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16/11/2009

O BRASIL DECOLA


A ascensão econômica do Brasil é o tema da capa, de um editorial e de um especial de 14 páginas da edição desta semana da revista britânica The Economist, divulgada nesta quinta-feira.

Intitulado Brazil Takes Off (“O Brasil Decola”, em tradução literal), o editorial afirma que o país parece ter feito sua entrada no cenário mundial, marcada simbolicamente pela escolha do Rio como sede olímpica em 2016.


A revista diz que, se em 2003 a inclusão do Brasil no grupo de emergentes Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) surpreendeu muitos, hoje ela se mostrou acertada, já que o país vem apresentando um desempenho econômico invejável.


A Economist afirma também que o Brasil chega a superar outros Bric. “Ao contrário da China, é uma democracia, ao contrário da Índia, não possui insurgentes, conflitos étnicos, religiosos ou vizinhos hostis. Ao contrário da Rússia, exporta mais que petróleo e armas e trata investidores estrangeiros com respeito.”


O editorial da Economist ressalva também que o país tem problemas que não devem ser subestimados, da corrupção à falta de investimentos na educação e infraestrutura “evidenciados pelo apagão desta semana”.


O especial de 14 páginas, oito reportagens analisam as razões do sucesso econômico brasileiro e seus potenciais riscos.


Separadamente, a revista traz um perfil da ministra Dilma Rousseff e afirma que seu desafio na campanha eleitoral do ano que vem é se mostrar próxima o suficiente de Lula para beneficiar-se de sua influência, mas distante o bastante para mostrar que tem personalidade própria.


A revista traz ainda uma reportagem sobre o caso da universitária Geyse Arruda, expulsa da Uniban e depois readmitida. Para a revista, o episódio mostra que no Brasil a tolerância convive desconfortavelmente com o recato exagerado.


Por Prof Marcos Francioly


18/06/2009

REPARAÇÃO HISTÓRICA

Não há dúvida de que a América Latina trilha novos caminhos na dignidade dos povos e exemplo disso foi a decisão da 39ª assembleia da OEA, Organização dos Estados Americanos, que decidiu anular a decisão de 1962 pela qual Cuba, por pressão dos Estados Unidos, tinha sido expulsa do seu seio. É a história a reescrever-se a si própria.

Independentemente da decisão de Cuba que já anunciou que não tenciona integrar a OEA, tal como é e funciona, não se poderá negar que há sinais de que algo esta mudando. A decisão foi anunciada no término da 39ª assembleia-geral da OEA, realizada na cidade de San Pedro Sula, norte das Honduras, pela voz da sua presidente, Patricia Rodas, chanceler de Honduras, ao declarar que "a resolução adoptada em 31 de Janeiro de 1962, que excluiu Cuba da Organização dos Estados Americanos, fica sem efeito" e que o retorno, de facto, do país à OEA é de livre escolha do governo cubano.

Patricia disse também que a anulação da medida está sustentada pela carta de fundação e por outros elementos de autodeterminação e de direitos humanos que orientam os países membros. Definiu a decisão como uma notícia fundamental e histórica e ressaltou que os povos latino-americanos mais não fazem do que recuperar a dignidade do povo cubano.

Já o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, disse que a OEA fez uma "reparação histórica". "Esta foi uma decisão tomada pelo mérito de nossos chanceleres. Uma decisão tomada por consenso, o que era mais difícil. A OEA está a fazer uma rectificação histórica, que mostra a força do diálogo e das ideias invencíveis. Estamos começando uma nova era de fraternidade e tolerância".

Zelaya ressaltou ainda que "todo o país tem o direito de escolher seu próprio sistema político, económico e social. Isso foi o que o povo cubano fez há mais de quatro décadas, e hoje, depois de bloqueios e ingerências, a OEA faz uma sábia reparação, a Guerra Fria terminou aqui, em San Pedro Sula."

Como não podia deixar de ser os Estados Unidos exigem que a readmissão de Cuba se dê apenas mediante a adequação do regime de Havana aos "princípios democráticos da OEA". Passados estes anos todos e apesar das transformações operadas naquela região Washington não desiste de tentar impor o seu modelo, esquecendo-se que a sua coutada emagreceu, e muito. Esquece-se igualmente que em matéria de direitos humanos será certamente um dos últimos países a poder impor condições.

11/05/2009

A EPIDEMIA DA QUAL NÃO SE FALA

Sem repercussão na mídia, a África Ocidental enfrenta há meses um dos piores surtos de meningite de sua história, com 1.900 mortos e mais de 56.000 casos declarados.

Enquanto a comunidade internacional anda preocupada com as consequencias do vírus H1N1 que matou 44 pessoas e infectou mais de 1.000 em vinte países, a África Ocidental sofre literalmente uma epidemia, que se pode previnir com facilidade, mas que esta matando milhares de africanos.

Não tem um problema de nomenclatura, nem desencadea hostilidades internacionais. Mesmo assim tem causado alertas sanitários no mundo. No entanto, desde os primeiros meses deste ano um grande epidemia de meningite (infecção que afeta as membranas que envolvem o sistema nervoso central) se extendeu por vários países da África. Para combate-la, os Médicos sem Fronteiras (MSF), com a colaboração de diversos Governos, tem posto em marcha uma das maiores campanhas de vacinação da história.

"Sempre há um risco epidemico nesta parte da África, mas este ano a infecção está muito agressiva. Desde 1996 não se havia visto uma tão forte na Nigéria, e se pode dizer o mesno do Niger e Chad", conta Miriam Alia, enfermeira dos MSF que esteve trabalhando nas últimas semanas em nove Estados do norte nigeriano.

O contágio atual é um dos mais graves das últimas décadas. Os ministérios de Saúde do Níger, Nigeria e Chad estão superados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) esta alertando para o seu grau de letalidade. As cifras não são nenhum chuvisco. Hoje são mais de 1.900 mortos pela infecção. Enquanto que com 56.000 casos declarados, o surto se extende por três países, com alto risco de saltar aos demais vizinhos.

Desdobramento histórico

Os Governos locais e MSF tentam pará-lo e estão se molibizando com o maior desdobramento da história na região. Trabalhadores voluntários cooperam em distintas áreas e num ritmo vertiginoso. "Sem tratamento a metade dos infectados morre", alerta a enfermeira dos MSF. Pouco mais de dez anos atrás o pior flagelo de meningite que se recorda no contimente africano acabou com a vida de mais de 25.000 pessoas.

O alerta reside principalmente na falta de acesso as vacinas contra a enfermidade. A Nigéria obriga seus cidadãos a pagar pelo medicamenteo e a maioria dos infectados não tem condições financeiras para tal. E assim como a Nigéria, outros países vizinhos o fazem. Vacinar uma pessoa contra a meningite na África custa aproximadamente um euro. A ong tem chegado a cordo com as autoridades locais para oferecê-las gratuitamente.

"Com a vacina se evita que a pessoa adoeça de meningite, mas não se evita a trasmissão", recorda Olimpia de la Rosa, responsável técnica pelas emergências para MSF. De la Rosa explica que a atual vacina oferece imunidade só por três anos, mas que a partir de 2010 se poderá utilizar uma nova que se alargará por 10 anos. Mas até lá, este 2009 está desimando com uma das partes mais pobres da África.

"Este ano a transmissão foi muito rápida, chegando aos campos de refugiados de Darfur", afirma a responsavél técnica do MSF. A transmissão deste tipo de meningite bacteriana (meningocócica de tipo A) se reproduz de pessoa a pessoa pelo nariz e pela boca. E o ar seco, o pó e o vento irritam a garganta e portanto, explica De la Rosa, esta não atua como barreira. As condições de vida pouco saudáveis aumento o risco de tramissão e infecção.

Para limitar a propagação da epidemia, 270 grupos de MSF trabalham neste projeto de vacinação massiva. Os especialistas calculam que mais de sete milhões de pessoas tenham que recer urgentemente a injeção, aos menos nestes três países, que estão localizados no que vem sendo chamado "Cinturão da Meningite", uma área geográfica que abrange do Senegal até a Etiópia, e que circuscreve uma população de mais de 300 millões de pessoas.

Cada dia, cada uma das 270 equipes médicas chegam a vacinar uns 1.500 homens e mulheres com idades compreendidas entre dos 2 e 30 anos, a populaçã de maior risco. "Trabalhamos em centros sanitários, escolas, em casas particulares, inclusive em lugares religiosos (xamãs), em praças, em baixo de árvores". É um trabalho simples, mas essencial. É a única forma de deter a epidemia ali onde pouco se sabe o que vem acontecendo no México. A África só registrou um caso suspeito da gripe A, na cidade de Ceuta.

Aqui as preocupações são outras: são contra o relógio e sem descanso, para evitar que a conhecida meningite siga destruindo milhares de vidas.

Texto de Fernando Navarro para El País

Tradução e grifos Graziele Saraiva

- E COMO SEMPRE AS CRIANÇAS SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS -

Links:

El País http://www.elpais.com/articulo/internacional/epidemia/habla/elpepuint/20090507elpepuint_3/Tes

Fotogaleria http://www.elpais.com/fotogaleria/Epidemia/meningitis/oeste/Africa/6448-1/elpgal/

Médicos Sem Fronteiras http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=1026

29/04/2009

EPIDEMIA DE LUCROS.... Atchimmmmmmmm....

A nova epidemia de gripe suína, que dia a dia ameaça expandir-se por mais regiões do mundo, não é um fenômeno isolado. É parte da crise generalizada, e tem suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado pelas grandes empresas multinacionais.

No México, as grandes empresas da área de avicultura e suinocultura têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Alca). Um exemplo disso é a empresa Granjas Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, que é a maior criadora de porcos e a maior processadora de produtos suínos no mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China. No entorno de sua unidade em Perote começou,l há algumas semanas, uma virulenta epidemia de doenças respiratórias que afetou 60% da população de La Gloria, fato informado por La Jornada em várias oportunidades, a partir de denúncias dos habitantes locais. Eles conduzem há anos uma dura luta contra a contaminação provocada pela empresa, e inclusive têm sofrido a repressão de autoridades governamentais pelas denúncias. Granjas Carroll declarou que não tem nada a ver com a origem da atual epidemia, alegando que a população tinha uma “gripe comum”. Na dúvida, não fizeram análises para saber exatamente de que vírus se tratava.

Contrastando com isso, as conclusões do painel Pew Comission on Industrial Farm Animal Production (Comissão Pew sobre a Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, principalmente de suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de diferentes cepas. Mencionam inclusive o perigo de recombinação das gripe aviária e suína, e finalmente como se pode chegar à recombinação de vírus que afetem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que, por muitos meios, incluindo a contaminação da água, podem chegar a localidades longínquas, sem aparente contato direto. Um exemplo do que devemos aprender é o surgimento da gripe aviária. Veja, por exemplo, o relatório do GRAIN (ONG que promove o desenvolvimento sustentável e a agricultura ecológica), que ilustra como a indústria da avicultura criou a gripe aviária (http://www.grain.org/front/).

Mas as respostas oficiais, diante da crise atual, além de serem demoradas (esperaram que os EUA anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias valiosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes.

Mais do que enviar linhagens do vírus para sua seqüenciação genômica para cientistas com Craig Venter, que tem enriquecido com a privatização da pesquisa de de seus resultados (sequenciação que certamente já foi feita por pesquisadores de órgãos públicos no Centro de Prevenção de Doenças de Atlanta, EUA), o que é preciso é entender que esse fenômeno vai continuar se repetindo enquanto prosseguirem as condições de criação dessas doenças.

Já na epidemia, são também as multinacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que mopolizam as vacinas e os anti-vírus. O governo mexicano anunciou que tinha um milhão de doses de antígenos para atacar a nova linhagem de vírus da gripe suína, mas nunca informou quanto pagou por elas.

Os únicos anti-virais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do planeta, e são propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: zanamivir, com o nome comercial de Relenza, fabricado por GlaxoSmithKline, e oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences e licenciado de forma exclusiva ao laboratório Roche. A Glaxo e a Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta maiores empresas farmacêuticas em escala mundial e, da mesma forma que com o restante de seus remédios, é nas epidemias que aparecem suas melhores oportunidades de negócios.

Com a gripe aviária, todas elas tiveram centenas de milhões ou bilhões de dólares de lucros. Com o anúncio da nova epidemia no México, as ações da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%, sendo isso somente o começo.

Outra empresa que persegue esse suculento negócio é a Baxter, que solicitou amostras do vírus e anunciou que poderia ter a vacina em 13 semanas. A Baxter, outra indústria farmacêutica global (está em 22° lugar no ranking), teve um “acidente” em sua fábrica na Áustria em fevereiro deste ano. Ela enviou um produto contra a gripe contaminado com vírus da gripe aviária para a Alemanha, Eslovênia e a República Tcheca. Segundo a empresa, “foram erros humanos e problemas no processo”, do qual alega não poder dar detalhes “por que teria que revelar processos patenteados”.

Não necessitamos somente enfrentar a nova epidemia de gripe: é preciso enfrentar também a dos lucros.

Silvia Ribeiro, La Jornada

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"Gripe Suína, Verdadeira emergência global"

A virulência com que o surto de gripe suína se abateu sobre o México, atingindo rapidamente os vizinhos EUA e Canadá e ameaçando converter-se numa pandemia global, surpreendeu a todos os observadores. Embora, possivelemente, ainda levará tempo para se estabelecer com precisão a origem e a trajetória da doença, alguns aspectos relevantes já merecem a devida consideração.

Primeiro, a situação assustadora que se abateu sobre o país literalmente da noite para o dia se gerou nas condições ultrajantes em que o México foi incorporado ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), praticamente na condição de "senzala" do grupo, fornecedor de mão-de-obra barata para segmentos da produção industrial estadunidense (o PIB mexicano corresponde a apenas 4% do total do bloco).

É evidente que quase duas décadas de saque econômico sem qualquer projeto de desenvolvimento industrial, com a quebra da produção agrícola destinada ao consumo interno (incapaz de competir com os produtos subsidiados estadunidenses) e investimentos quase nulos em infra-estrutura física, não poderiam produzir resultado diferente do colapso dos serviços básicos necessários ao bem-estar da população em geral - sanitários, médico-hospitalares, condições de trabalho decente etc. -, deficiências que prejudicam drasticamente a capacidade de resposta do país diante de uma emergência como essa.

O quadro do México deve acender um alerta vermelho, se ainda faltava um, para os problemas causados pela "globalização financeira" das últimas décadas, além de colocar em destaque o fato de que se trata de uma verdadeira emergência ambiental global - ao contrário da insidiosa campanha internacional para combater o suposto aquecimento global antropogênico.

Agora, o membro mais débil do NAFTA se descobre como um país com população subnutrida e acossada por múltiplas enfermidades ambientais. Embora não haja confirmação oficial, sabe-se que a epidemia se originou nos estados de Oaxaca e Vera Cruz. O primeiro é um estado paupérrimo situado na costa do Pacífico, do qual partem muitos das levas de refugiados econômicos que demandam os EUA em busca dos empregos que não encontram no país. O segundo, banhado pelo Golfo do México, tem grandes granjas de criação industrial de suínos e exibe os mais altos índices de brucelose da América Latina, infecção severa oriunda de produtos lácteos não-pasteurizados.O México é também detentor de um dos índices mais altos de leptospirose aguda, para citar apenas algumas enfermidades tipicamente "ambientais".

Por isso, trata-se de uma emergência mundial verdadeira, que apenas pode ser enfrentada a contento com um ativo e estreito processo de coordenação de esforços entre governos nacionais e agências multilaterais, baseado no entendimento de que o problema não se restringe a um único país ou região. Efetivamente, os seus efeitos podem atingir rapidamente grande parte do planeta, tanto com a proliferação da doença como pela irradiação de impactos socioeconômicos, não apenas no México, mas também com a eventual interrupção de fluxos comerciais transfronteiriços, no caso de uma pandemia mais grave. Aliás, o México irá necessitar de ajuda internacional, tanto de forma direta para responder à emergência epidemiológica, como a médio e longo prazo, para restabelecer uma capacidade de infra-estrutura sanitária mínimia necessária para estabilizar a produtividade agroindustial em condições aceitáveis para a população. Essa ajuda deverá considerar os enormes prejuízos decorrentes da paralisação das atividades econômicas em várias áreas do país, principalmente na capital federal - e não deve de forma alguma ser amarrada aos tradicionais condicionantes que usualmente acompanham os empréstimos de órgãos multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em especial, o episódio proporciona uma oportunidade para que o governo dos EUA assuma uma atitude bilateral diferente, contribuindo efetivamente para proporcionar uma solução concreta para o vizinho do sul, pois qualquer agravamento da já deteriorada situação socioeconômica mexicana - devido aos reflexos da crise econômico-financeira e à crise de segurança provocada pela violência do narcotráfico - tende a causar impactos transfronteiriços imediatos e perigosos.

Semelhante iniciativa custaria não mais do que uma pequena fração dos trilionários recursos financeiros consumidos no vão esforço de preservar os "ativos tóxicos" dos bancos estadunidenses tecnicamente falidos.

A experiência adquirida nos últimos anos com epidemias como a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, em inglês) e a gripe aviária melhorou consideravelmente a capacidade de resposta internacional a tais ameaças. Não obstante, isso não foi suficiente para os protagonistas internacionais se comprometessem a sério com o crucial aspecto da disponibilidade dos medicamentos necessários para o combate a variedades de gripe particularmente virulentas. Tanto no caso da gripe aviária de 2006-07 como no da suína atual, ambas parecem reagir apenas a medicamentos controlados pelos grandes laboratórios multinacionais - no caso, o custoso Tamiflu, da suíça Roche -, pelo que já se deveria ter estabelecido a liberação da patente e a sua fabricação como genérico em vários países (como, de resto, é previsto por leis internacionais para casos emergenciais). O problema é que mesmo de posse da fórmula do produto, países dotados de infra-estrutura laboratorial adequada (como o próprio México, China, Índia, Brasil e outros) levariam meses para se iniciar a sua produção. Ou seja, para a crise atual, resta esperar que ela não escape à capacidade de controle e sequer se aproxime da gravidade da epidemia asiática de SARS (2003) ou, pior ainda, da gripe espanhola de 1918-19, que afetou quase a metade da população mundial e causou um número de mortes estimado entre 20 e 40 milhões, em todos os continentes.

Porém, a especulação financeira não tem limites e, em meio à calamidade, as ações da Roche subiram 3,5% após o anúncio da epidemia. Em contrapartida, uma estimativa do Banco Mundial feita no ano passado sugere que uma pandemia de gripe poderia por si só causar um impacto de 3 trilhões de dólares na economia mundial e provocar uma retração de 5% do PIB global. Seguramente, um acordo com a multinacional intermediado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) custaria bem menos.

O conceituado mexicano Ricardo Rocha, do jornal El Universal, deu à sua coluna de 28 de abril o sugestivo título "México doente". "E não se trata unicamente dessa gripe suína e teimosa que se tornou psicose e que revela o tamanho de nossos medos. As doenças da nação são crônicas e já levam muito tempo.

"Evidentemente, a contingência é grave, mas o é mais por nossos órgãos ineficientes, por nossas escleroses múltiplas e pelas feridas tão profundas como as de 1988 ou 2006, que ainda não fecharam [referência às fraudes eleitorais que colocaram Carlos Salinas de Gortari e Felipe Calderón na Presidência da República]. Por isso, o impacto da gripe é ainda maior... No momento, o assassino invisível continua matando mexicanos em áreas crescentes do território. E não há quem possa detê-lo. Uma quarta praga, depois das crises financeira, econômica e social que ainda estamos padecendo. Uma prova de fogo para nossos governos. Uma epidemia de efeitos devastadores, sobretudo para os mais pobres. E é que este país, desde há muito tempo, está muito doente."

Diante dos prejuízos imediatos experimentados pela suinocultura em vários países, representantes do setor, inclusive brasileiros, estão sugerindo à OMS a mudança do nome da enfermidade para "gripe mexicana". Por sua vez, funcionários da agência preferem a denominação "gripe da América do Norte". Talvez o mais apropriado fosse denominá-la "gripe do NAFTA".

MSIA.ORG/29 de abril de 2009


Fontes:

http://www.jornada.unam.mx/2009/04/30/index.php

http://www.grain.org/principal/

http://www.msia.org.br/

15/04/2009

AS GUERRAS E AS MENTIRAS MIDIÁTICAS

Já faz algum tempo que guardei este material, e antes que ele ser perca de vez, posta-lo-ei!
Trata-se de um artigo de Michel Colon, adaptado por Mello (http://blogdomello.blogspot.com/2008/05/dez-guerras-dez-mentiras-miditicas.html)
Como foi escrito em 2008, a invasão à Gaza não foi elencada, mas serve como uma luva a nossa décima posição.



Cada guerra é precedida por uma mentira dos meios de comunicação de massa.


(...) Recordemos simplesmente quantas vezes os mesmos Estados Unidos e os mesmos meios já nos manipularam. Cada grande guerra se “justifica” pelo que mais tarde (demasiado tarde) aparecerá como uma simples desinformação. Um rápido inventário:


1) Vietnã (1964-1975)
Mentira midiática: Nos dias 2 e 3 de agosto o Vietnã do Norte teria atacado dois barcos dos Estados Unidos na baía de Tonkin.
O que se saberá mais tarde: Esse ataque não aconteceu. Foi uma invenção da Casa Branca.
Verdadeiro objetivo: Impedir a independência de Vietnã e manter o domínio dos Estados Unidos na região
Conseqüências: Milhões de vítimas, malformações genéticas (agente laranja), enormes problemas sociais.


2) Granada (1983)
Mentira midiática:: A pequena ilha do Caribe foi acusada de que nela se construía uma base militar soviética e de trazer perigo à vida de médicos americanos.
O que se saberá mais tarde: Absolutamente falso. O Presidente Reagan inventou esses pretextos.
Verdadeiro objetivo: Impedir as reformas sociais e democráticas do premiê Bishop (depois assassinado)
Conseqüências: Brutal repressão e restabelecimento da tutela de Washington.


3) Panamá (1989)
Mentira midiática: A invasão tinha o objetivo de prender o presidente Noriega por tráfico de drogas.
O que se saberá mais tarde: Formado pela CIA o presidente Noriega reclamava a soberania ao fim do acordo do canal, o que era intolerável para os Estados Unidos.
Verdadeiro objetivo: Manter o controle dos Estados Unidos sobre essa estratégica via de comunicação.
Conseqüências: Os bombardeios dos Estados Unidos mataram entre 2 e 4 mil civis, ignorados pelos meios.


4) Iraque (1991)
Mentira midiática: Os iraquianos teriam destruído parte da maternidade da cidade de Kuwait.
O que se saberá mais tarde: Invenção total da agência publicitária Hill e Knowlton, paga pelo emir de Kuwait.
Verdadeiro objetivo: Impedir que o Oriente Médio resista a Israel e se comporte com independência em relação aos Estados Unidos.
Conseqüências: Inumeráveis vítimas da guerra, depois um longo embargo, inclusive de medicamentos.


5) Somália (1993)
Mentira midiática: O senhor Kouchner aparece na cena como herói de uma intervenção humanitária.
O que se saberá mais tarde: Quatro sociedades americanas tinham comprado uma quarta parte do subsolo somali, rico em petróleo.
Verdadeiro objetivo: Controlar uma região militarmente estratégica.
Conseqüências: Não conseguindo controlar a região os Estados Unidos a manterão num prolongado caos.


6) Bósnia (1992-1995)
Mentira midiática: A empresa americana Ruder Finn e Bernard Kouchner divulga a existência de campos de extermínio sérvios.
O que se saberá mais tarde: Ruder Finn e Kouchner mentiram. Eram apenas campos de prisioneiros. O presidente muçulmano Izetbegovic o admitiu.
Verdadeiro objetivo: Quebrar uma Iugoslávia demasiado esquerdista, eliminar seu sistema social, submeter a zona às multinacionais, controlar o Danúbio e as estratégicas rotas dos Bálcãs.
Conseqüências: Quatro atrozes anos de guerra para todas as nacionalidades (muçulmanos, sérvios, croatas). Provocada por Berlin, prolongada por Washington.


7) Iugoslávia (1999)
Mentira midiática: Os sérvios cometem um genocídio contra os albaneses do Kosovo.
O que se saberá mais tarde: Pura e simples invenção da OTAN como o reconheceu Jaime Shea, seu porta-voz oficial.
Verdadeiro objetivo: Impor o domínio da OTAN nos Bálcãs e sua transformação em polícia do mundo. Instalar uma base militar americana no Kosovo.
Conseqüências: Duas mil vítimas dos bombardeios da OTAN. Limpeza étnica de Kosovo pelo UCK, protegido pela OTAN.


8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.


9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.



Nossa 10ª posição vai para..... uma guerra, que como todos sabemos não aconteceu!

E agora frente a nova política externa proposta por Barack Obama, é bem provável que não aconteça mesmo... mas não desmerecendo o texto e análise feita, ela está aqui entre as "mentiras midiáticas" que assistimos diariamente, encobertadas entre as manchetes de nossos grandes meios de comunicação:


10) VenezuelaEquador (2009 ???)
Mentira midiática: Chávez apoiaria o terrorismo, importaria armas, seria um ditador (o pretexto definitivo parece não ter sido escolhido ainda).
Verdadeiro objetivo: As multinacionais querem seguir com o controle petroleiro e de outras riquezas de toda América Latina, temem a libertação social e democrática do continente.
Conseqüências: Washington empreende uma guerra global contra o continente: golpes de estado, sabotagens econômicas, chantagens, estabelecimento de bases militares próximas às riquezas naturais.


03/04/2009

G20 e os "ANTIGLOBALIZAÇÃO"




Não é de agora que o movimento dito, antiglobalização* ganha as manchetes mundiais. Primeiramente em Seatle, depois Gênova, Porto Alegre (...) e agora Londres. Aos poucos tais concentrações, que não se restringem a manifestações em frente a cúpulas de Estado, ganharam força e visibilidade internacional.

A imprensa - dado o volume e magnitude destas mobilizações - não tem mais como ignorá-las. Vem prestando mais atenção nestes barulhentos ativistas e de uma maneira, digamos, positiva, tem dado uma maior importância, sem mais basicamente denominá-los "baderneiros" ou dotando-os de outros adjetivos pejorativos.

Porquê? Porque acima de tudo, eles representam a opinião pública mundial.

Em sua maioria, espalharam pelas ruas de Londres, extremamente blindadas por um inédito esquema de segurança, passeatas pacíficas. Mas dado o número de participantes, pluralidade ideológica e aos ânimos exaltados de alguns, inevitavelmente teve seus momentos de enfrentamento, violência e depredações. Como qualquer outra manifestação popular, em qualquer lugar do planeta.

Por trás de toda agitação, trazem consigo uma diversidade de reclames e propostas, mostrando ao mundo, e aproveitando-se destes momentos de aglutinação midiática - causada pelo encontro dos principais líderes mundiais, para explicitarem suas insatisfações, que inevitavelmente tendem a ser acentuadas em momentos de crise.

Crise essa que se manifesta em escala global, como a da década de 30, e que mais uma vez mostra ao mundo que a forma com a qual os grandes países (leia-se ricos, desenvolvidos) e os grandes bancos (cujos grandes diretores, os famigerados banqueiros, acumularam cifras incalculáveis nos últimos anos) conduzem a economia e todo o sistema financeiro internacional em pról de seus lucros e acumulação pessoais e corporativistas, não refletindo os anseios e necessidades da maior parte da população do planeta.

O encontro do G20, teve direito a banquete feito pelo chef pop-star Jamie Oliver, famoso por descomplicar a culinária, exatamente o que queriam os organizadores do evento: ingredientes simples para desenrolar este complexo emaranhando gerado pela crise.

Prometeram boas idéias e soluções para salvar o mundo do colapso financeiro gerado pela economia norte-americana, que acostumada ao excesso de consumo, comprou... comprou
... comprou... e na hora em que a conta chegou... quebrou... quebrou!

Incontestávelmente os Estados Unidos são os grandes responsáveis por este enorme abacaxi, e graças ao carismático e boa praça presidente Obama, a coisa não ficou muito pior. Sua capacidade de negociar, de assumir as falhas e propor novas alternativas, parece dar um fôlego a mais a todos os grandes chefes.

Em momento histórico e numa tentativa e de reerguer o FMI, os países membros do G20, dentre eles o Brasil / ponto para a política externa do Governo Lula, prometeram apertar o cerco aos paraísos fiscais e injetar 1 trilhão no Fundo Monetário Internacional, no intuito de ajudar países pobres a sair da crise...Veremos nas cenas dos próximos capítulos se o projeto vai vingar...

Os elogios de Obama à Lula, por mais legais que possam parecer, denotam o que pode vir por aí, um apoio a mais e uma aproximação com o Brasil em um momento em que parte da América Latina esta promovendo uma ruptura com as diretrizes do capital, e tentando um reformulação política, nos moldes da Revolução Bolivariana, proposta por Chavez. Neste contexto, o Brasil se configuraria como o grande líder latino-americano e de certa forma, contrabalanciaria esta tendência "revolucionária" que tanto assusta aos estadunidenses.

Fica a questão:
O Lula é o Cara, ou não é?!!!

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* O termo "antiglobalização" parece-me um tanto quanto controverso, mas, foi denominado assim por designar os que
se opõem aos aspectos capitalistas-liberais da globalização. Não que sejam contrários a uma globalização, mas não nos ditames específicos do Capital. E sim econômicos - no que tange uma melhor distribuição das riquezas, mas também cultural - miscigenação dos povos e culturas, ecológico - no sentido de todos trabalharem juntos para salvar o planeta das mazelas geradas por este sistema produtivo destruidor; procurando globalizar valores que venham a ajudar a nos tornarmos seres humanos mais humanos e menos mercadológicos.
...é... "O capitalismo não esta funcionando" ....

Por Grazi

12/02/2009

Racismo e Xenofobia na Europa

Em épocas de crise, cada um quer salvar o seu!

Este racícionio, de certa maneira, nos ajuda a entender a crescente onda de manifestações de racismo e xenofobia no continente europeu, que esta tornando-se cada vez mais "segregador".

Fora a crise econômica que assola o mundo hoje, temos um histórico recente de fatores que também explicam este crescimento, que é a chamada "luta antiterrorista", da qual podemos extrair muitas das raízes desta intolerância implícitas nas diretrizes destas leis anti-terror. "A intensificação do clima de hostilidade" contra muçulmanos e o anti-semitismo são cada vez mais freqüentes em países como França e Alemanha.

O relatório anual da Comissão contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) revelou o crescimento do racismo e da xenofobia na Europa contra imigrantes, negros, ciganos, latinos, muçulmanos e judeus. Muitos são barrados em aeroportos, restaurantes, shoppings ou até mesmo abordados em parques públicos por serem considerados suspeitos devido à cor da pele ou por causa de seus costumes.


Em contraponto - a globalização - que nos propicia uma maior mobilidade em todos os sentidos, deveria desenhar no horizonte um grande momento de miscigenação, acima de tudo cultural, entre os povos, mas o que temos assistido são crescentes ondas de discriminação, intolerância e violência.

Muitos são os argumentos levantados por aqueles que defendem que seus países mantenham-se fechados aos imigrantes, preservando os direitos civis e os seus empregos. Esta visão conservadora e até mesmo retrógrada é refletida diretamente na escolha dos seus líderes políticos neste início de século XIX e na expansão da violência de grupos racistas e xenófagos. As campanhas "contra" e as leis de imigração se tornam cada vez mais duras na Europa.

Não é de agora que se explicitam no Velho Continente manifestações claras de preconceito, a existência de um grande número de adeptos aos movimentos , na sua maioria jovens e em geral violentos, como os nazi-fascistas e/ou neo-nazistas, exemplificam muito bem isso. A discriminação extrapola todos os limites. Casos de agressão e mortes também são freqüentes, como na Rússia, onde muitos estudantes vindos da África são linchados e mortos por grupos neonazistas.

O aumento da intolerância, seja ela racial, étnica, religiosa, política e até mesmo economica, tem crescido assustadoramente. Hoje os principais impactados na Europa são os imigrantes, sejam estes legais ou não. Representam de certa forma uma ameaça ao emprego do cidadão europeu e fomentados pelos discursos nacionalistas dos partidos de direita e extrema-direita, em crescente ascenção ao poder, colaboram ao argumento de restrição e até mesmo eliminação destes do seu convívio social.
Em geral, os imigrantes são acusados de serem os responsáveis pelo aumento do desemprego, da violência e dos gastos públicos: uma campanha fascistóide dos governos para justificar a crise do regime capitalista, jogando a culpa para os mais oprimidos.

Na França de Sarcozy agora é lei que os médicos e enfermeiros denunciem pacientes ilegais, atendidos e/ou hospitalizados, aos setores de imigração do Estado.
Na Itália
de Berlusconi, dirigente com fortes traços fascistas, são crescentes as manifestações de "A Itália para os Italianos".
Na Espanha no último domingo naufragou a poucos metros da costa, uma embarcação que vinha da África, morreram à deriva 21 pessoas, 16 delas tinham entre 4 e 17 anos, até ontem nenhuma manchete de capa nos principais jornais espanhóis. Ignorar para melhor viver!*
Na Suíça, o partido ultra-consevador UDC, lançou a campanha "Para criar segurança" ... chute a ovelha negra pra fora! que lindo...



É deveras preocupante o clima negativo na opinião pública em relação às minorias, alimentado por setores da mídia e também pela utilização de argumentos racistas e xenófobos no discurso político.

O que esperar? Como resolver?
É necessário um debate lúcido entre todos, e que todas as violências praticadas contra os não-europeus, assim como aos não-estadunidenses, sejam explícitadas pela grande mídia de forma ao menos, balançar as consciências da opinião pública internacional frente a esta nova forma de bárbarie que estamos assitindo.

Tanto na Europa como nos EUA, os imigrantes e os trabalhadores negros e latinos representam a base de toda a força de trabalho, sendo a pilar fundamental de sustentação da economia. São estes imigrantes que se submetem àqueles empregos que um cidadão europeu ou norte-americano branco já não precisam e portanto não se submetem mais - em parte pelo baixo salário ou pela baixa qualificação do emprego.

As legislações recentemente aprovadas, relacionadas à situação dos imigrantes, são de cunho nacionalista ou protecionista?
Em que medida estas contribuem aos diferentes graus de preconceito no seio da sociedade civil?

Está na hora de os "ocidentais" reverem seus valores, repensarem suas atidudes, repensarem a escolha de seus representantes, afinal, o que disso tudo,
poderá ser positivo para as futuras gerações de europeus?????



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* Escreveu a respeito Patricia Simón em http://periodistasenguerra.blogspot.com/

"Hoy deberíamos estar todos de luto. Hoy deberían cerrarse los comercios, apagar las televisiones y las radios, no cantar, no reir, no comer y, por supuesto, prohibido soñar. Hoy deberíamos no poder parar de llorar. Hoy, y casi cada día, nos debería dar vergüenza estar rodeados por un mar que está sirviendo de fosa común a Europa. Algún día, tendremos que pedir perdón ante los ojos de la historia y las generaciones venideras por haber sido artífices de un genocidio, el genocidio del continente africano al que, en su huida, nosotros no ponemos más que muros. Y qué bueno que tenemos un océano de por medio que nos hace el trabajo sucio sin tener que mancharnos las manos de sangre."


03/02/2009

A Revolução Islâmica




Há exatos 30 anos o Irã
realizava a sua ruptura
com o Ocidente,
sacudindo o Tabuleiro Mundial.



A partir de então, passaram a se configurar como a grande
pedra no sapato dos estadunidenses.

Hoje, o Irã tem uma representatividade
e influência muito grandes no mundo árabe,
e para o ocidente são,
não só uma ameaça geopolítica,
mas nuclear e terrorista.





Do ponto de vista geopolítico, estão localizados no epicentro dos maiores conflitos da contemporaniedade, fazem fronteira com o Iraque, com o Afeganistão, com o Paquistão e muito próximos dos territórios palestinos ocupados por Israel - seu principal inimigo ao lado dos EUA.


A Revolução Islâmica proclamada em 1979 com o retorno do aiatolá Khomeini do exílio de 15 anos, decretou o fim do regime monárquico marcado pela corrupção e nepotismo, liderado pelo último Xá da Pérsia, Reza Pahlevi - monarca pró-ocidente, que estava abrindo a sociedade iraniana aos valores ocidentais, na mesma proporção em que aumentava a opressão do regime político. Manisfestações populares e crise econômica ligadas aos altos e baixos do preço do petróleo no mercado mundial, ajudaram a enfraquecer o regime dos Xás.

O crescimento da rivalidade islâmica que se opôs a ocidentalização do Irã, via em Khomeini, clérigo xiita, o promotor da Revolução e sobre os gritos de "somos todos seus soldados" milhares de militantes islâmicos partidários ao regime dos aiatolás o saudaram no aeroporto internacional de Teerã, quando do seu regresso em fevereiro de 1979. Desde então, todos os anos, escolas, meios de transporte e repartições públicas tocam seus sinos e buzinas às 09h33 locais, horário em que pousou o avião da Airfrance no qual ele retornava há 30 anos.

Tinha início a Revolução Islâmica com o objetivo maior de resgate as tradições religiosas muçulmanas que estavam sendo corrompidas pelos costumes ocidentais, sendo banidos do país vestimentas como a mini-saia, maquiagens, música, jogos, cinema, reintroduzidos os castigos corporais para quem violasse os preceitos da sharia (adultério, consumo de álcool...), perseguição e assassinatos dos opositores do novo regime - fossem eles religiosos (judeus por exemplo), políticos (marxistas), prostitutas, homossexuais... Em suma, perseguição política, uma maior opressão as mulheres e o corte de relações com EUA.


A Revolução Islâmica do Irã começou como um movimento
popular pela democratização e terminou
com a criação do primeiro Estado islâmico.
O episódio transformou completamente a estrutura social do país
e foi um dos momentos que marcaram o século 20.


Khomeini foi escolhido como perpétuo líder supremo político e religioso do Irã, é reverenciado em todo o país e em grande parte do mundo muçulmano ainda hoje.

Três décadas após, o Irã tem um presidente laico e ultra-conservador, Mahmoud Ahmadinejad, personalidade marcante que defende um projeto nuclear audacioso, mantém um exército bem estruturado e propaga discursos nacionalistas e radicais, ao mesmo tempo em que estreita as relações diplomáticas de seu país com os principais países definidos como "eixo do mal" pelo governo do ex-presidente norte-americano George W. Bush, como Coreia do Norte, Cuba e Líbia por exemplo, sem falar na Venezuela, o atual calcanhar de aquiles na América Latina.


Podemos dizer que mais do que nunca, a Revolução Islâmica atravessa um momento histórico crucial, didivida entre os apoiadores e os que contestam o regime, defendendo que hoje as reinvindicações são diferentes das dos anos idos, querendo olhar para o futuro de forma mais livre, o que não deixa de ter relação com o Ocidente.

O presidente Barack Obama já declarou sua intenção em rever as relações com o Irã, as quais foram desfeitas em 1980 quando mais de 50 americanos, funcionários da embaixada do país em Teerã foram sequestrados e mantidos em cárcere por quase 500 dias.

O futuro dos iranianos é uma incógnita, o referido diálogo EUA - IRÃ é possível de acontecer nos próximos meses, mas não podemos esperar que deste, venhamos a ter de pronto, um novo posicionamento político na região, assim como no grande tabuleiro das relações internacionais, dado o imenso oceano que separam estes dois mundos, diferentes até no calendário - uma vez que nós ocidentais utilizamos o solar e os persas, de acordo com seu almanaque, o lunar.

Graziele Saraiva

26/01/2009

Não ao choque de civilizações

Periodistas en Guerra

.

"En época de mentiras, contar la verdad

se convierte en un acto revolucionario"

(George Orwell)



Nada mais oportuno, dadas as atuais circunstâncias:
- Internet ajuda a furar bloqueio midiático imposto por Israel
- Israel proibiu a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, mas isso não vem impedindo que as imagens do massacre contra a população civil de Gaza circulem diariamente pelo mundo.


Em meio ao alvoroço noticialesco causado pela invasão em Gaza e na busca de fontes alternativas de informação, que não a imprensa oficial, leia-se Reuters, Associated Press, BBC`s e companhias limitadas... Muito naveguei por blogs, sites oficiais de Organizações Não Governamentais, como Cruz Vermelha, Anistia Internacional e o próprio site da Onu, dentre outros vários , além óbvio, de páginas de mídia alternativa daqui e de fora... muitas descobertas boas, dentre elas os "Periodistas en Guerra".

O blog http://periodistasenguerra.blogspot.com/ é formado por um grupo de jornalistas espanhóis, a maioria correspondentes em áreas de conflito e ativistas políticos.

Sua bandeira:
" El deber del periodista es ir a donde esta el silencio!
Dar voz a quien ha sido olvidado, abandonado y golpeado."


Fazendo uma referência a citação da repórter americana Amy Gooldman, já elogiada por Noam Chomsky e Michael Moore. Amy mantém um programa de rádio e tv , chamado "Democracy Now!" e destacou-se como uma das maiores opositoras dos excessos cometidos pela adminstração Bush e pelas grandes Coorporações Financeiras.

Defendem o papel dos jornalistas e sua independência frente a verdade.

"Creemos firmemente que la independencia
de los periodistas es vital
para la sociedad y que el periodismo
es un servicio público a los ciudadanos
que no puede estar sometido
a intereses políticos o económicos. . .
"

Nele postam notícias, vídeos e fotografias inéditas, sem cortes e diretas do "front" , além de participarem de manisfestos em pról dos Direitos Humanos, e denunciarem abusos e "furos de reportagem" de primeira linha, como o publicado hoje, onde noticiam que :


"Israel esta orientando os seus militares e evitarem viajar à Espanha e a outros países,
por receio de serem detidos por crimes de guerra."


***

Vale a pena acompanhá-los,
realizam um trabalho digno, verdadeiro e acima de tudo esclarecedor,
daqueles difíceis de se encontrar nos dias de hoje,
onde 5 Agências de Notícias
dominam o que será divulgado ao mundo todo!

.
.

21/01/2009

A Era da Responsabilidade



Com um discurso forte e cheio de símbolos, tomou posse ontem em Washington, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos da América, Barack Hussein Obama.

Inaugurando a Era da Responsabilidade*, assume a presidencia da nação mais poderosa do mundo, com os maiores desafios da história recente: grande crise financeira; economia interna desestabilizada; guerras no Oriente Médio; desigualdades, epidemias e guerras civis da África - tão esperansoza como jamais esteve antes, dadas as raízes em comum com o grande novo líder; dentre muitos outros desafios...

Apelando à esperança e à responsabilidade de todos os cidadãos, enfatizando que a "América" continuará a ser o país mais próspero e poderoso da terra, criticando diretamente os que defendem a "o declínio do império americano", e mandando uma mensagem conciliadora ao mundo muçulmano "buscaremos um caminho baseado em interesse e respeito mútuos", discursou em frente a quase 2 milhões de pessoas, sendo a maioria afro descendentes, na gélida tarde de ontem. A cerimônia foi coberta pelos principais veículos de notícias do mundo e trasmitida aos quatro cantos com ares de grande show da democracia.

Hoje, em seu primeiro dia de trabalho, já anuncia a suspensão dos julgamentos da controversa prisão de Guantánamo em Cuba - Cumprindo Promessa de Campanha = Ponto pra ele!

Mas muita calma nessa hora, assim como sintetizou Fernando Canzian para a Folha de SP:

A posse de Obama só mostrou mais uma vez que o espírito humano não muda. É ingênuo e crédulo por natureza em qualquer "salvador da pátria"que se apresente com um verniz mais brilhante e cercado de boas intenções.

OK, Obama é jovem, sereno e inteligente --e substitui Bush, o que já é grande coisa.É também o primeiro negro a ocupar o cargo, e isso merece comemoração,especialmente da maioria negra (foi essa a impressão) que foi ao Washington Mall homenagea-lo.

Mas quando as expectativas são tão imensas, a decepção pode ser ainda maior.

Logo, devemos comemorar sim, comemorar que saímos dos mesmos, que algo novo se desenha e se desenha mais humano, comemorar o primeiro negro no poder de um dos países que mais sofreu de racismo e segregação racial.

Mas vangloriar a posse como "grande festa da democracia", alto lá!

Democracia são direitos iguais, oportunidades iguais, eleições limpas, direito a voz, a veto, de não intervenção, democracia é colocar-se no lugar do outro, ouvir o diferente, pensar o outro, pensar o todo...

Não podemos restringir a Democracia, grande mestra da nossa Era, à Obama Pop Shows...

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* Por definição "Era" é uma unidade de tempo, é um período,
Nos remete automaticamente à Eric Hobsbawn - Cujas principais obras são: a Era das Revoluções, a Era do Capital, a Era dos Impérios e a Era dos Extremos (século XX).

Hobsbawn é Historiador, inglês, marxista, considerado por muitos, um dos mais lúcidos pesquisadores da atualidade em atividade e reconhecimento internacional Seus livros, de leitura obrigatória para qualquer interessado na história do mundo contemporâneo, trazem de forma lúcida e de fácil compreensão dados, sínteses e conclusões de suas mais ricas análises acerca da história política, econômica e social dos últimos séculos.


Será a Era da Responsabilidade, citada por Obama,
o esboço do que virá a ser este início de século XXI????


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PS: Enquanto isso.... nosso amigo Bush despede-se em grande estilo - entrou tropeçando - no avião presidencial que o levaria ao seu merecido descanso em seu rancho no Texas...


Links:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/fernandocanzian/ult1470u492535.shtml

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Discurso/inaugural/presidente/Barack/Obama/espanol/elpepuint/20090120elpepuint_16/Tes
Graziele Saraiva
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