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18/05/2011

JORNALISMO DE GUERRA


Iraque 2005: Samar Hassan, na época com 5 anos, presenciou o assassinato dos seus pais por soldados americanos. Esse momento trágico foi fotografado por Chris Hondros e congelou na história o sofrimento dos civis e crianças nessas guerras travadas em nome da liberdade. Ficaram ela e o irmão, que alguns anos depois também foi assassinado por insurgentes iraquianos por suspeitarem da relação da família de Hassan com os americanos, porque depois da foto rodar o mundo, ele recebeu auxílio médico nos EUA.

O círculo trágico em torno desta história continuou, esse ano o fotógrafo Chris Hondros e o Documentarista de Restrepo, Tim Hetherington, foram mortos na linha de frente no conflito na Líbia.
A fotografia de Samar Hassan é uma daquelas imagens que ultrapassa a si mesma. Qualquer coisa que se diga sobre o seu significado está aquém dos agenciamentos que ela provoca na realidade.

Esse tipo de imagem levanta a discussão acerca do trabalho documental e  foto-jornalístico. Não se trata de querer mudar o mundo, mas mostrar ao mundo como ele realmente é. As versões dos fotógrafos em situação de Guerra sobre sua própria atividade talvez deixem demasiados traços de autojustificativa. Contudo, é por fotografias como as produzidas por Chris Hondron, que vítimas de violência da guerra passam a existir em nossas consciências. Não fosse por elas, as pessoas longe do locais do conflito e não afetadas diretamente por ela, poderiam evitar todos os questionamentos e contradições da violência que, em muitos casos, são levadas adiante em seu próprio benefício, embora nem sempre por sua vontade.


Com o auxílio da fotografia, a guerra e a violência forçam seu registro no imaginário. Diferente do fluxo de imagens da TV ou do cinema, o still, a imagem parada, exige um tempo e resiste à fácil assimilação. Ela desafia o expectador a entrar em outro tempo, no tempo necessário ao pensamento. Já não posso ignorar a existência de Samar Hassan; não posso deixar de reconhecer que a guerra causou-lhe danos, e que sua vida foi definitivamente modificada; não posso negar que ali houve um crime; que ela é vítima de um crime; e que o crime permanece impune e sem perspectiva de reparação. E se me engajo na tarefa de expulsão desse registro de minha consciência, ela não se fará sem grande esforço e certo prejuízo.


Filmes com esta temática:


A reportagem abaixo, foi publicada pelo The New York Times e reproduzida no encarte de mesmo nome da Folha de São Paulo da última segunda, 16 de maio de 2011. E conta a história de Hassan, hoje com 12 anos.


Vítima da guerra olha para trás


MOSUL, Iraque - Até o início de maio, Samar Hassan nunca tinha vislumbrado a foto dela que foi vista por milhões de pessoas; ela nunca soubera que a foto se tornara uma das imagens mais famosas da guerra do Iraque.

"Meu irmão estava doente. Nós o estávamos levando ao hospital, e, no caminho de volta, aconteceu aquilo", disse Samar. "Ouvimos o som de disparos. Minha mãe e meu pai foram mortos assim."

A imagem de Samar, com cinco anos na época, gritando e manchada de sangue depois de soldados americanos abrirem fogo contra o carro de sua família na cidade de Tal Afar, no norte do Iraque, em janeiro de 2005, iluminou o horror das mortes de civis e tornou-se uma das poucas imagens desse conflito que entraram para os clássicos da fotografia de guerra. A foto vem ganhando atenção redobrada como parte do grande conjunto da obra de Chris Hondros, o fotógrafo da Getty Images morto recentemente na linha de frente em Misrata, na Líbia.

A foto de Samar ficou congelada na história, mas a vida dela continuou, seguindo uma trajetória emblemática daquilo que vem sendo suportado por tantos iraquianos.

Em um país cujo sistema de saúde não possui capacidade quase nenhuma de tratar os aspectos psicológicos do trauma, milhares de iraquianos são abandonados a sós com seu sofrimento.

Hoje, com 12 anos de idade, Samar vive nos arredores de Mossul em uma casa de dois andares. Sua irmã mais velha, Intisar, e o marido dela, um ex-policial desempregado, cuidam dela.


As dores da guerra atingiram milhares de iraquianos, mas, mesmo aqui, a história de Samar se destaca. Três anos depois de seus pais serem mortos, seu irmão Rakan morreu quando um ataque insurgente danificou gravemente a casa em que ela vive hoje.  Rakan ficara gravemente ferido no incidente que matou os pais dele e Samar. Depois da publicação das fotos de Chris Hondros, ele foi enviado a Boston para tratamento médico.

O marido de Intisar, Nathir Bashir Ali, suspeita que sua casa foi atacada por insurgentes como represália pelo envio de Rakan aos EUA. "Quando Rakan voltou da América, todo o mundo pensou que eu fosse espião", explicou.

Samar deixou a escola no ano passado porque era tímida demais e não estava se saindo bem, contou Ali, mas a menina disse que gostaria de voltar a estudar e que tem a esperança de tornar-se médica quando crescer. Ela sai de casa apenas em passeios pouco frequentes da família e tem duas amigas que a visitam para brincar de boneca e bater papo. Samar passa seus dias fazendo faxina, ouvindo música e assistindo a capítulos do seu programa de TV favorito, a fotonovela turca "Amor Proibido".

"Eu sou Samar", disse ela, trajando vestido vermelho comprido e sentada no sofá ao lado de Ali. Dois de seus irmãos, que também estavam no carro quando os pais deles foram mortos, estavam sentados ao lado.
"Já os levei muitas vezes ao hospital, lugar em que recebem comprimidos" para problemas emocionais, disse Ali. "Quando saímos e eles veem uma família, ficam tristes", ele contou. Às vezes, ele encontra as crianças juntas em um cômodo, chorando. "Quando elas se lembram do acidente, é como se seus pais tivessem acabado de morrer."

A foto de Samar exerceu impacto, pois foi testemunho visual de flagelo especial dessa guerra: a morte de civis inocentes. A imagem foi tema de discussões nos mais altos escalões do Pentágono quando foram estudadas maneiras de reduzir as baixas de civis.

Em entrevista, Samar, abraçando uma almofada contra o peito, recordou o fotógrafo: "Ele estava fazendo fotos de mim. Então, ele parou. Me trouxeram um casaco, me colocaram no caminhão e trataram a ferida em minha mão."
Ela disse que entende que a foto mostrou ao mundo "a coisa triste que está acontecendo no Iraque".

Samar apontou para uma foto de sua família na parede. "Sempre sonho com meu pai, minha mãe e meu irmão."

Por Tim Arango com reportagem de Duraid Adnan


18/05/2010

ISRAEL NEGA ENTRADA A NOAM CHOMSKY

O conhecido linguista, filósofo e activista político norte-americano ia dar uma conferência na universidade palestiniana de Birzeit, junto a Ramala, e tentou ontem passar a fronteira da Jordânia, pela ponte Allenby, mas viu recusada a sua entrada pelas autoridades.


Depois de ter sido interrogado durante mais de três horas, e sem qualquer explicação, Noam Chomsky, que é judeu, teve o seu passaporte carimbado com a frase "entrada recusada". O site da Universidade de Birzeit divulga a notícia e está a acompanhar o caso. E até o momento as aturidades israelenses dizem ter se tratado de um mal entendido.

Pensador crítico de Israel

Noam Chomsky terá sido informado de que as razões que o impedem de entrar em Israel serão enviadas por escrito para a embaixada dos EUA.

Numa entrevista ao Canal 10 da talevisão israelita, o professor do Instituto Tecnológico de Massachussets afirmou que durante o interrogatório um oficial lhe terá dito que as suas opiniões não agradavam ao Governo de Israel. Em resposta, Noam Chomsky disse ao oficial para encontrar um Governo (de qualquer país) que gostasse dos seus pontos de vista.

Chomsky já escreveu muito sobre Israel e os palestinos, e defende que Israel e os EUA impedem a paz na região, por não aceitarem a proposta de acordo da Liga Árabe.

Recentemente, Noam Chomsky voltou a envolver-se em polémica ao escrever um ensaio em defesa da liberdade de expressão de Robert Faurisson, um escritor que nega que o Holocausto tenha existido. Fê-lo por sua crença na liberdade civil, mas, por causa disso e também por criticar Israel, tem sido acusado de apoiar o anti-semitismo, nomeadamente no livro "Partners in Hate: Noam Chomsky and the Holocaust Deniers", de Werner Cohn.

Prémio Eric Fromm 2010

Prémio Internacional Erich Fromm 2010 - distinção entregue no passado mês de Março em Stuttgart, Alemanha - pelo seu trabalho, convicções políticas e sua posição em defesa dos direitos dos pobres e oprimidos, o filósofo é conhecido pelas suas ideias de esquerda e pela postura crítica à política externa dos EUA.

Noam Chomsky assume-se como socialista libertário e simpatizante do anarquismo, tendo publicado várias análises sobre as relações de conivência entre o poder e os meios de comunicação.

26/01/2009

Periodistas en Guerra

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"En época de mentiras, contar la verdad

se convierte en un acto revolucionario"

(George Orwell)



Nada mais oportuno, dadas as atuais circunstâncias:
- Internet ajuda a furar bloqueio midiático imposto por Israel
- Israel proibiu a entrada de jornalistas estrangeiros em Gaza, mas isso não vem impedindo que as imagens do massacre contra a população civil de Gaza circulem diariamente pelo mundo.


Em meio ao alvoroço noticialesco causado pela invasão em Gaza e na busca de fontes alternativas de informação, que não a imprensa oficial, leia-se Reuters, Associated Press, BBC`s e companhias limitadas... Muito naveguei por blogs, sites oficiais de Organizações Não Governamentais, como Cruz Vermelha, Anistia Internacional e o próprio site da Onu, dentre outros vários , além óbvio, de páginas de mídia alternativa daqui e de fora... muitas descobertas boas, dentre elas os "Periodistas en Guerra".

O blog http://periodistasenguerra.blogspot.com/ é formado por um grupo de jornalistas espanhóis, a maioria correspondentes em áreas de conflito e ativistas políticos.

Sua bandeira:
" El deber del periodista es ir a donde esta el silencio!
Dar voz a quien ha sido olvidado, abandonado y golpeado."


Fazendo uma referência a citação da repórter americana Amy Gooldman, já elogiada por Noam Chomsky e Michael Moore. Amy mantém um programa de rádio e tv , chamado "Democracy Now!" e destacou-se como uma das maiores opositoras dos excessos cometidos pela adminstração Bush e pelas grandes Coorporações Financeiras.

Defendem o papel dos jornalistas e sua independência frente a verdade.

"Creemos firmemente que la independencia
de los periodistas es vital
para la sociedad y que el periodismo
es un servicio público a los ciudadanos
que no puede estar sometido
a intereses políticos o económicos. . .
"

Nele postam notícias, vídeos e fotografias inéditas, sem cortes e diretas do "front" , além de participarem de manisfestos em pról dos Direitos Humanos, e denunciarem abusos e "furos de reportagem" de primeira linha, como o publicado hoje, onde noticiam que :


"Israel esta orientando os seus militares e evitarem viajar à Espanha e a outros países,
por receio de serem detidos por crimes de guerra."


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Vale a pena acompanhá-los,
realizam um trabalho digno, verdadeiro e acima de tudo esclarecedor,
daqueles difíceis de se encontrar nos dias de hoje,
onde 5 Agências de Notícias
dominam o que será divulgado ao mundo todo!

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