15/01/2009

Convite

Bota-fora do BUSH !!!


Dia 19/01/2009

Local: Faixa de Gaza


Convidados Especiais: Ministro da Defesa de Israel - Ehud Barak e
a Chanceler - Tzipi Livni

DJ: Condoleezza Rice, mixando o estilo "chorinho de criança palestina" com o "Drum and Bass Explosion"

Encerramento: Espetáculo de luzes com foguetes Qassam


ACESSEM O SITE, É MUITO ENGRAÇADO...Tem posters e flyers para divulgação do evento, lista de drinks sugeridos,
como o
BLACK GOLD - "Oscuro pero tentador, destilado en auténticos pozos perforados. A George ¡es que le chifla!, a veces pensamos que sería capaz de todo por poquito más."
Além de todo o material que vc necessitará para fazer a decoração festiva e temática do ambiente, máscaras de personalidades marcantes da Era Bush,
chapéuzinhos de aniversário e camisetas com as melhores frases do homenageado,
tudo para que vc e seus convidados divirtam-se para valer:

http://bushbyebyeparty.com/home.html


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Agora falando sério, Absurdo dos Absurdos, Número de mortos:

Palestinos: 1.000 (mais da metade entre mulheres e crianças)

Israelenses: 13 (10 militares + 3 civis)


Fonte: Reuters Brasil - 14/01/2008

13/01/2009

GAZA III: Pelo fim do massacre


Assine a petição abaixo pedindo uma forte ação internacional que possibilite um cessar-fogo imediato em Gaza e que passos sérios sejam tomados para garantir um paz justa e duradoura na região.
Nossa mensagem já está chamando a atenção e agora a petição será publicada no jornal The Washington Post e entregue para representantes do Conselho de Segurança da ONU esta semana.

Para assinar, acesse:
http://www.avaaz.org/es/gaza_time_for_peace/

GAZA II

ISOLAMENTO

Israel alegou autodefesa para atacar a densa faixa de Gaza, foi apoiado pelos EUA e condenado mundo afora pela "reação desproporcional". Com a morte de líderes do Hamas e de mais de 800 palestinos (mais de duas centenas de crianças), é hora de recuar.

Em guerras, perdem-se vidas, armamentos, infraestrutura, bilhões de dólares e, muitas vezes, amor-próprio. Mas Israel está jogando fora algo mais: a sua imagem.

Ao explodir uma escola da ONU, um caminhão de suprimentos da organização e provavelmente um abrigo para onde atraía cem civis, Israel permite a suspeita de que não apenas combate um inimigo, mas perdeu o controle do próprio ódio. E mais: ao confrontar a ONU, confronta o mundo. Isola-se.

Em entrevista ao "Guardian", jornal inglês, a alta-comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, defendeu que o Exército de Israel seja julgado por "crimes de guerra". A guerra acaba, mais cedo ou mais tarde, mas o julgamento, sobretudo moral, continua.

É importante defender o direito de existir do Estado de Israel e não cabe a comparação ofensiva entre as ações israelenses de hoje e os massacres nazistas de ontem contra os judeus. Mas o fato é que o ódio de Israel faz nascer, ou crescer, em diferentes regiões, o ódio a Israel.

São vários erros de cálculo doa tual governo israelense: sair militarmente vitorioso, mas derrotado politicamente; fortalecido internamento para a eleição de fevereiro, mas enfraquecido internacionalmente. E a cúpula do radical e inconsequente Hamas sair aos fragalhos, mas aguando a semente de ódio das novas gerações e secando o poder moral e político da Autoridade Nacional Palestina.

Toda guerra produz vítimas, mas esta deixa para história montanhas de corpos infantis, de um lado, e exércitos infantis prontos a tudo do outro.
Todos perdem, ninguém ganha.
E o grande vitorioso pode ser o principal derrotado.


Por Eliane Cantanhêde para a Folha de São Paulo.

08/01/2009

GAZA



Limpeza Étnica?!!!!!


Muitas são as evidências que nos levam a crer que Israel esta praticando uma espécie de "Limpeza Étnica" na Faixa de Gaza, abaixo alguns exemplos pertinentes a esta alegação:





Ataques iniciam entre festividades de final de ano!
Querendo ou não, grande parte da população mundial manteve-se alheia ao início dos conflitos por estarem entre festas de natal e ano novo, logo, a opinião pública não teve grandes mobilizações até término das mesmas. Nesta primeira semana sim, tiveram vultosas manifestações públicas, principalmente na Europa Ocidental e em países do Oriente Médio.

A superioridade bélica do Estado de Israel delineia a desigualdade do conflito!
O exército israelense explicitamente financiado pelas forças armadas estadunidenses, possuem armamentos de primeira linha, tecnologicamente muito mais avançados dos que os mísseis, grande parte de fabricação caseira, usados pelos militantes do Hamas.
Esta desproporcionalidade de combate aliada às práticas violentas , irracionais e , acima de tudo, desiguais de seu exército, caracterizam Terrorismo de Estado.

Baixas incomparáveis, 13 x 800!
Em pouco mais de 15 dias de início do conflito, o número de baixas para os dois lados reflete a diferença de parâmetros. Até ontem, apenas 13 mortos do lado israelense, sendo apenas 5 civis, e do lado palestino, mais de 800, sendo a maioria civis e mais de 257 crianças. Inclusive, numa manifestação estúpida de estratégia militar, bombardearam no ultimo dia 6/01 uma escola gerida pela ONU.

Israel dificulta e impede entrada de Ajuda Humanitária!
De tão absurda a notícia, fica difícil de crer numa solução a curto prazo, nem a médio e que não morram as esperanças, de que ocorra em um longo.
No início da semana foi negociado uma trégua diária de 3 horas! Dia 08/01 por exemplo, o cessar-fogo durou pouco mais de 15 minutos, e um caminhão da ONU que transportava ajuda humanitária foi atacado por soldados israelenses, o motorista morreu.
Nestas três horas a população palestina residente na faixa de Gaza tem de se deslocar, alguns, por vários km para ter acesso a alimentos, água, medicamentos e socorro médico. Fala-se na criação de um corredor humanitário. 75% da região esta sem energia elétrica e os hospitais não tem condições de atender a quantidade de feridos, configurando uma situação de clara crise humanitária.

Vazio de Poder!
Todos sabemos da ineficiência de George W. Bush frente aos conflitos internacionais, ainda mais quando relacionados ao seu principal aliado no Oriente Médio, Israel. Dificilmente se manifestam com relação aos conflitos sempre existentes na região, ao não ser quando envolvem, reservas petrolíferas, como temos assistido nos últimos anos. Não seria agora, em seu momento de retirada, que iria se envolver neste enorme abacaxi!
Obama, por sua vez, diz que somente se manifestará oficialmente após sua posse, no próximo dia 20/01, mas e até lá?
Por mais que a União Européia, liderada pelo presidente francês Sarcozy, tente mediar o conflito, parecem não ter forças diplomáticas suficientes para conseguir qualquer acordo.
Ou seja, quase nada acontece.... caracterizando um vazio de poder.

Infelizmente, o desenrolar dos acontecimentos nos afasta de um fim próximo.


PS: Hugo Chavez expulsou esta semana o Embaixador Israelense da Venezuela, alegando que seu país não servirá de base a representantes de Estados Genocídas, afirmando estar "ao lado da vida, do respeito à soberania dos povos e da justiça."
Dá-le!!!

Graziele Saraiva

Segue texto publicado pela Cruz Vermelha:
Gaza: acesso aos feridos continua sendo prioridade

Depois de quase duas semanas de combates ininterruptos, continua difícil obter acesso aos feridos e esta a prioridade na Faixa de Gaza. As organizações humanitárias devem poder realizar suas atividades com segurança.

Ontem, 6 de janeiro, o CICV teve de abandonar várias tentativas de transportar gêneros médicos aos hospitais devido ao combate, ainda assim o CICV tentou conseguir realizar passagens seguras. O CICV também tentou escoltar cinco ambulâncias da Sociedade Crescente Vermelho da Palestina, que recolheriam pessoas seriamente feridas, ao sul da Faixa de Gaza, mas não foi possível fazê-lo por conta do constante combate.

As autoridades israelenses anunciaram que um corredor humanitário será aberto e eles pararão os ataques por três horas por dia para ajudar as organizações humanitárias a realizarem seus trabalhos. "É um passo importante", disse Pierre Wettach, chefe da delegação em Israel e Territórios Palestinos Ocupados. "Agora temos que ver se isso de fato funciona – e para que isso aconteça, é preciso que ambas as partes envolvidas neste conflito respeitem. No entanto, o que precisamos agora é de um acordo de segurança permanente que permita que as ambulâncias recolham os feridos em toda a Faixa de Gaza. Além disso, os caminhões com gêneros humanitários de necessidade urgente precisam chegar a hospitais, abrigos e outras instalações".

A criação de corredores humanitários não modificará em nada o fato de que os civis que vivem afastados deles também precisam ter acesso a assistência humanitária e cuidados médicos sempre. Além disso, as ambulâncias, os técnicos de manutenção dos serviços básicos, como eletricidade e redes de água, e trabalhadores humanitários devem ter permissão para realizar seus trabalhos de salvamento por toda a Faixa de Gaza.

O CICV continuará a pressionar por uma coordenação eficiente que permita rapidez, passagens seguras para as ambulâncias para o recolhimento de feridos, entrega de gêneros médicos e também para conseguir passagens seguras para os técnicos que tentam consertar com urgência as linhas de energia ou sistemas de fornecimento de água que foram danificados pelos bombardeios.

O CICV se chocou ao saber do ataque israelense ao um abrigo para deslocados da AATNU em Jabaliya na terça-feira, causando um grande número de mortos e feridos. "Também havíamos direcionado famílias que buscavam segurança para esse abrigo", disse Pierre Wettach. "Esse é um incidente muito grave que mostra que as pessoas não podem ter certeza de encontrar segurança em nenhum lugar nesse momento. A AATNU pediu uma investigação internacional independente desse incidente e reiteramos que as partes envolvidas devem fazer o possível para poupar as vidas dos civis".

http://www.icrc.org/web/por/sitepor0.nsf/html/palestine-update-060109



06/01/2009

Condenado o algoz de Ruanda


O Genocídio de Ruanda, há pouquissímos anos atrás, praticamente ontem, foi iniciado devido ao confronto entre duas das principais etnias do país, os tutsis e os hutus.

Para os ruandeses: "O Mundo é o culpado pelo Massacre", ao permití-lo em 1994, e sem fazer a menor questão de recordá-lo quando das manifestações pelos seus 10 anos. E estão cobertos de razão, a maioria dos ocidentais mal sabe de sua ocorrência.

A ferida aberta no seio desta sociedade não cicatrizará tão cedo, para nao dizer - nunca, mas o fato de seus principais mentores serem julgados e condenados, é uma grande vitória para o país que vive hoje assolado pela miséria, epidemias e constante agitação político-étnica.

No fim de dezembro, o ex-coronel do Exército ruandês, Théoneste Bagosora, foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas para Ruanda. Ele foi considerado o mentor do genocídio que, em 1994, vitimou mais de 800 mil ruandeses da minoria tutsi, bem como aqueles da etnia hutu que não concordavam com o massacre. A matança de Ruanda é considerada o segundo pior genocídio do século XX, atrás apenas do Holocausto.

Instalado na Tanzânia, o tribunal foi constituído pela ONU em 2002 e, desde então, já decidiu por três dezenas de condenações e cinco absolvições. No julgamento, além de Bagosora, os ex-comandantes militares Anatole Nsegiyumva e Alloys Ntabakuze também foram condenados à prisão perpétua. Os três foram considerados culpados por liderar o comitê que planejou e coordenou a matança. Cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Bagosora, segundo a Promotoria, fundou a milícia Interahamwe, formada por extremistas hutus, que executou a maior parte dos assassínios.

O genocídio começou poucas horas após o atentado contra o então presidente hutu Juvenal Habyarimana, morto depois que o avião em que viajava foi derrubado. Muitos hutus consideraram os tutsis culpados pela morte de Habyarimana. Bagosora assumiu a chefia política e militar no país e organizou a matança, que duraria cerca de cem dias. Coordenou, entre outras ações, a distribuição das armas e facões usados no genocídio. O ex-coronel tem 67 anos e estava preso desde 1996, quando foi capturado em Camarões.
Graziele Saraiva

Para mais:
Assita:
Hotel Ruanda, um filme de 2004. Direção de Terry George.
Leia:
http://www.pime.org.br/mundoemissao/atualidadesafricamemorias.htm
http://www.adventistas.com/abril2004/clipping_ruanda.htm

05/01/2009

Diversão é Solução Sim!

...

Tudo isso, ás vezes tudo é fútil
Ficar fébrio atrás de diversão
Nada disso, às vezes nada importa
Ficar sóbrio não é solução

Diversão; solução sim
Diversão; solução prá mim
Diversão; solução sim
Diversão; solução prá mim
Diversão; solução sim
Diversão; solução prá mim
Diverssão
Diverssão

A vida até parece uma festa
Em certas horas isso é o que nos resta
Não se esquece o preço que ela cobra
As vezes é muito caro...
Em certas horas isso é o que nos sobra

Ficar frágil feito uma criança
Só por medo ou por insegurança
Ficar bem ou mal acompanhado
Não importa se der tudo errado

Happy New Year

5
4
3
2
1
!!!
Foguetório e gritaria para saudar o ano novo
!!!



É hora de refazer seus sonhos ainda não realizados e acreditar que irá concretizá-los, de aprender com os erros do ano já ido e brindar o ano bem vindo com um sorriso.

Fazer a listinha de coisas a fazer, como parar de fumar, comer mais frutas e verduras, correr na praia, fazer um trabalho voluntário, ligar mais para casa da vó e tal....

Correr ao encontro daquele amor ainda não perdido ou surpreender mais uma vez o amor já conquistado! Procurar mais os amigos queridos, tirar fotos legais, comer coisas boas e conhecer lugares novos.

Enfim...renovação e agradecimento!

Brindemos:
"À felicidade dos outros, porque a nossa já esta garantida!!!"
.
.
.

Receita de ano novo

Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?)

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


18/12/2008

Unicef - Premia Melhores Fotografias de 2008

1º Lugar:
América Latina - Haiti
Valentia haitiana frente a miséria
Mostra uma menina de vestidinho de renda, andando descalça, sobre o esgoto a céu aberto num bairro pobre de Porto Príncipe. A fotografia é de autoria de uma jovem belga de 21 anos. O Haiti é o país mais pobre das Américas, no Indíce de Desenvolvimento Humano*, divulgado ontem pela ONU, o país ficou na 148ºposição, de um ranking de 179 países.

2º Lugar:
Ásia - China
Comovedora Ambivalência
Mostra uma chinezinha na fila para receber a ração diária num campo de refugiados, na cidade de Sichuan, após o terremoto de maio, onde pereceram mais de 70.000 pessoas.


3º Lugar:
Oriente Médio - Afeganistão
Danos Colaterais
Mostra um homem afegão sustentando em seus braços seu filho desnutrido. Reflete o desespero da população afegã que habita as aldeias nas montanhas de Kunar, vítimas do enfrentamento entre a guerrilha talibã e as tropas estadunidentes.


* O Brasil ficou em 70º no IDH, tendo aumento em seu indicador social graças à educação, e permanece entre as nações com alto padrão de desenvolvimento.
Reportagem publicada no El País:
http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Unicef/premia/fotografia/valentia/haitiana/miseria/elpepuintlat/20081218elpepusoc_8/Tes

Mafaldices I




17/12/2008

SARAJEVO É BRINCADEIRA AQUI É O RIO DE JANEIRO



....É muito fácil falar de coisas tão belas
de frente pro mar, mas de costas pra favela...


Problemas nos sistemas judicial, prisional e de segurança pública, entre os quais violações sistemáticas dos direitos humanos, contribuíram para os níveis elevados e persistentes de violência criminal. A maioria das dezenas de milhares de mortes causadas por armas de fogo ocorreu nas comunidades mais pobres. Bem mais de mil pessoas foram mortas em confrontos com a polícia, em incidentes classificados como “resistência seguida de morte”, muitas em situações que sugerem o uso excessivo de força ou execuções extrajudiciais. A tortura continuou a ocorrer de forma generalizada e sistemática. O acesso à terra seguiu sendo um foco de violações dos direitos humanos. Houve despejos forçados e ataques violentos contra ativistas rurais, manifestantes contrários à construção de barragens, movimentos de sem-teto e povos indígenas. Muitas pessoas continuaram a trabalhar em condições análogas à escravidão ou sujeitas a servidão por dívida. Os defensores dos direitos humanos continuaram a sofrer ameaças e ataques.



Trecho introdutório do Relatório Anual da Anistia Internacional, onde encontramos um capítulo que fala do Brasil, mais especificamente da violência nas favelas do Rio de Janeiro e São Paulo. Poder paralelo, violações aos direitos humanos por parte da Polícia, chacinas, deterioração do sistema carcerário, mazelas do campo, trabalho escravo, dentre outros.


Para acessá-lo na íntegra:

http://www.br.amnesty.org/docs/air2008brasil.pdf

Então é Natal....












Sapatada neles...

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Tomara que a moda pegue!

- todo apoio ao jornalista -

todo mundo queria que ele tivesse acertado
...

afinal,
o nosso querido amigo Bush,
mais do que merecia!

.
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Vida longa aos sapatos iraquianos!

11/12/2008

Os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

...

Comemora-se por estes dias (10/12/2008), os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em 1948, quando o mundo ainda estava atemorizado pelas atrocidades contra a humanidade cometidas durante os grandes conflitos militares que marcaram o início do século passado (Iª e IIª Grandes Guerras), os países membros da recém criada ONU (Organização das Nações Unidas), deram corpo ao quer viria a ser a carta norteadora de princípios, dita Universal, que visava assegurar a igualdade de direitos a todos homens, de todas nacionalidades.
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Passados 60 anos, ainda lutamos para torná-la efetiva...
Lutamos pela dignidade e liberdade inerentes a todos os povos, pela igualdade de direitos e de oportunidades.
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Ao mesmo tempo em que convivemos atonicamente com focos de escravidão, campos de refugiados, epidemias, probreza, fome, mortalidade infantil, regras de mercado desiguais, constante dizimação das restantes nações indígenas, guerras civis e guerras infundadas, conflitos étnicos, xenofobia crescente na europa, racismos, antisemitismos ... Os eventos comemorativos alusivos à data, de todo já valem, por trazerem à tona, uma discussão até então esmorecida.
.
O mundo grita! E a opinião pública, apenas, se desconforta quando deparada com imagens sensacionalistas que refletem todas estas estúpidas formas de violação, seja na tela da tv, do computador, ou na capa do jornal, e passam, na maioria das vezes, alheios às manifestações de preconceitos e tantas outras desigualdades latentes, que nos acostumamos a ter lado a lado, cotidianamente.

A Anistia Internacional é uma das maiores críticas do grande abismo entre o idealismo da declaração e a prática. Em seu relatório anual, a organização aponta que pessoas ainda são mal tratadas ou torturadas em ao menos 81 países; submetidas a julgamentos injustos em ao menos 54; e impedidas de se manifestar livremente em ao menos 77.

O apelo é para que os grandes do cenário internacional --Estados Unidos, União Européia, China e Rússia-- liderarem um esforço de defesa dos direitos humanos e romperem barreiras diplomáticas de assuntos aparentemente "intocáveis", como a prisão americana na base naval de Guantánamo, em Cuba, ou a intolerância russa na Tchetchênia.

"Fala-se no terrorismo como mal do século 21, mas, na África, morre, a cada minuto, a mesma quantidade de pessoas que morreu [nos ataques terroristas da semana passada em Mumbai]. E isso só porque elas não têm como comprar arroz", critica Javier Zuniga, conselheiro especial da Anistia Internacional para Programas Regionais, ressaltando a necessidade de uma reorganização das prioridades internacionais
.
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Alguns êxitos em matéria de Direitos Humanos nestes 60 anos:
· Tratados internacionais e leis nacionais sobre direitos humanos.
· Reconhecimento dos direitos da mulher e da criança.
· Criação do Tribunal Penal Internacional e julgamentos por crimes de guerra e crimes contra a humanidade perante tribunais internacionais e alguns tribunais nacionais.
· Estabelecimento do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e de Comissões nacionais de direitos humanos em determinados países.
· Abolição da pena capital em dois terços do mundo.
· Avanços a respeito do controle de armas.
· Apoio decidido da sociedade civil aos direitos humanos materializado, por exemplo, na criação de redes mundiais de defensores dos direitos humanos e organizações de direitos humanos.

Alguns fracassos:
· Violações maciças do direito internacional humanitário e dos direitos humanos em conflitos armados.
· Incremento dos ataques terroristas e de grupos armados contra a população civil.
· Violência contra mulheres e crianças, inclusive o recrutamento de crianças soldados.
· Negação dos direitos econômicos e sociais a milhões de pessoas que vivem na pobreza.
· Sistemas judiciários corruptos e injustos em inúmeros países.
· Emprego da tortura e outras formas de maus-tratos.
· Negação dos direitos dos refugiados e imigrantes.
· Ataques contra ativistas, jornalistas e defensores dos direitos humanos.
· Supressão da dissidência em vários países.
· Discriminação por motivo de etnia, religião, gênero e identidade.
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*
Como nunca é demais recordar e acima de tudo enfatizar, seguem os artigos da Declaração:

Artigo 1° Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Artigo 2° Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.
Artigo 3° Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4° Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.
Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
Artigo 6° Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.
Artigo 7° Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo 8° Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.
Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.
Artigo 11° Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.
Artigo 12° Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.
Artigo 13° Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
Artigo 14° Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 15° Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo 16° A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à protecção desta e do Estado.
Artigo 17° Toda a pessoa, individual ou colectivamente, tem direito à propriedade. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 18° Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.
Artigo 19° Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.
Artigo 20° Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21° Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Artigo 22° Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.
Artigo 23° Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24° Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.
Artigo 25° Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26° Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.
Artigo 27° Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28° Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.
Artigo 29° O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
No exercício destes direitos e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 30° Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

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Cronologia elaborada pela Folha:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u477284.shtml
Página da ONU:
http://www.unhchr.ch/udhr/lang/por.htm
Anistia Internacional:
http://www.br.amnesty.org/

04/12/2008

O IMPÉRIO DO CONSUMO


A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço.

Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.

Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.

«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango,deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações».

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos,segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.

Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu.

As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98,outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver,conseguiram essa conquista, digna do Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde.

Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos.

Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem?

O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawn, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.

Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?

O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos.

Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada a serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.

Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos.

Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

Eduardo Galeano
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