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06/08/2012

Como uma bomba sobre o Japão







A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino
A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

19/01/2012

Uma nova Guerra Fria?

Novas diretrizes do Pentágono para 2012 se voltam para a Ásia

Enquanto a guerra ao terror perde força, uma nova espécie de guerra fria emerge no cenário internacional depois do anúncio feito por Barack Obama, que mira diretamente no Irã e na China, países economicamente importantes no cenário asiático. 

Ao mesmo tempo em que - aumentam as sanções e repúdio internacionais às ações do governo iraniano, principalmente pelo fato da continuidade do seu programa nuclear, o Irã se configura como potência regional no Golfo Pérsico, sabidamente em detrimento da grande produção petroleira - crescem os investimentos chineses na região, situação que não poderia passar desapercebida pelo Governo Obama, que mesmo com todos os problemas internos, com a crise financeira internacional instaurada, se mantem como grande potência militar do mundo.

As já acirradas relações diplomáticas entre EUA e Irã se agravaram com o assassinato do cientista nuclear iraniano há algumas semanas atrás por uma explosão em carro bomba. Obviamente o governo de Mahmoud Ahmadinejad acusou o governo americano de tal ato, ainda mais que o ataque foi similar a outros quatro que aconteceram em Teerã nos últimos anos, o que foi veementemente negado pela Casa Branca (!).

Se estes conflitos diplomáticos, econômicos e políticos se mantiverem, ou se intensificarem, com a potente China se envolvendo diretamente para defesa de seus interesses internos, pode-se sim pensar em uma nova espécie de Guerra Fria.


Mas e frente a crise financeira internacional, estariam as grandes potências preparadas para uma corrida armamentista e para investimentos na área de defesa? E a Europa colapsada vai se posicionar ao lado de quem, caso venha a se configurar um conflito real, ou até mesmo de grandes proporções?


Estas e outras questões foram muito bem abordadas por essa edição do Programa Sem Fronteiras da Globo News, com a visão de diversos especialistas, analisa este incipiente e complexo contexto internacional.



Como o vídeo é de propriedade da Globo News não é possível incorporá-lo aqui, apenas a direção:

O que é SOPA?


20/10/2011

Guerra às Drogas


Dirigido por Fernando Grostein Andrade



O documentário trata do narcotráfico e discute as diversas políticas públicas sobre drogas com depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Dráuzio Varella,  Bill Clinton, Jimmy Carter entre outras personalidades.




COMISSÃO GLOBAL SOBRE DROGAS


Contexto


A Guerra às Drogas lançada pelos EUA a 40 anos atrás fracassou. Políticas proibicionistas baseadas na erradicação, interdição e criminalização do consumo simplesmente não funcionaram. A violência e o crime organizado associado com o tráfico de drogas se mantêm como problemas críticos em nossos países.


A América Latina continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, e está se tornando rapidamente um provedor relevante de ópio e heroína. Hoje, estamos mais distantes que nunca do objetivo de erradicar as drogas. A violência e corrupção associadas ao tráfico de drogas e a políticas ineficazes de combate estão corroendo a cultura cívica e as instituições democráticas.

A Comissão
A Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia (www.drogasedemocracia.org) foi uma iniciativa dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso do Brasil, César Gaviria da Colômbia e Ernesto Zedillo do México. 


Foi composta por 17 personalidades eminentes de diversos países da região. Seu objetivo foi avaliar a eficácia e impacto das políticas de combate às drogas e formular recomendações para políticas mais eficientes, seguras e humanas. A Comissão se propôs a abrir uma ampla discussão sobre o tema, ouvindo especialistas, analisando alternativas e formulando recomendações. Suas propostas foram apresentadas à opinião pública e governos de vários países da região. 


E a voz da América Latina foi ouvida no debate global sobre um problema transnacional que afeta a todos. A experiência bem-sucedida da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia deu origem a mais duas comissões: 
i) A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia; e 
ii) A Comissão Global de Políticas sobre Drogas A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (http://cbdd.org.br) é composta de 28 personalidades de diversos setores da sociedade brasileira que se propõem a refletir sobre a política de drogas no país. A Comissão irá ouvir especialistas das diversas áreas relacionadas ao tema e transmitirá suas conclusões ao Governo, ao Congresso Nacional e à opinião pública. Busca políticas e práticas que sejam mais humanas e mais eficazes no enfrentamento deste grave problema.

A Comissão Global de Políticas sobre Drogas (www.globalcommissionondrugs.org) é formada por 18 membros e tem como objetivo levar à esfera internacional um debate bem-informado, baseado em pesquisas científicas sobre maneiras mais humanas e eficientes de reduzir o dano causado pelas drogas para indivíduos e para as sociedades. Seus principais objetivos são:
1) Revisar a premissa, eficácia e as consequencias da ‘guerra às drogas’
2) Avaliar os riscos e benefícios de diferentes respostas adotadas para se lidar com a questão das drogas
3) Desenvolver recomendações concretas para a reforma de leis e políticas sobre drogas.

Influência no filme
Ao saber da existência da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o cineasta Fernando Grostein Andrade resolveu convidar o ex-presidente para uma jornada em busca de soluções mais humanas e eficazes sobre a questão das drogas. Essa jornada foi registrada no documentário ‘Quebrando o Tabu’.






Guerra às drogas já matou 50 mil mexicanos

Mais de 50 mil mexicanos foram mortos desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra aos traficantes de drogas e colocou o Exército do México, lamentou ontem o ex-presidente Vicente Fox, que junto com os ex-presidentes brasileiro Fernando Henrique Cardoso e colombiano Cesar Gaviria, defende a descriminalização como tentativa de reduzir a violência.

Os gangues aproveitaram a facilidade de comprar armas nos Estados Unidos e investiram parte do lucro obtido no mercado americano para lutar por seus feudos. Até membros de tropas de elite formaram um cartel, Los Zetas, responsável por algumas das piores atrocidades desta guerra suja.

A fronteira também está tomada pelos cartéis, que agora controlam a imigração ilegal. Mesmo assim, a mortalidade por arma de fogo no Brasil é maior do que no México. 



02/08/2011

Capitão América: um herói menos imperialista do que parece


Pesquisador afirma que o personagem foi mais crítico do que incentivador do governo norte-americano nos quadrinhos



Apesar de ganhar proporções internacionais com o lançamento do filme "Capitão América: O Primeiro Vingador", a fama de representar o imperialismo norte-americano sempre esteve associada ao herói, cujo uniforme e nome não deixam dúvidas sobre a sua origem.

O título do longa causou incômodo em alguns países, como Coréia do Sul e China. Na Rússia, a produção estreia apenas como "O Primeiro Vingador".

Nos quadrinhos, Steve Rogers (nome real do herói) provou diversas vezes ser mais crítico ao governo de seu país do que o garoto propaganda criado em 1941, que durante a Segunda Guerra Mundial simbolizou a luta dos Estados Unidos contra o nazismo. E isso tem início ainda nos anos 1940, com o término do conflito que justificou a criação do herói.

"A criação do Capitão América foi uma esperteza de mercado da editora [Timely Comics]. No período, o governo dos EUA incentivou, com descontos em impostos, quem fizesse propaganda ideológica norte-americana", explica o quadrinista e historiador Sávio Queiroz Lima, que pesquisa HQs e suas relações com a história.

Com o fim da Segunda Guerra, os executivos da Timely Comics decidiram suspender as histórias do Capitão América. O personagem retornaria vinte anos mais tarde, quando a editora já era conhecida como Marvel Comics. Em sua "ressurreição", o herói é encontrado congelado e passa a integrar Os Vingadores, equipe formada por nomes como Homem de Ferro e Thor.

Durante a Guerra Fria, o personagem passou a refletir sobre a dificuldade de lidar com mocinhos e bandidos. "Era fácil odiar o nazista, pois ele era um inimigo muito romântico, um cara mau, burocrático. Mas quando ele volta nos anos 1960, descobre que odiar o comunista não tem a mesma facilidade. E o ambiente nos EUA também muda nesse período", afirma Sávio.

Nos anos 1970, desanimado com os escândalos envolvendo o presidente Richard Nixon [o político renunciou ao cargo], Steve Rogers abandonou o uniforme de Capitão América e adotou a identidade de Nômade, herói viajante que testemunhou as mazelas do país em viagens por seu interior.

"O Capitão oscila entre dois universos: a política interna e a externa. Na externa, ele se posiciona como norte-americano, como ocorreu na Segunda Guerra. Mas nos anos 1970 e 1980, ele volta-se à política interna, e critica o próprio Estados Unidos."

De volta ao uniforme tradicional azul, o personagem mergulhou no cotidiano dos guetos de Nova York ao lado do herói negro Falcão - e testemunhou uma América pobre, violenta.

Para Sávio, o período revela a liberdade que os autores tinham dentro da editora para criticar o governo do país. "O herói ganha uma visão mais intimista e passa a questionar os EUA. E ao representar o ideal do homem comum norte-americano, ele passa a vender fácil, pois o público quer alguém que critique o governo."


Pós-11 de Setembro

Em 2001, após a queda das Torres Gêmeas, o Capitão América aparece em algumas histórias enfrentando terroristas. Esse período foi conhecido como Guerra ao Terror. Porém, seus autores evitaram a questão religiosa, não colocando o personagem em luta contra muçulmanos.

"Ele enfrenta terroristas do Oriente Médio, sim, mas com discurso de enfrentar o terror, não o islamismo. Nesse momento, ele se aproxima da propaganda ideológica. Mas a editora nega utilizá-lo no território árabe enfrentando árabes. Ele está sempre em solo americano", diz Sávio.

No final dos anos 2000, surge o arco de histórias conhecido como "Guerra Civil", em que os personagens da Marvel se dividem em dois grupos: o contra e o a favor do registro obrigatório de heróis nos Estados Unidos. E para surpresa de alguns, o líder dos opositores é o Capitão América.

"Existe um momento em que ele prevê que o governo vai dizer para os heróis quem são os vilões. E para ele isso vai contra o altruísmo dos heróis."

Depois da saga, Steve Rogers morre baleado e é substituído por Bucky, seu antigo parceiro que, ao contrário de seu mentor, age de forma mais violenta e agressiva. A mudança traz críticas aos editores - os fãs pedem o retorno de Steve Rogers ao uniforme de Capitão América.

Sobre a postura da Marvel diante da adaptação aos cinemas de um personagem tão emblemático, Sávio afirma: "Qualquer produto americano vende a ideia do que é ser norte-americano, mas como o mercado está ficando plural, o que as empresas fazem com os seus produtos é torná-los mundiais".

15/07/2011

A Doutrina do Choque

The Shock Doutrine

"Um estado de choque não é só o que nos passa quando sucede algo de mal. É o que nos passa quando perdemos nosso ponto de referência. Quando perdemos as nossas vivências, quando nos encontramos desorientados. O que nos mantém orientados, alertas e alheados ao choque é a nossa história."

 

O excelente documentário
A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre,
baseado no livro de Naomi Klein, descreve como a exploração social e econômica do neoliberalismo foi utilizada em catástrofes, guerras e crises financeiras.


Trailler:

Na íntegra:








Entrevista com a autora do livro que originou o documentário,

-  The Shock Doutrine -

O golpe de Pinochet no Chile. 
O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – ainda sem tradução para o português. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’.


O que é exatamente a doutrina do choque?

A doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.

É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de um reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Explique quem é Milton Friedman, a quem ataca energicamente nesse livro?

Bem, ataco Milton Friedman porque é o símbolo da história que estou abordando. Milton Friedman morreu no ano passado. Morreu em 2006. E quando morreu, vimos como o descreveram em tributos pomposos como se fosse provavelmente o intelectual mais importante do período pós-guerra. Não apenas o economista mais importante, mas o intelectual mais importante. E é verdade que se pode construir um argumento contundente nesse sentido. Foi conselheiro de Thatcher, de Nixon, de Reagan, do atual governo Bush. Deu aulas a Donald Rumsfeld no início de sua carreira. Assessorou Pinochet nos anos setenta. Também assessorou o Partido Comunista da China no período chave da reforma ao final dos anos oitenta.
Sendo assim, teve uma influência enorme. Falei outro dia com alguém que o descreveu como o Karl Marx do capitalismo. E acredito que não é uma comparação ruim, mesmo que esteja segura de que Marx não gostaria nem um pouco. Mas foi realmente um popularizador dessas idéias.

Tinha uma visão de sociedade na qual o único papel aceitável para o Estado era o de implementar contratos e proteger fronteiras. Tudo o demais deve ser entregue por completo ao mercado, seja a educação, os parques nacionais, os correios, tudo o que poderia produzir algum lucro. E realmente viu, suponho, que as compras – a compra e a venda – constituem a forma mais elevada de democracia, a forma mais elevada de liberdade. O seu livro mais conhecido é Capitalism and Freedom [Capitalismo e liberdade].

Quando da sua morte no ano passado, percebemos o como essas idéias radicais de livre mercado chegaram a dominar o mundo, de como varreram a antiga União Soviética, a América Latina, a África, de como essas idéias triunfaram durante os últimos trinta e cinco anos. E isso me impressionou muito, porque já estava escrevendo esse livro. Nessas idéias - que tanto se falou quando da morte de Friedman -, nunca ouvimos falar de violência, nunca ouvimos falar de crises e nunca ouvimos falar de choques. Ou seja, a história oficial é de que estas idéias triunfaram porque desejávamos que assim o fosse, que o Muro de Berlim caiu porque as pessoas exigiram ter seus Big Macs junto com a sua democracia. E a história oficial do auge dessa ideologia passa por Margaret Thatcher dizendo: “Não há alternativa”, à Francis Fukuyama afirmando que “a história terminou, o capitalismo e a liberdade caminham juntos”.

Portanto, o que procuro fazer nesse livro é contar a mesma história, a conjuntura crucial nos qual essa ideologia entrou com força, mas re-introduzo a violência, re-introduzo os choques e, digo que existe uma relação entre os massacres, entre as crises, entre os grandes choques e os duros golpes contra vários países e a capacidade de imposição de políticas que são rejeitadas pela grande maioria das pessoas desse planeta.

Você fala de Milton Friedman. Qual a relação com a ‘Escola de Chicago’?

A influência de Milton Friedman provém do seu papel como o popularizador real do que é conhecido como a ‘Escola de Chicago’. Ele foi professor na Universidade de Chicago. Estudou na Universidade de Chicago e na seqüência foi professor nessa instituição. O seu mentor foi um dos economistas mais radicais do livre mercado da nossa época, Friedrich Von Hayek que foi professor na Universidade de Chicago.

A Escola de economia de Chicago representa essa contra-revolução contra o Estado de bem estar social. Nos anos cinqüenta, Harvard e Yale e as oito escolas mais prestigiadas dos EUA estavam dominadas por economistas keynesianos, pessoas como John Kenneth Galbraith, que acreditava que depois da grande depressão, era crucial que a economia funcionasse com uma força moderadora do mercado. E foi a partir daí que nasceu um ‘novo contrato’, a do Estado de bem estar social e tudo isso que faz com que o mercado seja menos brutal e se tenha uma espécie de sistema público de saúde, seguro desemprego, assistência social, etc.

A importância do Departamento de Economia da Universidade de Chicago é que realmente ele foi um instrumento de Wall Street, que financiou muito, muito consideravelmente a Universidade de Chicago. Walter Wriston, o chefe do Citibank era muito amigo de Milton Friedman e a Universidade de Chicago se converteu em uma espécie de ponto de partida da contra-revolução contra o keynesianismo e o novo contrato social com o objetivo de desmanchá-lo.

Qual a relação da Escola de Chicago com o Chile?

Depois da eleição de Salvador Allende, a eleição de um socialista democrático, em 1970, houve um complô para derrubá-lo. Nixon disse genialmente: “Que a economia grite”. E o complô teve numerosos elementos, embargos, etc e finalmente o apoio para o golpe de Pinochet em setembro de 1973. Escutamos muito falar nos ‘Chicago Boys’ no Chile, mas não sabemos detalhes sobre o que foram na realidade.

O que faço no livro é contar esse capítulo da história. (...) Em 11 de setembro de 1973, enquanto os tanques rodavam pelas ruas de Santiago e o palácio presidencial ardia e Salvador Allende era morto, um grupo dos assim chamados ‘Chicagos Boys’, assumia o controle da economia. Economistas chilenos que haviam sido levados para a Universidade de Chicago para estudar com bolsas do governo dos EUA como parte de uma estratégia deliberada para orientar a direita latino-americana.

Tratou-se de um programa ideológico financiado pelo governo dos EUA, parte do que o ex-ministro do exterior chama de “um projeto de transferência ideológica deliberada”, ou seja, levar esses estudantes a uma escola distante, na Universidade de Chicago e doutriná-los num tipo de economia que era marginal nos EUA na época e enviá-los de volta para casa como guerreiros ideológicos.

Falemos do choque no sentido da tortura...

Começo o livro estudando dois laboratórios para a doutrina do choque. Como disse anteriormente, considero que há diferentes formas de choque. Um deles é o choque econômico e o outro o choque corporal, os choques nas pessoas. E nem sempre acontecem juntos, mas estiveram presentes em conjunturas cruciais. Assim que um dos laboratórios para essa doutrina foi a Universidade de Chicago nos anos cinqüenta, quando todos esses economistas latino-americanos foram treinados para se converter em terapeutas do choque econômico. Outro – e não se trata de uma espécie de grandiosa conspiração – foi a Universidade McGill nos anos cinqüenta.

A Universidade McGill foi o ponto de partida para os experimentos que a CIA financiou para aprender sobre tortura. Quero dizer, foi chamado ‘controle da mente’ na época ou ‘lavagem cerebral’. Agora compreendemos, graças ao trabalho de gente como Alfred McCoy, que consta em seu programa que o que realmente pesquisavam nos anos cinqüentas sob o programa MK-ULTRA, foram experimentos de eletrochoques extremos, LSD, PCP, extrema privação sensorial, sobrecarga sensorial, tudo isso que vemos hoje utilizados em Guantánamo e Abu Ghraib. Um manual para desfazer personalidades, para a regressão total de personalidades. (...) McGill realizou parte dos seus experimentos fora dos EUA, porque assim considerava melhor a CIA.

Em Montreal?

Sim. McGill em Montreal. Na época então, o chefe de psiquiatria era um individuo chamado Ewen Cameron. Na realidade se tratava de um cidadão estadunidense. Foi anteriormente chefe da Associação de Psiquiatria Estadunidense. Foi para McGill para ser chefe de psiquiatria e para dirigir um hospital chamado de Allan Memorial Hospital, que era um hospital psiquiátrico. Recebeu financiamento da CIA e transformou o Allan Memorial Hospital em um laboratório extraordinário para o que agora consideramos técnicas alternativas de interrogatório. Dopava os seus pacientes com estranhos coquetéis de drogas, como LSD e PCP. Os fazia dormir, uma espécie de estado de coma durante um mês. Colocou alguns dos seus pacientes em uma situação de privação sensorial extrema e a intenção era que perdessem a idéia de espaço e tempo. Ewen Cameron dizia acreditar que a doença mental poderia ser tratada tomando pacientes adultos e reduzindo-os ao estado infantil. (...) Foi esta a idéia que atraiu a atenção da CIA, a de induzir deliberadamente uma regressão extrema.

Você falou do Chile, falemos do Iraque da privatização da guerra no Iraque - O governo iraquiano anulou a licença da companhia de segurança estadunidense Blackwater.

Esta é uma notícia extraordinária. Quero dizer, é a primeira vez que uma dessas firmas mercenárias é realmente considerada responsável. Como escreveu Jeremy Scahill em seu incrível livro ‘Blackwater: The Rise of the [Word´s] Most Powerful Mercenary Army’, o verdadeiro problema é que nunca houve processos. Essas companhias trabalham em uma ‘zona cinzenta’, ou são boy scouts e nada lhes acontecia. (...) Isso significa que se o governo iraquiano realmente expulsar Blackwater do Iraque, poderia ser um fato e tanto para submeter essas companhias à lei e questionar toda premissa de porque até agora se permitiu que se tivesse lugar este nível de privatização e de ilegalidade.

(...) Algo em que eu penso pela pesquisa que eu fiz para o livro No Logo se entrecruza com esta etapa do capitalismo do desastre em que estamos metidos agora. Rumsfeld [ex-Secretário de Defesa de Bush] aproveitou a revolução de percepção das marcas dos anos noventa, na qual a projeção de marcas corporativas – no sentido do que descrevo em No Logo – em que essas companhias deixaram de produzir produtos e anunciaram que já não produziam produtos, mas produziam marcas, produziam imagens e deixam que outros, terceirizados, façam o trabalho sujo de fabricar as coisas. E essa foi a espécie de revolução na sub-contratação e esse foi o paradigma da corporação ‘vazia’.

Rumsfeld se encaixa nessa tradição. E quando se tornou Secretário de Defesa, agiu como age um novo executivo da nova economia que se viu na tarefa de reestruturações radicais. Mas, o que fez foi adotar essa filosofia da revolução no mundo corporativo e aplicá-la à forças-armadas. (...) essencialmente o papel do exército é criar a percepção de marca, é comercializar, é projetar a imagem de força e dominação no globo – porém sub-contratando cada função, da atenção à saúde – administrando a atenção de saúde aos soldados – à construção de bases militares, que já estava acontecendo durante o governo de Clinton, ao papel que Blackwater desempenha e companhias como DynCorp, que como se sabe, destacou Jeremy, participam realmente em combates.

Comente a destruição do Iraque, do ‘Choque e Pavor’, da terapia econômica do choque de Paul Bremer, o choque da tortura, assim como a junção de todas essas coisas no Iraque.

Como já disse, no Chile, vimos esta fórmula do triplo choque. E eu penso que vemos a mesma fórmula do triplo choque no Iraque. Primeiro foi a invasão, a invasão militar de ‘choque e pavor’ – muitas pessoas pensam no tema apenas como se tratasse de um montão de bombas, um montão de mísseis, mas é realmente uma doutrina psicológica que em si é um crime de guerra, porque se diz que na primeira Guerra do Golfo, o objetivo foi atacar a infraestrutura de Sadam, mas sob uma campanha de ‘choque e pavor’, o objetivo é a sociedade em escala maior. È um princípio da doutrina ‘choque e pavor’.

Agora, o ataque de sociedades em escala maior é castigo coletivo, o que constitui crime de guerra. Não é permitido que os exércitos ataquem às sociedades em escala maior, apenas é permitido que ataquem os exércitos. A doutrina é verdadeiramente surpreendente, porque fala de privação sensorial em escala massiva. Fala de cegar, de cortar os sentidos de toda uma população. E o que vimos durante a invasão, o apagão de luzes, o corte de toda a comunicação, o emudecimento dos telefones e logos os saques, que não acredito que façam parte da estratégia, mas imagino que não fazer nada faz parte da estratégia, porque sabemos que houve uma série de advertências que falava em proteger os museus, as bibliotecas e nada se fez. E depois temos a famosa declaração de Donald Rumsfeld quando foi confrontado com este fato: “Essas coisas passam”.

(...) O objetivo, usando a famosa frase do colunista do New York Times, Thomas Friedman, não é o de construir a nação, mas sim “criar a nação”, que é uma idéia extraordinariamente violenta.

Nova Órleans?

Nova Órleans é um exemplo clássico do que eu chamo de doutrina do choque do capitalismo do desastre porque houve um primeiro choque que foi o alagamento da cidade. E como se sabe, não foi um desastre natural. E a grande ironia do caso é que realmente foi um desastre dessa mesma ideologia de que estávamos falando, o abandono sistemático da esfera pública. Eu penso que cada vez mais vamos ver acontecimentos assim. Quando se têm vinte e cinco anos de contínuo abandono da infra-estrutura pública e do esqueleto do Estado – o sistema de transporte, as estradas, os diques. A sociedade de engenheiros civis estadunidense calculou que colocar em condições o esqueleto do Estado custaria 1,5 bilhões de dólares. Portanto, o que temos é uma espécie de tormenta perfeita, na qual o debilitado Estado frágil se entrecruza com um clima cada vez pior, que diria que também faz parte desse mesmo frenesi ideológico em busca de benefícios a curto prazo e crescimento a curto prazo. E quando estes dois entram em coalizão, vem um desastre. É o que ocorreu em Nova Órleans.

O que a mais horrorizou ao pesquisar a doutrina do choque?

Horrorizou-me o fato que se tem por aí muita literatura que eu não sabia que existia e que os economistas a admitem. Uma quantidade de citações de propugnadores da economia de livre-mercado, todos desde Milton Friedman a John Williamson, que é o homem que cunhou a frase ‘Consenso de Washington’, admitindo entre eles, não em público, mas sim entre eles, como em documentos tecnocráticos, que nunca conseguiram impor uma cirurgia radical do livre-mercado se não acontece uma crise em grande escala, ou seja, as mesmas pessoas que propugnam que o mito central da nossa época, que a democracia e o capitalismo caminho juntos, sabe que se trata de uma mentira e o admitem por escrito.

21/03/2011

01/12/2010

COBERTURAS IMPARCIAIS

Porque não recebem espaço na Mídia as mulheres que são diariamente
enforcadas, apedrejadas, assassinadas na Arábia Saudita??? 
- aliás nunca ouviu-se falar -
Será que é pq a Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e subserviente aos interesses de seu maior aliado os EUA, e não do eixo do mal como o IRÃ? 
Lembrando que a pena de morte também é praticada em diversos estados americanos.
 * * * 

O GLOBO 30/11/2010

Mulher condenada por matar esposa de amante é enforcada no Irã http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/12/01/mulher-condenada-por-matar-esposa-de-amante-enforcada-no-ira-923156734.asp

29/11/2010

Vazamento de dados secretos testa a diplomacia dos EUA








A Casa Branca condenou neste domingo (28) o vazamento de documentos secretos da diplomacia dos Estados Unidos, chamando a ação de "negligente e perigosa”. O Pentágono - que representa o Departamento de Defesa americano - anunciou que já tomou medidas para evitar que a "divulgação ilegal" de arquivos volte a ocorrer.

O Reino Unido já havia se posicionado antes mesmo da publicação dos documentos, ao afirmar que as informações contidas nesse material "podem colocar vidas em risco". De acordo com o jornal espanhol El País, Franco Frattini, ministro das Relações Exteriores da Itália, chegou a declarar que esse "é o 11 de Setembro da diplomacia mundial", em referência à data dos ataques às torres gêmeas nos Estados Unidos. O partido do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, o Povo da Liberdade, afirmou que esse modo de tratar informações é o novo terrorismo.

A divulgação de cerca de 250 mil documentos confidenciais foi promovida pelo site WikiLeaks, uma organização dedicada a expor os segredos oficiais, conduzida supostamente por um ex-analista de inteligência que explorou uma brecha de segurança.

Jornais como El País, o inglês The Guardian, o americano The New York Times, o francês Le Monde, além da revista alemã Der Spiegel, expuseram em suas manchetes dados sobre as relações dos Estados Unidos com outros países.

De acordo com o El País, os documentos revelam dados inéditos sobre os episódios de maior conflito no mundo, mostrando os mecanismos e as fontes da política externa americana e "deixando em evidência suas fraquezas e obsessões".

Os textos contêm comentários e informes elaborados por funcionários dos EUA, com linguagem franca e até dura em relação a outras nações. O jornal espanhol diz ainda que os documentos revelam entrevistas, atividades de espionagem e expõem com detalhes opiniões e dados levantados por fontes em conversas com embaixadores americanos ou funcionários da diplomacia.

Boa parte dos documentos data dos últimos anos, mas o conteúdo geral compreende o período de 1966 a 2010. O New York Times informa que, no arquivo, há comunicações entre o governo federal e mais de 270 representações diplomáticas pelo mundo.

De acordo com a imprensa internacional, na última semana o governo de Barack Obama manteve contato com líderes de países aliados para tentar amortizar o impacto do vazamento de informações em suas relações diplomáticas. A secretária de Estado, Hillary Clinton, ligou na última sexta-feira (26) para dirigentes franceses, afegãos, britânicos e chineses para falar sobre as informações adquiridas pelo WikiLeaks.

Um dos documentos fala sobre uma campanha de inteligência secreta dirigida aos membros da ONU (Organização das Nações Unidas), incluindo o secretário-geral, Ban Ki-moon, e representantes do Conselho de Segurança.

Os Estados Unidos chegaram a pedir aos seus diplomatas, em 2008, que investigassem a possível presença da Al Qaeda e outros "grupos terroristas" islâmicos na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, segundo documentos.

Um dos aspectos que mais chama atenção nos documentos do WikiLeaks é a revelação do que pensam os diplomatas, conhecidos pelo tom politicamente correto de suas declarações públicas, sobre os líderes mundiais.

Um dos documentos diz que o Departamento de Estado americano pediu à embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Em outro texto, um conselheiro presidencial francês, Jean-David Lévitte, diz que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está "louco" e afirma que até mesmo o Brasil não podia apoiá-lo.

Sobre o primeiro-ministro da Itália, são detalhadas suas "festas selvagens". Os documentos também mostram pouco apreço pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, personalidade acompanhada de perto pelas autoridades americanas.

Links

TNNEWS:

PERIODISMO HUMANO

ESTADÃO INTERNACIONAL 

18/08/2010

Justiça da Colômbia suspende acordo militar com os Estados Unidos


Em início de mandato Santos, o novo presidente da Colômbia, busca reestabelecer os laços com os vizinhos sul-americanos, principalmente com Venezuela...


"Acordo permite que americanos utilizem bases na Colômbia"



A Corte Constitucional da Colômbia declarou inconstitucional nesta terça-feira o acordo firmado no final do ano passado entre o governo do ex-presidente Álvaro Uribe e os Estados Unidos que permitiria a tropas americanas o uso de sete bases militares em território colombiano.


O tribunal determinou por seis votos a favor e três contra que a medida deverá ser votada pelo Congresso, suspendendo a vigência do acordo, que teve entre seus elaboradores o atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que era então ministro da Defesa do governo Uribe.


O convênio foi firmado diretamente pelo Executivo colombiano, que argumentou à época que o tratado consistia na extensão de um acordo anterior, assinado nos anos 1950 entre os dois governos.


O presidente do tribunal constitucional, Mauricio González Cuervo, disse que os magistrados discordam dessa interpretação e consideram que o convênio "deveria ter tramitado como um tratado internacional", o que torna obrigatória sua aprovação no Congresso antes que entre em vigor.


"A Corte considerou que, por não ter sido aprovado mediante lei, o acordo não poderá surtir efeito, enquanto não satisfizer essa exigência", afirmou Cuervo em pronunciamento na noite desta terça-feira em Bogotá.


Agora, o acordo deve voltar às mãos da Presidência que, por sua vez, deverá enviá-lo para ser votado no Parlamento.



Acordo

Durante um pronunciamento à imprensa, o presidente da Corte descreveu aspectos do convênio, como a autorização do acesso a militares e civis estrangeiros a bases militares colombianas e à livre circulação de aeronaves e veículos táticos estrangeiros pelo território colombiano, sem possibilidade de controle ou inspeção por autoridades do país.


Devem passar pelo crivo do Congresso também os artigos que dão autorização para uso e porte de armas a tropas estrangeiras e aqueles referentes à imunidade para soldados estrangeiros perante a legislação colombiana.


De acordo com Cuervo, o projeto prevê ainda "cláusulas indeterminadas sobre a extensão e prorrogação do acordo das bases militares".


Este aspecto foi alvo de grandes controvérsias entre alguns líderes sul-americanos, por não deixar claro quais são os limites do acordo e se ele prevê, ou não, ações que extrapolem as fronteiras colombianas.


Pouco depois da decisão do tribunal, o ministro da Defesa da Colômbia, Rodrigo Rivera, leu um comunicado em que o governo afirma que irá acatar a determinação da Corte.


No documento, no entanto, o governo de Juan Manuel Santos "reitera a importância fundamental (da relação) entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos, que se desenvolve há décadas em assuntos de segurança e defesa e particularmente contra o terrorismo".


À época de sua assinatura, o acordo foi visto com preocupação pelo Brasil e demais países da América do Sul e se tornou o pivô de uma crise entre Venezuela e Colômbia.


Claudia Jardim




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