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19/01/2012

Uma nova Guerra Fria?

Novas diretrizes do Pentágono para 2012 se voltam para a Ásia

Enquanto a guerra ao terror perde força, uma nova espécie de guerra fria emerge no cenário internacional depois do anúncio feito por Barack Obama, que mira diretamente no Irã e na China, países economicamente importantes no cenário asiático. 

Ao mesmo tempo em que - aumentam as sanções e repúdio internacionais às ações do governo iraniano, principalmente pelo fato da continuidade do seu programa nuclear, o Irã se configura como potência regional no Golfo Pérsico, sabidamente em detrimento da grande produção petroleira - crescem os investimentos chineses na região, situação que não poderia passar desapercebida pelo Governo Obama, que mesmo com todos os problemas internos, com a crise financeira internacional instaurada, se mantem como grande potência militar do mundo.

As já acirradas relações diplomáticas entre EUA e Irã se agravaram com o assassinato do cientista nuclear iraniano há algumas semanas atrás por uma explosão em carro bomba. Obviamente o governo de Mahmoud Ahmadinejad acusou o governo americano de tal ato, ainda mais que o ataque foi similar a outros quatro que aconteceram em Teerã nos últimos anos, o que foi veementemente negado pela Casa Branca (!).

Se estes conflitos diplomáticos, econômicos e políticos se mantiverem, ou se intensificarem, com a potente China se envolvendo diretamente para defesa de seus interesses internos, pode-se sim pensar em uma nova espécie de Guerra Fria.


Mas e frente a crise financeira internacional, estariam as grandes potências preparadas para uma corrida armamentista e para investimentos na área de defesa? E a Europa colapsada vai se posicionar ao lado de quem, caso venha a se configurar um conflito real, ou até mesmo de grandes proporções?


Estas e outras questões foram muito bem abordadas por essa edição do Programa Sem Fronteiras da Globo News, com a visão de diversos especialistas, analisa este incipiente e complexo contexto internacional.



Como o vídeo é de propriedade da Globo News não é possível incorporá-lo aqui, apenas a direção:

09/12/2011

Fox acusa Muppets de “lavagem cerebral” anticapitalista nas crianças


Para canal, Hollywood tem uma agenda liberal 

tentando difamar a indústria do petróleo e os ricos



Não bastou aos Muppets terem enfrentado um megaempresário inescrupuloso no último filme da franquia, lançado em 2011 pela Disney. Agora eles têm pela frente a fúria do império do magnata Rupert Murdoch, dono da gigante de mídia News Corporation.

Na última semana, o programa “Follow the Money” (ou “Siga o Dinheiro”, em português), afirmou que o filme faria parte de uma conspiração “liberal” para persuadir as crianças a rejeitarem o capitalismo. O programa, apresentado por Eric Bolling, passa no canal Fox Entertainment, pertencente ao grupo Fox, um dos braços da News Corporation.


O centro da polêmica gira em torno do personagem Tex Richman, o vilão do filme. A Fox, principal expoente da mídia conservadora norte-americana, e seus apresentadores, não entenderam porque o vilão deve ser um magnata do ramo do petróleo. No filme, Richman quer tomar o cinema dos Muppets, sem indenização, porque no terreno está localizado um poço de petróleo.

A íntegra da entrevista pode ser encontrada neste link, com o título: “Follow The Money, da Fox Business, desmascara a agenda liberal dos Muppets: Lavagem Cerebral em nossas crianças!”.

Estaria um filme da Disney tentando passar uma mensagem subliminar anticapitalista?
“Liberais tentando fazer homens de negócio bem-sucedidos parecerem maus... isso não é novidade”, começa Bolling. Na matéria, Bolling entrevistou o também jornalista Dan Gainor, membro do instituto Media Research Center. ”É incrível ver até onde vai a “esquerda” apenas para manipular nossas crianças, tentando os persuadir e dar uma mensagem anti-corporativa”, protestou Gainor.

O Media Research Center foi um grupo criado nos anos 1980 com a missão de “denunciar e combater a “agenda liberal” na mídia norte-americana”.
 
Bolling fazia perguntas da natureza: ”Estariam os liberais tentando fazer lavagem cerebral em nossas crianças contra o capitalismo?”. A idéia foi compartilhada pelo entrevistado, que afirma que Hollywood faz isso “há décadas”. “Eles odeiam a indústria petrolífera, assim como a “América” corporativa”, disse.

Gainor citou outros filmes em que acredita ter ocorrido um ataque à indústria petrolífera: “Carros 2”, “Syriana”, “Sangue Negro”. Fazem esquecer o que o petróleo significa para as pessoas: abastece hospitais, ambulâncias, aquece suas casas. Eles não contam essas histórias”, protestou.

Bolling em seguida, perguntou se os Muppets não faziam apologia ao movimento “Occupy Wall Street”. “Deve haver, é isso que estão ensinando às nossas crianças. Você vê agora a razão de termos um bando de gente nesse movimento por todo o país? Eles estão sendo doutrinados literalmente por anos por esse tipo de coisa”. 

Gainor volta a fazer uma lista de uma série de programas com fundo ambientalista em sua lista de lavagem: Capitão Planeta (super-herói que lutava pelo meio ambiente), o Big Green Help, do canal Nickelodeon (que ensina as crianças os benefícios de diversos princípios ambientais, como reciclagem), o filme “O Dia Depois de Amanhã” (que mostra um futuro apocalíptico da Terra após um desastre ambiental). “É isso que eles estão ensinando, que as empresas são ruins, que o petróleo é mau. E agora estão dizendo às crianças também o que disseram no filme Matrix: que a humanidade é um vírus na pobre mãe Terra”, completou.
 
Por sua vez, Bolling afirmou que, quando era criança e via alguém rico em um carro, seu pai costumava dizer a ele: “Está vendo aquele cara? Ele trabalhou duro para isso e você pode ficar assim um dia. E não ver o Tex Richman e dizer que ele é mau”.


Fonte: Opera Mundi

01/09/2011

E mais uma vez... é tudo pelo Petróleo

 
" defendam a liberdade de vocês[...] Vocês têm casa, saúde, escola gratuitos[...] Não se deixem seduzir pelos dólares de sangue [...] É tudo pelo petróleo [...] Acaso a civilização e a cultura ianque querem pendurar-me numa forca, como o líder do Iraque? Pois se acontecer, que seja. O martírio honra quem mostra a verdade ao mundo."
Discurso do Líder Líbio, Kadafi agosto/2011
“Aos meus compatriotas

Os assaltantes imperialistas que querem usurpar a terra de vocês, querem ver-me morto e já ofereceram um prêmio pela minha cabeça. Não sabem que minha cabeça, minha alma e o martírio pertencem a Alá, o grande deus. Mostrei ao mundo onde está o ninho da maldade.

Pensam vocês, meu irmãos, que o acontece ao meu país acontece por minha culpa? Não. Por isso lhes digo que defendam a liberdade de vocês. Ganhamos essa batalha e outras ganharemos. Deus é grande. Vocês têm casa, saúde, escola gratuitos.

Ajudei o Chifre da África e, aqui, nenhum imperialismo imperou. Mas não fiz o bastante. Agora, vocês sofrem. Lutei muito para que, agora, vocês percam tudo. Lutem, lutem, não descansem nem se acovardem.

Somos milhões no mundo que já vimos que as coisas são como eu sempre disse que eram: imperialismo é igual a escravidão. Não nos submeteremos. Meu legado há de servir também a outras nações. Não estou morto, porque muitos ainda me querem vivo.

Estou com vocês nesses dias e nas noites escuras. Estamos com Alá.

Meus irmãos, levem a guerra a cada rincão da opulência, da vaidade, da vida lasciva. Não se deixem seduzir pelos dólares de sangue. Os líbios são seres luminosos. Tenham todos a certeza de que vocês estão do lado da grandeza.

Deixem passar o tempo. Há forças no interior de vocês. Libertem-se dos demônios do mundo, vivam e deixem viver.

Todos sabem onde estou. Nos oásis mais belos de nosso país. Não destruam a Líbia. Já sobrevivemos a seis meses de martírio e dor. Mas essa é a terra de vocês. Não a vendam.

Minha alma está com vocês. Temos democracia participativa na Líbia. O povo, para o povo. E por que dizem que não? Porque eu estou aqui. Uma voz de revolução? Não. Nem pensam nisso. É tudo pelo petróleo.

O imperialismo está acabado. Irmãos da Revolução Verde, não caiam na mentira capitalista. Para que algum império sobreviva hoje, precisa de guerra eterna.

Vocês não veem que ainda estando eu vivo e combatendo essa batalha infernal, eles já brigam entre eles, disputando o butim da nossa Líbia amada?

Os dissidentes supõem que os colonialistas lhes darão o que eu lhes dei? Pois esperemos, para ver.

Minha família e eu estamos bem, lutando pela verdade. Sofro, apenas, por haver líbios matando líbios. Mas foi o que conseguiram os sediciosos. Eu nunca lutei luta que não fosse por meus princípios, ajudando o povo, o povo líbio e os povos africanos. E eles? O que têm a dizer? Nada! Todos os capitalistas racistas são iguais. São aves de rapina!

Eles e seus slogans de caridade: Ajudem as crianças da África? E que criança da África ganha deles alguma coisa? As doações vão para banqueiros e multinacionais e para as empresas que eles criam para lucro deles. Algum africano alguma vez foi beneficiado pelas empresas que eles criam? Não.

O Chifre da África sofre o que sofre por causa do imperialismo.
Sou líder e tenho o poder nas mãos. Vivo porque meu povo vive. Por isso querem calar-me. Kadafi aqui, hoje e sempre.

Povos do mundo levantem-se e façam fugir esses meios-homens que querem escravizar vocês.

Agora estou em Sirte. Nasci aqui. Sou filho humilde desse deserto líbio que me viu nascer. Estou em Trípoli, em Benghazi e no mundo. E daqui, falo. E os ianques, onde estão? O que têm a dizer?

Acaso a civilização e a cultura ianque querem pendurar-me numa forca, como o líder do Iraque?

Pois se acontecer, que seja. O martírio honra quem mostra a verdade ao mundo.

Muamar Kadafi”
 

A Líbia, a Otan e o 

Grande Médio Oriente

O que ocorrerá na Líbia após a guerra? Haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Assim, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da organização militar, na África.

“Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento, com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”.
John Arbuthnot Fisher, Primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275)


É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia” foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E, ainda por cima, acreditar que o governo de Muamar Kadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais, em poses publicitárias. Tudo isso, enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Otan à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a "primavera árabe" não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores.

Até porque quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. No caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma "mobilização massiva e democrática" da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e "pacificadas" transitoriamente, pelas forças militares da Otan.

Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era "manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo". E este objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991 a Otan passou por um período de "crise de identidade" e redefinição do seu papel dentro sistema internacional.

Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia. Além disso, decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E, ao mesmo tempo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”.

Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a "Iniciativa de Cooperação de Istambul" (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, neste mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.

Foram os ingleses que cunharam o termo "Oriente Médio", para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da Primeira Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França - que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa e que submeteram e colonizaram a maior parte da África Sub-Sahariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan.

Mas foi o ex-presidente norte-americano George W. Bush quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos EUA, em junho de 2004. A idéia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das Grandes Potências na sua guerra contra o “terrorismo islâmico” e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Desta perspectiva, se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe” e da Guerra da Líbia.

Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, estará dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E, de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan, na África. Triste sina da África!
  José Luís Fiori, 
cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

11/07/2011

Sudão do Sul é o país mais novo e mais pobre do planeta

O Sudão era o maior país em extensão do continente africano, onde a geografia foi  desenhada sob fronteiras artificiais impostas pelo período de colonização européia, cujos recortes no mapa obedeceram a regras econômicas, considerando prêmios de guerra e ignorando a história e organização tribal dos povos que ali viviam. Forçando migrações, formando campos de refugiados, gerando guerras civis, sangrando ainda mais a África.

Sudão do Sul declarou sua independência no último sábado, se tornando o Estado membro número 193 da Organização das Nações Unidas, na qual ingressará ainda nesta semana.

O novo país africano tem recursos naturais abundantes, petróleo e uma enorme diversidade cultural, mas sofre com a corrupção e mais de meio século de inúmeros conflitos étnicos.

Após comemorar a independência, o Sudão do Sul terá de resolver a questão da fonteira com o norte
 
O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.

Nesta sexta-feira, o governo do presidente sudanês, Omar Bashir*, reconheceu formalmente a independência da parte sul de seu país. Ele estará em Juba, no sábado para a festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será recepcionado pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.


As grandes diferenças que dividem o Sudão são visíveis até do espaço, como mostra essa imagem de satélite da Nasa. Os Estados do Norte são uma área desértica, interrompida apenas pelo fértil vale do Nilo. O Sul do Sudão é coberto por vastas áreas verdes, pântanos e florestas tropicais.
 
Apesar de possuir grandes reservas de petróleo (controladas em sua maioria por multinacionais chinesas, com sede no norte), o Sudão do Sul nasce como um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega em 84% entre as mulheres.

O Sudão exporta bilhões de dólares em petróleo por ano. Os Estados do sul produzem mais de 80% do total, mas recebem apenas 50% das divisas, o que exacerba as tensões com o norte. A região fronteiriça de Abyei, rica em petróleo, realizará um referendo sobre se deve juntar-se ao norte ou ao sul.

Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e Ruanda somadas.


Para uma visão mais aprofundada,
com a opinião de especialistas, 
assista o Sem Fronteiras da Globo News:

 


*O presidente do Sudão, al-Bashir, é um dos piores assassinos em massa do mundo. Denunciado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, durante 20 anos ele tem massacrado repetidamente comunidades inteiras que enfrentaram seu governo.



Dentre elas,
DARFUR - OESTE DO SUDÃO


Um dos maiores campos de refugiados do mundo, conta hoje com aproximadamente 80 mil pessoas. Os campos de refugiados sudaneses se multiplicaram dentro e fora do Sudão desde o início da violência em Darfur no oeste do país. Em função dos conflitos, tornou-se cada vez mais comum encontrar sudaneses refugiados no norte e no sul do país, bem como nos países vizinhos como Chade, Uganda, Quênia e Egito.


Calcula-se que mais de 2 milhões de pessoas tiveram que abandonar suas casas assumindo a condição de refugiadas desde o início do genocídio em 2003. Trata-se de uma multidão que caminha sem direção e que na luta pela sobrevivência teve que de uma hora para outra abandonar sua terra e tudo mais que possuía: casa, bens, animais e familiares.
Campo de refugiados de Darfur no Chade
O conflito iniciado em 2003, entre tribos nômadas árabes e não árabes, ficou mundialmente conhecido como GENOCÍDIO DE DARFUR, onde estima-se que morreram mais de 400 mil pessoas.


O governo dos Estados Unidos também o considera genocídio, embora as Nações Unidas ainda não o tenham feito, pois a China, grande parceira comercial do governo sudanês, defende o país em todos os fóruns internacionais que abordam o tema. Algumas propostas de intervenção militar internacional realizadas na ONU não foram aprovadas por veto deste país.


Observação: O presidente al-Bashir hoje foi recebido com honras de chefe de Estado na China.
 



31/05/2011

A hipocrisia do discurso de Obama sobre o Oriente Médio



A profunda hipocrisia do discurso do presidente Obama sobre o Oriente Médio onde mantém e continua a financiar uma rede de ditaduras submissas brutais, financia a máquina de guerra israelense e leva a efeito repetidas invasões, bombardeios e ocupações contra os povos da região.

  

O presidente Obama foi ao ar em 18/05 para falar sobre as revoltas e os conflitos que se espalham pelo Oriente Médio. A hegemonia dos Estados Unidos sobre está região estratégica e rica em petróleo tem sido o pivô da política externa de Washington por décadas. Utilizando um sistema de poder e de regimes submissos, a par de suas vastas forças militares na região, os Estados Unidos vêm sustentando uma rede de ditaduras brutais e o regime israelense por décadas.

Este sistema de controle imperial vem sendo sacudido por levantes populares que começaram na Tunísia e se espraiaram para o Egito e outros países. Sobre esta conjuntura, a administração Obama se pronunciou na sede do Departamento de Estado como parte de um esforço para reafirmar a liderança norte-americana sobre a região ora em processo de célere mudança.

Valendo-se da retórica de democracia e liberdade para mascarar a responsabilidade do imperialismo norte-americano na duradoura opressão e sofrimento por que passam os povos do Oriente Médio, o discurso do presidente Obama foi uma demonstração de inescrutável hipocrisia.

Hipocrisia: o presidente Obama disse que “o maior recurso não explorado no Oriente Médio e Norte da África é o talento de seus povos”. 

Realidade: a estratégia dos Estados Unidos é baseada no controle do mais cobiçado recurso do Oriente Médio: dois terços das reservas mundiais conhecidas de petróleo. O governo de Washington forneceu bilhões de dólares e armou as mais brutais ditaduras do Oriente Médio durante décadas, uma prática a que a administração Obama deu ampla continuidade.



O governo dos Estados Unidos jamais bloqueou ou cortou os fundos destinados à ditadura de Mubarak ainda quando o regime matou mais de 850 pacíficos manifestantes. Mais de 5 mil civis no Egito foram acusados e presos desde 25 de janeiro em julgamentos conduzidos pelos militares egípcios. Os Estados Unidos continuam a enviar maciças somas aos militares egípcios a despeito da contínua repressão contra o povo.

Hipocrisia: O presidente Obama declarou: “a política dos Estados Unidos será de promover reformas em toda a região e de apoiar as transições para a democracia”. 

Realidade: Os únicos governos do Oriente Médio que foram objeto de invasão, sanções econômicas e derrubadas pelo governo dos Estados Unidos foram aqueles que seguem políticas independentes do controle, político, militar e econômico dos Estados Unidos.

Washington jamais impôs sanções econômicas à ditadura de Mubarak e somente se manifestou publicamente contra Mubarak quando a maré da revolução tornou-se irresistível. Do mesmo modo, os Estados Unidos apoiam a brutal monarquia da Arábia Saudita.

Hipocrisia: o presidente Obama advoga para os povos do Oriente Médio os “direitos fundamentais de expressar seu pensamento e ter acesso às informações”, afirmando que, “a verdade não pode ser escondida e a legitimidade dos governos vai depender em última instância de cidadãos ativos e bem informados”.

Realidade: a administração Obama exorbitou ao punir aqueles que queriam informar o público ao jogar luz sobre as atividades do governo norte-americano. Bradley Manning permanece em prisão sob ameaça de prisão perpétua, sendo mantido em brutais condições que levaram o Relator Especial sobre Tortura das Nações Unidas a buscar investigação.

O Departamento de Justiça está trabalhando à máxima velocidade para processar Julian Assange, do Wikileaks, por abrir documentos governamentais ao público, muitos dos quais expõem o papel dos Estados Unidos no Oriente Médio.

O governo Obama leva a cabo uma grande campanha, mais agressiva do que qualquer governo anterior, a fim de processar criminalmente informantes que exponham a verdade sobre ações governamentais ilegais. 

Hipocrisia: o presidente Obama declarou: “Os Estados Unidos se opõem ao uso da violência e da repressão contra o povo da região.” 

Realidade: Os Estados Unidos sob Obama estão envolvidos na invasão, ocupação e bombardeio ao mesmo tempo de quarto países predominantemente muçulmanos: Iraque, Afeganistão, Líbia e Paquistão. Além do mais, o chefe de Estado, isoladamente o maior violador dos direitos humanos fundamentais e perpetuador da violência na região, é George W. Bush, cuja invasão ilegal do Iraque custou a vida de mais de um milhão de pessoas. 

A invasão de 19 de março de 2003 foi uma guerra de agressão contra um país que não constituía nenhuma ameaça aos Estados Unidos ou ao povo dos Estados Unidos. A invasão e ocupação do Iraque levaram à morte de mais árabes do que os que foram mortos por todas as ditaduras da região somadas. O presidente Obama chamou Osama Bin Laden de assassino em massa.
O 11 de setembro de 2001 foi de fato um repugnante crime que tirou a vida de milhares de trabalhadores inocentes, mas medindo-se na ordem de magnitude de vítimas fatais, o crime de assassinato em massa no Iraque não tem comparação. George W. Bush não só não foi preso por assassinato em massa do povo iraquiano como é tratado com honras pela administração Obama. 

Hipocrisia: Numa tentativa de apaziguar a opinião pública árabe, o discurso do presidente Obama dá a impressão que os Estados Unidos insistem com o retorno de Israel às fronteiras anteriores a 1967. Obama afirmou “precisamente devido à nossa amizade, é importante que eu diga a verdade: o status quo é insustentável e Israel também deve agir corajosamente em direção a uma paz duradoura”.

Realidade: A guerra de Israel contra o povo palestino seria impossível sem o apoio dos Estados Unidos, que segue constante. O maior destinatário individual da ajuda externa dos Estados Unidos é o Estado de Israel, que usa os 3 bilhões de dólares de receita anualmente para manter o sítio ao povo de Gaza, continuar a ocupação ilegal da Cisjordânia e evitar o retorno das famílias de 750 mil palestinos que foram expulsos de suas casas e aldeias da Palestina histórica em 1948.

As Nações Unidas, em várias resoluções, condenaram a invasão e ocupação israelense em 1967 de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas de Golã da Síria. Longe de impor sanções econômicas, o presidente Obama prometeu a Israel um mínimo de 30 bilhões de dólares em ajuda militar para os próximos 10 anos, funcionando, portanto, como um parceiro da ocupação.

O discurso de Obama deixou claro também que os Estados Unidos apoiariam Israel na retenção de vastas faixas da Cisjordânia. Isto é o que ele quis dizer ao se referir a “permuta de terras”. Nos próximos dias, Obama manterá encontros privados com Benjamin Netanyahu e será o orador principal da conferência do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee). Com certeza, irá reforçar os fortes vínculos militares com Israel e a ajuda financeira.

Hipocrisia: o presidente Obama declarou: “Nós apoiamos um conjunto de direitos universais. Esses direitos incluem liberdade de expressão; liberdade de reuniões pacíficas; liberdade de religião; igualdade entre homem e mulher sob o império da lei e liberdade para escolher seus próprios líderes – onde quer que você viva em Bagdá ou Damasco, Sanaa ou Teerã ... Continuaremos a insistir que esses direitos universais se apliquem tanto às mulheres quanto aos homens.” 

Realidade: Enquanto o governo dos Estados Unidos, junto com a Inglaterra e a França, os antigos colonizadores do Oriente Médio e da África, bombardeavam a Líbia com mísseis e bombas de última geração em nome da “proteção aos civis” e da “promoção da democracia”, o governo Obama apresentava a mais morna crítica à monarquia do Bahrein quando esta e a monarquia saudita matavam e prendiam manifestantes pacíficos no Bahrein.
Nenhuma sanção foi imposta ao Bahrein ou Arábia Saudita. A monarquia saudita é a suprema negação de democracia, privando as mulheres de todos os direitos, privando os trabalhadores de formar sindicatos e privando todos os setores da população de qualquer direito de livre manifestação, reunião ou imprensa. Nunca houve eleição na Arábia Saudita.

Porém as funções da monarquia saudita como cliente e submissa dos Estados Unidos não fazem dela objeto de sanções econômicas ou “mudança de regime” como o são os governos da Síria e da Líbia. A monarquia do Bahrein igualmente funciona como cliente dos Estados Unidos e permite que a 5ª Frota utilize o Bahrein como base naval. Eis o motivo porque Washington refere-se à monarquia como “um parceiro de longa data”.

Hipocrisia: O presidente Obama denunciou o governo do Irã, afirmando que “iremos continuar a insistir que o povo iraniano merece ter direitos universais” e condenou o que ele chamou de “programa nuclear ilícito” do Irã.

Realidade: Ele deixou de mencionar que foi a CIA junto com o serviço secreto britânico, que orquestrou a derrubada do governo democrático do Irã em 1953 e reinstalou a monarquia do xá. Eles derrocaram a democracia iraniana quando o Irã nacionalizou seu petróleo da AIOC/British Petroleum. Os Estados Unidos só romperam relações com o governo iraniano quando a ditadura do xá foi derrocada por uma revolução nacional popular.

Com relação às armas nucleares, o governo de Israel recusou-se a assinar o tratado de não-proliferação nuclear e acumulou 200 “ilícitas” armas nucleares. É claro, os Estados Unidos têm milhares de armas nucleares e permanece sendo o único país a ter usado armas nucleares, destruindo Hiroshima e Nagasaki em 1945.

Hipocrisia: o presidente Obama diz ao mundo que os Estados Unidos partilham dos objetivos da revolução árabe, que “a repressão irá fracassar, que as tiranias irão cair, e que todo homem e mulher são dotados de certos direitos inalienáveis.”

Realidade: O governo dos Estados Unidos, seja ele comandado pelos republicanos ou democratas, vê o Oriente Médio, rico em petróleo, pelas lentes do império. Operando por meio de uma rede de regimes amigos que inclui Israel, Arábia Saudita, Jordânia, a ditadura de Mubarak no Egito, o xá do Irã até sua deposição em 1979 e outros regimes da região, suplementado por dezenas de milhares de tropas norte-americanas posicionadas em bases de toda a região, e por porta-aviões, os Estados Unidos almejam dominar e controlar a região responsável por dois terços das reservas mundiais de petróleo conhecidas.

Mantém e continua a financiar uma rede de ditaduras submissas brutais, financia a máquina de guerra israelense e leva a efeito repetidas invasões, bombardeios e ocupações contra os povos da região. 



22/05/2011  Brian Becker e Mara Verheyden-Hilliard* | Washington
 
* Brian Becker é co-diretor do International Action Center. Mara Verheyden-Hilliard é ativista, promotora e co-fundadora da Partnership for Civil Justice. Ambos co-escreveram esse artigo para a organização ANSWER (Act Now to Stop War and End Racism). Traduzido por Max Altman. 

01/12/2010

COBERTURAS IMPARCIAIS

Porque não recebem espaço na Mídia as mulheres que são diariamente
enforcadas, apedrejadas, assassinadas na Arábia Saudita??? 
- aliás nunca ouviu-se falar -
Será que é pq a Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e subserviente aos interesses de seu maior aliado os EUA, e não do eixo do mal como o IRÃ? 
Lembrando que a pena de morte também é praticada em diversos estados americanos.
 * * * 

O GLOBO 30/11/2010

Mulher condenada por matar esposa de amante é enforcada no Irã http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/12/01/mulher-condenada-por-matar-esposa-de-amante-enforcada-no-ira-923156734.asp

14/08/2009

O PLANO COLÔMBIA E AS MULTINACIONAIS

O Plano Colômbia foi criado em 2000, pelo governo estadunidense do então presidente George W.Bush. Oficialmente destina-se à combater o narcotráfico - produção e tráfico de cocaína, e desestruração das guerrilhas de esquerda - as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a ELN (Exército de Libertação Nacional).

Com ajuda financeira e militar, os EUA tem livre acesso à região,

que é geopolíticamente estratégica na América do Sul:

Tanto por sua posição geográfica, faz fronteira com a Venezuela - maior produtor e exportador petrolífero da região, e ao mesmo tempo, maior opositor do governo norte-americano e consequentemente, do governo colômbiano, como por suas riquezas energéticas (petróleo, gás e carvão) e minerais, salvaguardando os interesses de suas corporações multinacionais.

Eleito sob o discurso de por fim as ações dos paramilitares, guerrilheiros e narcotraficantes, Álvaro Uribe - teve sua campanha explicitamente financiada e apoiada pelos EUA - e desde então, a situação na região tem se mostrado cada vez mais tensa.

A relação diplomatica entre Colômbia e seus vizinhos sul-americanos é um tanto indigesta, e tende a se acirrar cada vez mais, principalmente agora, depois do aceite dado por Uribe, à instalação de bases militares estadunidenses em solo colômbiano.

Em recente reunião de cúpula da UNASUL - União das Nações Sul-Americanas - leia-se: países membros da Comunidade Andina + países membros do Mercosul + Chile/Guiana/Suriname e Venezuela (que aguarda a votação autorizando seu ingresso no Mercosul), os líderes do Bloco Econômico, formalizado em 2008 com pretensões de integração dos países e mercados nos Moldes da União Européia, reuniram-se em Quito, para discussão das pautas, sendo que a mais polêmica era esta da militarização yanque na Colômbia, lógico que frente a esperada pressão, a única cadeira de líder vazia, foi a de Uribe.

Hugo Chavez não perdeu a oportunidade e polemizou ao afirmar que "Ventos de Guerra" sopram na região....

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O texto abaixo mostra que

Metade do dinheiro dos EUA no Plano Colômbia se destina aos cofres das suas próprias multinacionais

O Departamento de Estado dos Estados Unidos investirá, ao longo de 2009, aproximadamente 520 milhões de dólares no Plano Colômbia. Mais da metade desse dinheiro será para multinacionais norte-americanas encarregadas de desenvolver, promover e impulsionar a guerra irregular em território colombiano.

A denúncia foi comprovada pela advogada americana-venezuelana Eva Golinger. "Isso comprova a privatização total da guerra na Colômbia. Essas transnacionais não têm a obrigação de responder legalmente a nenhum sistema judicial do mundo. Gozam de total imunidade", assinalou a pesquisadora. Golinger explicou que em documentos governamentais desclassificados, foi encontrada uma lista de 31 multinacionais estadunidenses ligadas ao Departamento de Estado. Porém, apesar de serem empresas americanas contratadas pelo Pentágono, não estão sujeitas a nenhuma lei pública dos EUA. "Como parte do acordo binacional, na Colômbia têm imunidade total, quer dizer, não respondem a ninguém por seus crimes, ações e operações", enfatizou. Entre as principais empresas, que já têm um longo histórico bélico no mundo, etsão a Lockheed-Martin, uma das maiores do complexo industrial militar dos Estados Unidos. Outras multinacionais financiadas na Colômbia são a Dyn Corp International, a Arinc, a Oackley Network - que entrega softwares de monitoração de internet -, a ITT - transnacional de telecomunicações - e o Grupo Rendón, que trabalha com operações psicológicas na mídia.








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