificamente da violência nas favelas do Rio de Janeiro e São Paulo. Poder paralelo, violações aos direitos humanos por parte da Polícia, chacinas, deterioração do sistema carcerário, mazelas do campo, trabalho escravo, dentre outros.


Para acessá-lo na íntegra:

http://www.br.amnesty.org/docs/air2008brasil.pdf

02/02/2008

CaRiOqUiCeS (xis)


Impossível negar: Aqui as coisas são diferentes!
É perceptível, é fato!

No Rio, as coisas são menos sérias! As roupas são mais leves, as relações interpessoais são mais leves, as comidas são mais leves, talvez seja por isso que se beba tanto choppe?!.... afinal, choppe é mais leve que cerveja; E no fim quase tudo termina em brincadeira...

Reina a informalidade absoluta....

Pra tudo dá-se um jeito, e por falar em jeito, o internacionalmente conhecido jeitinho brasileiro* deve ter nascido ali na Praça General Osório!

Ao mesmo tempo, as coisas são mais intensas...

Se vc dorme um pouco mais que a cama, já desperta com a sensação de que esta perdendo algo, seja a praia, seja a feira, seja o trabalho... Parece um eterno carnaval, se tem a impressão que tá sempre todo mundo de férias, virou até jargão "carioca não trabalha", quase que nem bahiano (brincadeira)....Tá sempre rolando um agito aqui, uma batucada por aí, amigos tomando uma ceva bem ali... ficar parado aqui que não dá.

Essa inqueitude permanente provavelmente se deva ao cenário, e que cenário!

Natureza, Cachoeiras, Praia, Lagoa..... tanto que até se esquece de decorar o calendário dos feriados e feriadões do ano. Porque a gente quando tá longe disso tudo, tem na ponta da língua quando vamos ter o próximo feriado prolongável. Aqui não, dá para dar uma escapadela de vez em quando só pra refrescar, corpo e mente, claro!

Lógico, tem a violência gritando lá em cima e o bicho pegando aqui em baixo, a desigualdade é latente e explícita como em toda cidade grande e subdesenvolvida por natureza. Mas na hora de ir a praia, não é possível segregar, embora alguns ainda insistam nisso... o marzão tá ali, e nele não tem como se colocar pulseirinha de área vip, mistura tudo, preto com branco, rico com pobre, perua com tatuado, bombado com patricinha.... e é esta mistureba que faz do Rio uma cidade ímpar, alegre e cheia de novidades.

Carioquices sempre presentes, refletindo o jeitinho malandro de se levar a vida.

Seja a onibus que pará do nada, atrapalhando o transito só pra perguntar: -Tá indo pra onde? Copacabana! Bóra aí que eu te levo! De graça com direito a descida na esquina de casa e cantoria animada do motorista.
Seja o guardador de carro, que ficou com a chave do mané que tá trancando a rua em fila dupla, pq foi dar um mergulho ali rapidinho, - Só que você terá que manobrar porque eu não dirijo! Ai tu entra no carro do cidadão, que você nunca viu, e que além de deixar a chave com o guardador, que ele também provavelmente nunca tenha visto, deixa uma mochila no banco do carona. Mas não dá nada, rola uma confiança, entende?!
O cartão de crédito não passou: - Não tem problema, leva o presente, e amanhã a gente acerta! Até o capitalismo acaba tendo suas variações.
Os porteiros acabam sabendo mais da nossa vida, do que as nossas mães... pq eles estão sempre ali parados e observantes, sabem tudo de todo mundo, mesmo quando a gente tenta se resguardar...
O Rio é bem legal :)


* Jeitinho é uma forma de navegação social tipicamente brasileira, onde o indivíduo utiliza-se de recursos emocionais – apelo e chantagem emocional, laços emocionais e familiares, etc. – para obter favores para si ou para outrem. No entanto, não deve ser confundido com suborno ou corrupção, é só um jeitinho, é a famosa malandragem... entende?!!
Graziele Saraiva

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