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21/01/2010

COISAS A LEMBRAR ENQUANTO SE AJUDA O HAITI


Não perdem tempo aqueles se aproveitam da desgraça alheia. A heritage Foundation dos EUA, após o terramoto do Haiti,
veio a público com uma série de conselhos dirigidos ao governo de Washington num artigo intitulado "Coisas a lembrar enquanto se ajuda o Haiti".

Todo o artigo é uma pérola, mas destaco um parágrafo que é esclarecedor da forma como esta gente encara o "resto do mundo":
"Para além de fornecer assistência humanitária imediata,a resposta dos EUA ao trágico terramoto no Haiti oferece oportuni-dades para reformar o governo e a economia como também melhorar ainda mais a imagem pública dos Estados Unidos na Região."

Isto é, pensam primeiro em como fazer avançar o império em vez da forma de ajudar os haitianos. Fiéis a si próprios...
Depois de o artigo ser veemente contestado substituíram este parágrafo por outro que supostamente seria mais soft: "Os EUA devem implementar um esforço forte e vigoroso na diplomacia pública para combater a propaganda negativa que emana do campo Castro-Chavez."

Tal esforço também demonstrará que o envolvimento dos EUA no Caribe continua sendo uma força poderosa nas Américas e em todo o globo."
Seria caso para dizer cada cavadela, cada minhoca, mas não, é o "instinto" a falar mais alto e suficientemente revelador...

Com gente como esta não me admiraria nada que a ajuda fosse militarizada e assistíssemos aos militares a apontar indiscrimina-damente as armas esquecendo-se que os haitianos esgotados e esfomeados não são o inimigo e como tal não devem ser tratados como criminosos.


Ótimos textos sobre o "outro lado da tragédia" no Haiti,
no Blog Português http://salvoconduto.blogs.sapo.pt/



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Cronologia das Ações Estadunidenses no Haiti,
Pelo
Editorial - jornal Hora do Povo: http://www.horadopovo.com.br/

  • 1911 - depois do Citibank adquirir o Banco Nacional do Haiti - que também cumpria o papel de Tesouro - os EUA passaram a considerar o país uma colônia de segunda classe.

  • 1916 - invadiram e ocuparam militarmente a nação para proteger os interesses do Citi e da Haitian American Sugar Co, ameaçados por uma rebelião popular.

  • Só saíram em 1934 por determinação do presidente Roosevelt, que nutria pouca simpatia pelas corporações monopolistas e seus interesses imperiais.

  • Voltaram alguns anos mais tarde, na década de 1950, dando integral apoio - salvo nos dois breves anos do governo Kennedy - a Duvalier, depois que este virou a casaca e implantou uma feroz ditadura que durou até 1986.

  • Em 1994, no auge da onda neoliberal, Washington apoiou Aristide para impor-lhe aqueles famosos “planos de ajuste” do FMI, que reservavam ao Haiti o papel de importador até de alimentos dos EUA em troca da implantação de unidades secundárias de produção de corporações como a Disney e a Levi’s.

  • O país, com 70% da população nas zonas rurais, perdeu a produção de arroz, teve desorganizada sua produção de açúcar, foi ocupado por ONGs e o comércio exterior ficou à mercê dos EUA, para onde são destinadas 72% das exportações.

  • Quando Aristide ensaiou resistir ao massacre, Bush financiou e armou bandos opositores para depor o presidente. Em seguida enviou os marines, que o prenderam em casa, em março de 2004, apesar dele haver sido eleito para o segundo mandato com 92% dos votos.

  • A ação da diplomacia brasileira, conjugada com a francesa e da maioria das nações do mundo, impedia que essa nova invasão se consolidasse, tendo sido criada uma força de paz da ONU comandada pelo Brasil com a missão de pacificar o país.

  • Isolados, os EUA tiveram que se retirar três meses depois, mas não engoliram a derrota.

  • Agora, aproveitando-se do caos provocado pelo trágico terremoto, o Pentágono força a entrada de 10 mil soldados - dois mil a mais do que toda a força de paz da ONU reunida, constituída por 36 países.

  • A situação é delicada, porque Obama gastou todo o gás na campanha e no governo, desde o discurso de posse, tem sido um maria-vai-com-as-outras.

  • Mas, com paciência, nós vamos mandar a canalha de volta para casa outra vez e ajudar o bravo povo do Haiti a se livrar desse encosto para que possa reconstruir o mais breve possível o seu Estado nacional.

02/12/2009

E EM COPENHAGUE ...

Vai ser difícil não ver.

Ao desembarcarem no aeroporto de Copenhague, milhares de diplomatas, governantes, jornalistas e ativistas de todo mundo irão dar de cara com fotos de oito líderes que estão atrapalhando o sucesso de um compromisso climático, envelhecidos. Dentre eles Lula, Angela Merkel, Barack Obama, Nikolas Sarkozy, Gordon Brown dentre outros.

Os anúncios fazem uma previsão pessimista do futuro em que os líderes lamentam não terem conseguido chegar a um compromisso bom o suficiente para salvar o planeta em 2009.

No painel lê-se: “Desculpe. Nós poderíamos ter parado as mudanças climáticas catastróficas … mas nós não fizemos”, seguido de um pedido: Aja agora: salve o futuro”.

Criados pela coligação global, tcktcktck.org e Greenpeace, os outdoors são parte de uma campanha para estimular um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculativo na Conferência de Clima de Copenhague que começa a menos de cinco dias.

O aeroporto será rota de milhares de delegados, imprensa e políticos que chegam a Copenhague para participar da reunião que vai decidir o destino do clima. "Se dirigentes como Obama, Sarkozy, Merkel e Brown não trabalharem para um acordo robusto, o legado deles será a fome e a migração em massa. Se isso acontecer, um pedido de desculpas não vai resolver" disse Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional.


O sucesso em Copenhague exigirá um acordo justo,

ambicioso, que tenha validade legal e contemple:

  1. Um compromisso dos países industrializados de reduzir as emissões em até 40% até 2020 (níveis de 1990);
  2. Um plano para pôr fim ao desmatamento tropical até 2020;
  3. Pelo menos US$ 140 bilhões por ano em financiamentos públicos para os países em desenvolvimento.





PS: Embora o nosso presidente tenha ficado mais brozeado do que Obama, sua presença na campanha reflete a visibilidade de sua liderança no cenário internacional.



15/10/2009

DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

O Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, foi estabelecido pela FAO em 1979.

O tema escolhido pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) para o Dia Mundial da Alimentação deste ano é "Alcançar a Segurança Alimentar em Época de Crise". Com este tema, a FAO pretende estimular uma reflexão a respeito do quadro atual da insegurança alimentar mundial.

O número de famintos teve um incremento recente de 105 milhões, passando a alcançar 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, segundo a FAO. "Preocupa sobremaneira a FAO o fato de que as crises dos preços do petróleo, da alta dos preços dos alimentos e a crise econômico-financeira atingem de forma bastante acentuada a agricultura familiar, onde trabalham e vivem cerca de 70% dos famintos e desnutridos do mundo", diz o embaixador brasileiro José Antônio Marcondes de Carvalho, representante permanente junto À FAO

Os pontos centrais de reflexão sobre o Dia Mundial da Alimentação 2009 deverão ser a proteção aos mais vulneráveis e o aumento dos investimentos na agricultura. "Reverter o quadro atual requer não apenas o reconhecimento da gravidade da situação, mas também um decisivo esforço mundial para solucioná-la", prevê o embaixador.


No Brasil, a Semana Mundial de Alimentação, de 11 a 17 de outubro, deverá ter uma vasta programação nacional. Assim como acontece todos os anos, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgãos públicos e entidades parceiras participarão de inúmeros eventos pelo país.


Neste ano, uma das metas do Consea é ver aprovada no Congresso Nacional a PEC 047/2003, que inclui a alimentação entre os direitos sociais de todos os brasileiros. A PEC já foi aprovada pelo Senado e tramita na Câmara, onde está sendo analisada por uma Comissão Especial.

O vídeo de divulgação do WORLD FOOD DAY 2009 reforça os gastos em armamentos e a necessidade de investimento na agricultura como única maneira de vencermos este "mal do século" que é a fome.




Os objetivos para a celebração da data são:

  • Estimular uma maior atenção para a produção agrícola em todos os países e um esforço nacional;
  • Estimular a cooperação econômica e técnica entre os países em desenvolvimento;
  • Promover a participação das populações rurais, especialmente das mulheres e dos grupos menos privilegiados, nas decisões e atividades que afetam suas condições de vida;
  • Aumentar a consciência pública da natureza do problema da fome no mundo;
  • Promover a transferência de tecnologias no mundo em desenvolvimento;
  • Fomentar o sentido de solidariedade nacional e internacional na luta contra a fome, má nutrição e pobreza, e chamar a atenção para os avanços na agricultura.

Mapa da Fome

Clique na imagem para ver ampliado.

Mais:

FAO https://www.fao.org.br/

Fome Zero http://www.fomezero.gov.br/

Consea https://www.planalto.gov.br/Consea/exec/index.cfm


World Food Programme http://www.wfp.org/hunger




01/09/2009

O ataque covarde da IstoÉ à Venezuela



Na edição desta semana, a revista IstoÉ, famosa por suas capas sensacionalistas e reportagens difamatórias, aprontou mais uma das suas. No artigo “O lobista de Chávez”, ela desferiu um ataque covarde contra o jornalista Carlos Alberto de Almeida, reconhecido por sua militância internacionalista e por seu compromisso com a ética jornalística. Descaradamente marcarthista, o texto insufla a perseguição política: “Jornalista brasileiro trabalha no Senado, mas faz hora extra para defender os interesses da Venezuela”. Nela, o senador tucano Álvaro Dias aparece pregando a apuração sobre a “dupla militância do funcionário”. Só falta pedir a sua demissão!

Para a revista, que nunca escondeu o seu ódio à revolução bolivariana, Beto Almeida seria um inimigo da “liberdade de expressão” por defender as medidas de Hugo Chávez contra a ditadura midiática. A fonte principal da IstoÉ é Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), a máfia dos barões da mídia que não tolera qualquer restrição legal à “libertinagem de imprensa”. O texto também desfere duro ataque à Telesur, “a emissora criada para se contrapor à rede americana CNN na América Latina”. Beto Almeida é membro do seu conselho diretivo, “seguindo à risca a cartilha do caudilho venezuelano”, esbraveja a revista.


Temores da mídia colonizada
Na prática, o rancoroso artigo visa atingir o presidente Hugo Chávez, num momento em que o parlamento brasileiro discute a adesão da Venezuela ao Mercosul. Ele também procura evitar o fortalecimento da Telesur, que já agrega vários países do continente e realiza o contraponto à mídia colonizada pelos EUA. A IstoÉ chega a alertar os reacionários de plantão. “Até agora, a emissora funciona de forma precária, quase na informalidade. Mas, aos poucos, Beto avança no lobby pelos ideais bolivarianos. Já emplacou, por exemplo, a programação da Telesur na grade do Canal Comunitário de Brasil, a ‘TV Cidade Livre’, da qual é presidente. E está costurando um convênio entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Telesur”.

No seu reacionarismo inconsistente e leviano, a IstoÉ joga farpas para todos os lados. Ataca o governo de Roberto Requião (PMDB), que retransmite a Telesur na TVE do Paraná, e critica a militância de Beto Almeida em defesa do “repasse das verbas públicas para emissoras públicas e comunitárias”. De forma marota, ela aproveita o episódio para se contrapor à 1ª Conferência Nacional de Comunicação. A revista não tolera a diversidade e pluralidade informativas e rejeita qualquer ação que vise enfrentar a concentração e a manipulação midiáticas. Para ela, a militância de Beto Almeida é incompatível “com os princípios da liberdade de expressão”.


“IstoÉ Daniel Dantas”
A publicação semanal da Editora Três já é bem conhecida por seu jornalismo sensacionalista e mercenário, sempre na busca insana por aumento de tiragem e de lucros. Em fevereiro passado, no texto intitulado “Stédile, o intocável”, ela procurou justificar a repressão às 270 famílias de sem-terras acampadas numa fazenda em Eldorado da Carajás (PA), adquirida ilegalmente pelo Grupo Opportunity, controlado pelo mega-especulador Daniel Dantas. A agressão ao líder do MST teve como objetivo criminalizar a luta pela reforma agrária e defender o banqueiro.

Na ocasião, o MST respondeu a altura no texto intitulado “IstoÉ Daniel Dantas”. Lembrou que a revista “atua como títere dos poderosos, ao passo que se distancia do compromisso com a sociedade e a ética jornalística”. Destacou que ela faz o papel de advogado do bandido e que evita noticiar as sujeiras de Daniel Dantas, “preso em julho passado durante a operação da Polícia Federal por prática de crimes financeiros e de desvio de verbas públicas”. E ironizou: “Resta saber se o conteúdo da reportagem é fruto de um trabalho investigativo competente ou se deve ao curioso fato de que a IstoÉ é publicada pela Editora Três, que por sua vez também é controlada pelo banqueiro Daniel Dantas. Desde 2007, ele possui 51% das ações da editora”.

28/08/2009

CÚPULA DA UNASUL

Acontece hoje em Bariloche, Argentina, a Cúpula do UNASUL,
principal discussão: Acordo Colômbia - Estados Unidos,
com a instalação de Bases Militares no país, como o principal
ponto de uma série de "convênios" militares entre os dois países.


Em cheque: A capacidade de liderança do Brasil,
em seu discurso, em tom apaziguador, Lula tenta mediar conflito.

Como sempre, o politizado povo argentino,
manifesta-se em frente à Reunião dos Chefes de Estado do América do Sul.

O presidente venezuelano Hugo Chávez justificou, nesta sexta, seu posicionamento contundente em relação às bases dos EUA na Colômbia. "Eu amo a Colômbia, me sinto tão colombiano como venezuelano", disse durante sua participação na cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que acontece em Bariloche na Argentina.
Chávez e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, ficaram frente a frente, nesta sexta. Os dois vivem um clima tenso desde que Bogotá anunciou um acordo militar com os EUA. Chávez apresentou um documento que supostamente mostra um interesse militar de Washington na América do Sul. Uribe frisou que o acerto com os EUA não fere a soberania colombiana.
Além de reafirmar a soberania militar na Colômbia, Uribe fez críticas a países que apóiam grupos paramilitares colombianos. Um recado claro a Chávez que mantém diálogos com a cúpula das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Ao fazer seu discurso, Chávez evitou responder diretamente a críticas de Uribe e apenas citou o documento que ele divulgou ontem em entrevista ao jornal argentino Pagina 12. Segundo o presidente venezuelano um relatório entregue pelo líder cubano Fidel Castro mostraria que o exército dos EUA planeja estabelecer tropas na América do Sul.
Rafael Correa, do Equador, e presidente temporário da Unasul disse que o documento militar trazido à cúpula por Chávez o preocupa muito. "Nesse sentido, a primeira decisão da Unasul é analisar este documento e, em função desta análise, solicitar uma reunião urgente com o presidente Obama", afirmou Correa.
Lula como mediador Em seu discurso na cúpula, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura apaziguadora ao abordar a crise das bases e pediu garantias de que o acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos não afetará outras regiões do continente.
Lula pediu "garantias jurídicas" de que o convênio militar que Bogotá-Washington não afetará a América do Sul. "Respeitamos o acordo, mas queremos nos resguardar", afirmou, e insistiu que os países da região devem "ter a segurança" de contar com instrumentos que garantam que o acordo "é específico para o território colombiano".
"Não está (no acordo), mas também não é proibido, o que não é proibido é permitido, temos que ter cuidado com isso", afirmou. "Ter cuidado e tomar sopa não fazem mal a ninguém", brincou o governante. Como proposta para a crise, Lula sugeriu a criação de um fórum entre os sul-americanos por uma cultura de paz.
Lula disse que ainda aguarda uma resposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a sua proposta de convocar uma reunião a Unasul para debater o tema. Destacou a importância de "provocar uma boa discussão com Obama para discutir qual é o papel dos Estados Unidos para a América Latina.
Brincadeiras chavistas Ao assumir a palavra, Chávez tentou amenizar o clima. Ele avisou que chegou a atrasado por causa do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Chávez, os dois deveriam ir à cúpula juntos, mas o carro de Lula acabou saindo antes, deixando o presidente venezuelano a pé.
Momentos depois, Chávez voltou a brincar com Lula, dizendo que o documento dos EUA sobre estratégias militares trazido pelo chefe de Estado venezuelano está disponível em português, pois o presidente brasileiro não lê bem em inglês e espanhol.
Melhor cobertura do encontro, com discursos ao-vivo:
www.terra.com.br

18/06/2009

REPARAÇÃO HISTÓRICA

Não há dúvida de que a América Latina trilha novos caminhos na dignidade dos povos e exemplo disso foi a decisão da 39ª assembleia da OEA, Organização dos Estados Americanos, que decidiu anular a decisão de 1962 pela qual Cuba, por pressão dos Estados Unidos, tinha sido expulsa do seu seio. É a história a reescrever-se a si própria.

Independentemente da decisão de Cuba que já anunciou que não tenciona integrar a OEA, tal como é e funciona, não se poderá negar que há sinais de que algo esta mudando. A decisão foi anunciada no término da 39ª assembleia-geral da OEA, realizada na cidade de San Pedro Sula, norte das Honduras, pela voz da sua presidente, Patricia Rodas, chanceler de Honduras, ao declarar que "a resolução adoptada em 31 de Janeiro de 1962, que excluiu Cuba da Organização dos Estados Americanos, fica sem efeito" e que o retorno, de facto, do país à OEA é de livre escolha do governo cubano.

Patricia disse também que a anulação da medida está sustentada pela carta de fundação e por outros elementos de autodeterminação e de direitos humanos que orientam os países membros. Definiu a decisão como uma notícia fundamental e histórica e ressaltou que os povos latino-americanos mais não fazem do que recuperar a dignidade do povo cubano.

Já o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, disse que a OEA fez uma "reparação histórica". "Esta foi uma decisão tomada pelo mérito de nossos chanceleres. Uma decisão tomada por consenso, o que era mais difícil. A OEA está a fazer uma rectificação histórica, que mostra a força do diálogo e das ideias invencíveis. Estamos começando uma nova era de fraternidade e tolerância".

Zelaya ressaltou ainda que "todo o país tem o direito de escolher seu próprio sistema político, económico e social. Isso foi o que o povo cubano fez há mais de quatro décadas, e hoje, depois de bloqueios e ingerências, a OEA faz uma sábia reparação, a Guerra Fria terminou aqui, em San Pedro Sula."

Como não podia deixar de ser os Estados Unidos exigem que a readmissão de Cuba se dê apenas mediante a adequação do regime de Havana aos "princípios democráticos da OEA". Passados estes anos todos e apesar das transformações operadas naquela região Washington não desiste de tentar impor o seu modelo, esquecendo-se que a sua coutada emagreceu, e muito. Esquece-se igualmente que em matéria de direitos humanos será certamente um dos últimos países a poder impor condições.

11/05/2009

A EPIDEMIA DA QUAL NÃO SE FALA

Sem repercussão na mídia, a África Ocidental enfrenta há meses um dos piores surtos de meningite de sua história, com 1.900 mortos e mais de 56.000 casos declarados.

Enquanto a comunidade internacional anda preocupada com as consequencias do vírus H1N1 que matou 44 pessoas e infectou mais de 1.000 em vinte países, a África Ocidental sofre literalmente uma epidemia, que se pode previnir com facilidade, mas que esta matando milhares de africanos.

Não tem um problema de nomenclatura, nem desencadea hostilidades internacionais. Mesmo assim tem causado alertas sanitários no mundo. No entanto, desde os primeiros meses deste ano um grande epidemia de meningite (infecção que afeta as membranas que envolvem o sistema nervoso central) se extendeu por vários países da África. Para combate-la, os Médicos sem Fronteiras (MSF), com a colaboração de diversos Governos, tem posto em marcha uma das maiores campanhas de vacinação da história.

"Sempre há um risco epidemico nesta parte da África, mas este ano a infecção está muito agressiva. Desde 1996 não se havia visto uma tão forte na Nigéria, e se pode dizer o mesno do Niger e Chad", conta Miriam Alia, enfermeira dos MSF que esteve trabalhando nas últimas semanas em nove Estados do norte nigeriano.

O contágio atual é um dos mais graves das últimas décadas. Os ministérios de Saúde do Níger, Nigeria e Chad estão superados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) esta alertando para o seu grau de letalidade. As cifras não são nenhum chuvisco. Hoje são mais de 1.900 mortos pela infecção. Enquanto que com 56.000 casos declarados, o surto se extende por três países, com alto risco de saltar aos demais vizinhos.

Desdobramento histórico

Os Governos locais e MSF tentam pará-lo e estão se molibizando com o maior desdobramento da história na região. Trabalhadores voluntários cooperam em distintas áreas e num ritmo vertiginoso. "Sem tratamento a metade dos infectados morre", alerta a enfermeira dos MSF. Pouco mais de dez anos atrás o pior flagelo de meningite que se recorda no contimente africano acabou com a vida de mais de 25.000 pessoas.

O alerta reside principalmente na falta de acesso as vacinas contra a enfermidade. A Nigéria obriga seus cidadãos a pagar pelo medicamenteo e a maioria dos infectados não tem condições financeiras para tal. E assim como a Nigéria, outros países vizinhos o fazem. Vacinar uma pessoa contra a meningite na África custa aproximadamente um euro. A ong tem chegado a cordo com as autoridades locais para oferecê-las gratuitamente.

"Com a vacina se evita que a pessoa adoeça de meningite, mas não se evita a trasmissão", recorda Olimpia de la Rosa, responsável técnica pelas emergências para MSF. De la Rosa explica que a atual vacina oferece imunidade só por três anos, mas que a partir de 2010 se poderá utilizar uma nova que se alargará por 10 anos. Mas até lá, este 2009 está desimando com uma das partes mais pobres da África.

"Este ano a transmissão foi muito rápida, chegando aos campos de refugiados de Darfur", afirma a responsavél técnica do MSF. A transmissão deste tipo de meningite bacteriana (meningocócica de tipo A) se reproduz de pessoa a pessoa pelo nariz e pela boca. E o ar seco, o pó e o vento irritam a garganta e portanto, explica De la Rosa, esta não atua como barreira. As condições de vida pouco saudáveis aumento o risco de tramissão e infecção.

Para limitar a propagação da epidemia, 270 grupos de MSF trabalham neste projeto de vacinação massiva. Os especialistas calculam que mais de sete milhões de pessoas tenham que recer urgentemente a injeção, aos menos nestes três países, que estão localizados no que vem sendo chamado "Cinturão da Meningite", uma área geográfica que abrange do Senegal até a Etiópia, e que circuscreve uma população de mais de 300 millões de pessoas.

Cada dia, cada uma das 270 equipes médicas chegam a vacinar uns 1.500 homens e mulheres com idades compreendidas entre dos 2 e 30 anos, a populaçã de maior risco. "Trabalhamos em centros sanitários, escolas, em casas particulares, inclusive em lugares religiosos (xamãs), em praças, em baixo de árvores". É um trabalho simples, mas essencial. É a única forma de deter a epidemia ali onde pouco se sabe o que vem acontecendo no México. A África só registrou um caso suspeito da gripe A, na cidade de Ceuta.

Aqui as preocupações são outras: são contra o relógio e sem descanso, para evitar que a conhecida meningite siga destruindo milhares de vidas.

Texto de Fernando Navarro para El País

Tradução e grifos Graziele Saraiva

- E COMO SEMPRE AS CRIANÇAS SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS -

Links:

El País http://www.elpais.com/articulo/internacional/epidemia/habla/elpepuint/20090507elpepuint_3/Tes

Fotogaleria http://www.elpais.com/fotogaleria/Epidemia/meningitis/oeste/Africa/6448-1/elpgal/

Médicos Sem Fronteiras http://www.msf.org.br/noticia/msfNoticiasMostrar.asp?id=1026

29/04/2009

EPIDEMIA DE LUCROS.... Atchimmmmmmmm....

A nova epidemia de gripe suína, que dia a dia ameaça expandir-se por mais regiões do mundo, não é um fenômeno isolado. É parte da crise generalizada, e tem suas raízes no sistema de criação industrial de animais, dominado pelas grandes empresas multinacionais.

No México, as grandes empresas da área de avicultura e suinocultura têm proliferado amplamente nas águas (sujas) do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Alca). Um exemplo disso é a empresa Granjas Carroll, em Veracruz, propriedade da Smithfield Foods, que é a maior criadora de porcos e a maior processadora de produtos suínos no mundo, com filiais na América do Norte, Europa e China. No entorno de sua unidade em Perote começou,l há algumas semanas, uma virulenta epidemia de doenças respiratórias que afetou 60% da população de La Gloria, fato informado por La Jornada em várias oportunidades, a partir de denúncias dos habitantes locais. Eles conduzem há anos uma dura luta contra a contaminação provocada pela empresa, e inclusive têm sofrido a repressão de autoridades governamentais pelas denúncias. Granjas Carroll declarou que não tem nada a ver com a origem da atual epidemia, alegando que a população tinha uma “gripe comum”. Na dúvida, não fizeram análises para saber exatamente de que vírus se tratava.

Contrastando com isso, as conclusões do painel Pew Comission on Industrial Farm Animal Production (Comissão Pew sobre a Produção Animal Industrial), publicadas em 2008, afirmam que as condições de criação e confinamento da produção industrial, principalmente de suínos, criam um ambiente perfeito para a recombinação de vírus de diferentes cepas. Mencionam inclusive o perigo de recombinação das gripe aviária e suína, e finalmente como se pode chegar à recombinação de vírus que afetem e sejam transmitidos entre humanos. Mencionam também que, por muitos meios, incluindo a contaminação da água, podem chegar a localidades longínquas, sem aparente contato direto. Um exemplo do que devemos aprender é o surgimento da gripe aviária. Veja, por exemplo, o relatório do GRAIN (ONG que promove o desenvolvimento sustentável e a agricultura ecológica), que ilustra como a indústria da avicultura criou a gripe aviária (http://www.grain.org/front/).

Mas as respostas oficiais, diante da crise atual, além de serem demoradas (esperaram que os EUA anunciassem primeiro o surgimento do novo vírus, perdendo dias valiosos para combater a epidemia), parecem ignorar as causas reais e mais contundentes.

Mais do que enviar linhagens do vírus para sua seqüenciação genômica para cientistas com Craig Venter, que tem enriquecido com a privatização da pesquisa de de seus resultados (sequenciação que certamente já foi feita por pesquisadores de órgãos públicos no Centro de Prevenção de Doenças de Atlanta, EUA), o que é preciso é entender que esse fenômeno vai continuar se repetindo enquanto prosseguirem as condições de criação dessas doenças.

Já na epidemia, são também as multinacionais as que mais lucram: as empresas biotecnológicas e farmacêuticas que mopolizam as vacinas e os anti-vírus. O governo mexicano anunciou que tinha um milhão de doses de antígenos para atacar a nova linhagem de vírus da gripe suína, mas nunca informou quanto pagou por elas.

Os únicos anti-virais que ainda têm ação contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do planeta, e são propriedade de duas grandes empresas farmacêuticas: zanamivir, com o nome comercial de Relenza, fabricado por GlaxoSmithKline, e oseltamivir, cuja marca comercial é Tamiflu, patenteado por Gilead Sciences e licenciado de forma exclusiva ao laboratório Roche. A Glaxo e a Roche são, respectivamente, a segunda e a quarta maiores empresas farmacêuticas em escala mundial e, da mesma forma que com o restante de seus remédios, é nas epidemias que aparecem suas melhores oportunidades de negócios.

Com a gripe aviária, todas elas tiveram centenas de milhões ou bilhões de dólares de lucros. Com o anúncio da nova epidemia no México, as ações da Gilead subiram 3%, as da Roche 4% e as da Glaxo 6%, sendo isso somente o começo.

Outra empresa que persegue esse suculento negócio é a Baxter, que solicitou amostras do vírus e anunciou que poderia ter a vacina em 13 semanas. A Baxter, outra indústria farmacêutica global (está em 22° lugar no ranking), teve um “acidente” em sua fábrica na Áustria em fevereiro deste ano. Ela enviou um produto contra a gripe contaminado com vírus da gripe aviária para a Alemanha, Eslovênia e a República Tcheca. Segundo a empresa, “foram erros humanos e problemas no processo”, do qual alega não poder dar detalhes “por que teria que revelar processos patenteados”.

Não necessitamos somente enfrentar a nova epidemia de gripe: é preciso enfrentar também a dos lucros.

Silvia Ribeiro, La Jornada

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"Gripe Suína, Verdadeira emergência global"

A virulência com que o surto de gripe suína se abateu sobre o México, atingindo rapidamente os vizinhos EUA e Canadá e ameaçando converter-se numa pandemia global, surpreendeu a todos os observadores. Embora, possivelemente, ainda levará tempo para se estabelecer com precisão a origem e a trajetória da doença, alguns aspectos relevantes já merecem a devida consideração.

Primeiro, a situação assustadora que se abateu sobre o país literalmente da noite para o dia se gerou nas condições ultrajantes em que o México foi incorporado ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), praticamente na condição de "senzala" do grupo, fornecedor de mão-de-obra barata para segmentos da produção industrial estadunidense (o PIB mexicano corresponde a apenas 4% do total do bloco).

É evidente que quase duas décadas de saque econômico sem qualquer projeto de desenvolvimento industrial, com a quebra da produção agrícola destinada ao consumo interno (incapaz de competir com os produtos subsidiados estadunidenses) e investimentos quase nulos em infra-estrutura física, não poderiam produzir resultado diferente do colapso dos serviços básicos necessários ao bem-estar da população em geral - sanitários, médico-hospitalares, condições de trabalho decente etc. -, deficiências que prejudicam drasticamente a capacidade de resposta do país diante de uma emergência como essa.

O quadro do México deve acender um alerta vermelho, se ainda faltava um, para os problemas causados pela "globalização financeira" das últimas décadas, além de colocar em destaque o fato de que se trata de uma verdadeira emergência ambiental global - ao contrário da insidiosa campanha internacional para combater o suposto aquecimento global antropogênico.

Agora, o membro mais débil do NAFTA se descobre como um país com população subnutrida e acossada por múltiplas enfermidades ambientais. Embora não haja confirmação oficial, sabe-se que a epidemia se originou nos estados de Oaxaca e Vera Cruz. O primeiro é um estado paupérrimo situado na costa do Pacífico, do qual partem muitos das levas de refugiados econômicos que demandam os EUA em busca dos empregos que não encontram no país. O segundo, banhado pelo Golfo do México, tem grandes granjas de criação industrial de suínos e exibe os mais altos índices de brucelose da América Latina, infecção severa oriunda de produtos lácteos não-pasteurizados.O México é também detentor de um dos índices mais altos de leptospirose aguda, para citar apenas algumas enfermidades tipicamente "ambientais".

Por isso, trata-se de uma emergência mundial verdadeira, que apenas pode ser enfrentada a contento com um ativo e estreito processo de coordenação de esforços entre governos nacionais e agências multilaterais, baseado no entendimento de que o problema não se restringe a um único país ou região. Efetivamente, os seus efeitos podem atingir rapidamente grande parte do planeta, tanto com a proliferação da doença como pela irradiação de impactos socioeconômicos, não apenas no México, mas também com a eventual interrupção de fluxos comerciais transfronteiriços, no caso de uma pandemia mais grave. Aliás, o México irá necessitar de ajuda internacional, tanto de forma direta para responder à emergência epidemiológica, como a médio e longo prazo, para restabelecer uma capacidade de infra-estrutura sanitária mínimia necessária para estabilizar a produtividade agroindustial em condições aceitáveis para a população. Essa ajuda deverá considerar os enormes prejuízos decorrentes da paralisação das atividades econômicas em várias áreas do país, principalmente na capital federal - e não deve de forma alguma ser amarrada aos tradicionais condicionantes que usualmente acompanham os empréstimos de órgãos multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em especial, o episódio proporciona uma oportunidade para que o governo dos EUA assuma uma atitude bilateral diferente, contribuindo efetivamente para proporcionar uma solução concreta para o vizinho do sul, pois qualquer agravamento da já deteriorada situação socioeconômica mexicana - devido aos reflexos da crise econômico-financeira e à crise de segurança provocada pela violência do narcotráfico - tende a causar impactos transfronteiriços imediatos e perigosos.

Semelhante iniciativa custaria não mais do que uma pequena fração dos trilionários recursos financeiros consumidos no vão esforço de preservar os "ativos tóxicos" dos bancos estadunidenses tecnicamente falidos.

A experiência adquirida nos últimos anos com epidemias como a Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS, em inglês) e a gripe aviária melhorou consideravelmente a capacidade de resposta internacional a tais ameaças. Não obstante, isso não foi suficiente para os protagonistas internacionais se comprometessem a sério com o crucial aspecto da disponibilidade dos medicamentos necessários para o combate a variedades de gripe particularmente virulentas. Tanto no caso da gripe aviária de 2006-07 como no da suína atual, ambas parecem reagir apenas a medicamentos controlados pelos grandes laboratórios multinacionais - no caso, o custoso Tamiflu, da suíça Roche -, pelo que já se deveria ter estabelecido a liberação da patente e a sua fabricação como genérico em vários países (como, de resto, é previsto por leis internacionais para casos emergenciais). O problema é que mesmo de posse da fórmula do produto, países dotados de infra-estrutura laboratorial adequada (como o próprio México, China, Índia, Brasil e outros) levariam meses para se iniciar a sua produção. Ou seja, para a crise atual, resta esperar que ela não escape à capacidade de controle e sequer se aproxime da gravidade da epidemia asiática de SARS (2003) ou, pior ainda, da gripe espanhola de 1918-19, que afetou quase a metade da população mundial e causou um número de mortes estimado entre 20 e 40 milhões, em todos os continentes.

Porém, a especulação financeira não tem limites e, em meio à calamidade, as ações da Roche subiram 3,5% após o anúncio da epidemia. Em contrapartida, uma estimativa do Banco Mundial feita no ano passado sugere que uma pandemia de gripe poderia por si só causar um impacto de 3 trilhões de dólares na economia mundial e provocar uma retração de 5% do PIB global. Seguramente, um acordo com a multinacional intermediado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) custaria bem menos.

O conceituado mexicano Ricardo Rocha, do jornal El Universal, deu à sua coluna de 28 de abril o sugestivo título "México doente". "E não se trata unicamente dessa gripe suína e teimosa que se tornou psicose e que revela o tamanho de nossos medos. As doenças da nação são crônicas e já levam muito tempo.

"Evidentemente, a contingência é grave, mas o é mais por nossos órgãos ineficientes, por nossas escleroses múltiplas e pelas feridas tão profundas como as de 1988 ou 2006, que ainda não fecharam [referência às fraudes eleitorais que colocaram Carlos Salinas de Gortari e Felipe Calderón na Presidência da República]. Por isso, o impacto da gripe é ainda maior... No momento, o assassino invisível continua matando mexicanos em áreas crescentes do território. E não há quem possa detê-lo. Uma quarta praga, depois das crises financeira, econômica e social que ainda estamos padecendo. Uma prova de fogo para nossos governos. Uma epidemia de efeitos devastadores, sobretudo para os mais pobres. E é que este país, desde há muito tempo, está muito doente."

Diante dos prejuízos imediatos experimentados pela suinocultura em vários países, representantes do setor, inclusive brasileiros, estão sugerindo à OMS a mudança do nome da enfermidade para "gripe mexicana". Por sua vez, funcionários da agência preferem a denominação "gripe da América do Norte". Talvez o mais apropriado fosse denominá-la "gripe do NAFTA".

MSIA.ORG/29 de abril de 2009


Fontes:

http://www.jornada.unam.mx/2009/04/30/index.php

http://www.grain.org/principal/

http://www.msia.org.br/

15/04/2009

AS GUERRAS E AS MENTIRAS MIDIÁTICAS

Já faz algum tempo que guardei este material, e antes que ele ser perca de vez, posta-lo-ei!
Trata-se de um artigo de Michel Colon, adaptado por Mello (http://blogdomello.blogspot.com/2008/05/dez-guerras-dez-mentiras-miditicas.html)
Como foi escrito em 2008, a invasão à Gaza não foi elencada, mas serve como uma luva a nossa décima posição.



Cada guerra é precedida por uma mentira dos meios de comunicação de massa.


(...) Recordemos simplesmente quantas vezes os mesmos Estados Unidos e os mesmos meios já nos manipularam. Cada grande guerra se “justifica” pelo que mais tarde (demasiado tarde) aparecerá como uma simples desinformação. Um rápido inventário:


1) Vietnã (1964-1975)
Mentira midiática: Nos dias 2 e 3 de agosto o Vietnã do Norte teria atacado dois barcos dos Estados Unidos na baía de Tonkin.
O que se saberá mais tarde: Esse ataque não aconteceu. Foi uma invenção da Casa Branca.
Verdadeiro objetivo: Impedir a independência de Vietnã e manter o domínio dos Estados Unidos na região
Conseqüências: Milhões de vítimas, malformações genéticas (agente laranja), enormes problemas sociais.


2) Granada (1983)
Mentira midiática:: A pequena ilha do Caribe foi acusada de que nela se construía uma base militar soviética e de trazer perigo à vida de médicos americanos.
O que se saberá mais tarde: Absolutamente falso. O Presidente Reagan inventou esses pretextos.
Verdadeiro objetivo: Impedir as reformas sociais e democráticas do premiê Bishop (depois assassinado)
Conseqüências: Brutal repressão e restabelecimento da tutela de Washington.


3) Panamá (1989)
Mentira midiática: A invasão tinha o objetivo de prender o presidente Noriega por tráfico de drogas.
O que se saberá mais tarde: Formado pela CIA o presidente Noriega reclamava a soberania ao fim do acordo do canal, o que era intolerável para os Estados Unidos.
Verdadeiro objetivo: Manter o controle dos Estados Unidos sobre essa estratégica via de comunicação.
Conseqüências: Os bombardeios dos Estados Unidos mataram entre 2 e 4 mil civis, ignorados pelos meios.


4) Iraque (1991)
Mentira midiática: Os iraquianos teriam destruído parte da maternidade da cidade de Kuwait.
O que se saberá mais tarde: Invenção total da agência publicitária Hill e Knowlton, paga pelo emir de Kuwait.
Verdadeiro objetivo: Impedir que o Oriente Médio resista a Israel e se comporte com independência em relação aos Estados Unidos.
Conseqüências: Inumeráveis vítimas da guerra, depois um longo embargo, inclusive de medicamentos.


5) Somália (1993)
Mentira midiática: O senhor Kouchner aparece na cena como herói de uma intervenção humanitária.
O que se saberá mais tarde: Quatro sociedades americanas tinham comprado uma quarta parte do subsolo somali, rico em petróleo.
Verdadeiro objetivo: Controlar uma região militarmente estratégica.
Conseqüências: Não conseguindo controlar a região os Estados Unidos a manterão num prolongado caos.


6) Bósnia (1992-1995)
Mentira midiática: A empresa americana Ruder Finn e Bernard Kouchner divulga a existência de campos de extermínio sérvios.
O que se saberá mais tarde: Ruder Finn e Kouchner mentiram. Eram apenas campos de prisioneiros. O presidente muçulmano Izetbegovic o admitiu.
Verdadeiro objetivo: Quebrar uma Iugoslávia demasiado esquerdista, eliminar seu sistema social, submeter a zona às multinacionais, controlar o Danúbio e as estratégicas rotas dos Bálcãs.
Conseqüências: Quatro atrozes anos de guerra para todas as nacionalidades (muçulmanos, sérvios, croatas). Provocada por Berlin, prolongada por Washington.


7) Iugoslávia (1999)
Mentira midiática: Os sérvios cometem um genocídio contra os albaneses do Kosovo.
O que se saberá mais tarde: Pura e simples invenção da OTAN como o reconheceu Jaime Shea, seu porta-voz oficial.
Verdadeiro objetivo: Impor o domínio da OTAN nos Bálcãs e sua transformação em polícia do mundo. Instalar uma base militar americana no Kosovo.
Conseqüências: Duas mil vítimas dos bombardeios da OTAN. Limpeza étnica de Kosovo pelo UCK, protegido pela OTAN.


8) Afeganistão (2001)
Mentira midiática: Bush pretende vingar o 11 de setembro e capturar Bin Laden
O que se saberá mais tarde: Não existe nenhuma prova da existência dessa rede. Além disso, os talibãs tinham proposto extraditar Bin Laden.
Verdadeiro objetivo: Controlar militarmente o centro estratégico da Ásia, construir um oleoduto que permitisse controlar o abastecimento energético do sul da Ásia.
Conseqüências: Ocupação extremamente prolongada e grande aumento da produção e tráfico de ópio.


9) Iraque (2003)
Mentira midiática:: Saddam teria perigosas armas de destruição, afirmou Colin Powell nas Nações Unidas, mostrando provas.
O que se saberá mais tarde: A Casa Branca ordenou falsificar esses relatórios (assunto Libby) ou fabricá-los.
Verdadeiro objetivo: Controlar todo o petróleo e chantagear seus rivais; Europa, Japão, China…
Conseqüências: Iraque submerso na barbárie, as mulheres devolvidas à submissão e ao obscurantismo.



Nossa 10ª posição vai para..... uma guerra, que como todos sabemos não aconteceu!

E agora frente a nova política externa proposta por Barack Obama, é bem provável que não aconteça mesmo... mas não desmerecendo o texto e análise feita, ela está aqui entre as "mentiras midiáticas" que assistimos diariamente, encobertadas entre as manchetes de nossos grandes meios de comunicação:


10) VenezuelaEquador (2009 ???)
Mentira midiática: Chávez apoiaria o terrorismo, importaria armas, seria um ditador (o pretexto definitivo parece não ter sido escolhido ainda).
Verdadeiro objetivo: As multinacionais querem seguir com o controle petroleiro e de outras riquezas de toda América Latina, temem a libertação social e democrática do continente.
Conseqüências: Washington empreende uma guerra global contra o continente: golpes de estado, sabotagens econômicas, chantagens, estabelecimento de bases militares próximas às riquezas naturais.


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