Um blog feito de História(s): Com Política Internacional, Economia, Literatura, Cultura, Música... dentre outras cositas más!
18/03/2012
Política em Quadrinhos
| Reações: |
19/01/2012
Uma nova Guerra Fria?
Mas e frente a crise financeira internacional, estariam as grandes potências preparadas para uma corrida armamentista e para investimentos na área de defesa? E a Europa colapsada vai se posicionar ao lado de quem, caso venha a se configurar um conflito real, ou até mesmo de grandes proporções?
Estas e outras questões foram muito bem abordadas por essa edição do Programa Sem Fronteiras da Globo News, com a visão de diversos especialistas, analisa este incipiente e complexo contexto internacional.
| Reações: |
31/05/2011
A hipocrisia do discurso de Obama sobre o Oriente Médio
Valendo-se da retórica de democracia e liberdade para mascarar a responsabilidade do imperialismo norte-americano na duradoura opressão e sofrimento por que passam os povos do Oriente Médio, o discurso do presidente Obama foi uma demonstração de inescrutável hipocrisia.
Hipocrisia: o presidente Obama disse que “o maior recurso não explorado no Oriente Médio e Norte da África é o talento de seus povos”.
O governo dos Estados Unidos jamais bloqueou ou cortou os fundos destinados à ditadura de Mubarak ainda quando o regime matou mais de 850 pacíficos manifestantes. Mais de 5 mil civis no Egito foram acusados e presos desde 25 de janeiro em julgamentos conduzidos pelos militares egípcios. Os Estados Unidos continuam a enviar maciças somas aos militares egípcios a despeito da contínua repressão contra o povo.
Hipocrisia: O presidente Obama declarou: “a política dos Estados Unidos será de promover reformas em toda a região e de apoiar as transições para a democracia”.
Washington jamais impôs sanções econômicas à ditadura de Mubarak e somente se manifestou publicamente contra Mubarak quando a maré da revolução tornou-se irresistível. Do mesmo modo, os Estados Unidos apoiam a brutal monarquia da Arábia Saudita.
Hipocrisia: o presidente Obama advoga para os povos do Oriente Médio os “direitos fundamentais de expressar seu pensamento e ter acesso às informações”, afirmando que, “a verdade não pode ser escondida e a legitimidade dos governos vai depender em última instância de cidadãos ativos e bem informados”.
O Departamento de Justiça está trabalhando à máxima velocidade para processar Julian Assange, do Wikileaks, por abrir documentos governamentais ao público, muitos dos quais expõem o papel dos Estados Unidos no Oriente Médio.
O governo Obama leva a cabo uma grande campanha, mais agressiva do que qualquer governo anterior, a fim de processar criminalmente informantes que exponham a verdade sobre ações governamentais ilegais.
As Nações Unidas, em várias resoluções, condenaram a invasão e ocupação israelense em 1967 de Gaza, da Cisjordânia e das Colinas de Golã da Síria. Longe de impor sanções econômicas, o presidente Obama prometeu a Israel um mínimo de 30 bilhões de dólares em ajuda militar para os próximos 10 anos, funcionando, portanto, como um parceiro da ocupação.
O discurso de Obama deixou claro também que os Estados Unidos apoiariam Israel na retenção de vastas faixas da Cisjordânia. Isto é o que ele quis dizer ao se referir a “permuta de terras”. Nos próximos dias, Obama manterá encontros privados com Benjamin Netanyahu e será o orador principal da conferência do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee). Com certeza, irá reforçar os fortes vínculos militares com Israel e a ajuda financeira.
Hipocrisia: o presidente Obama declarou: “Nós apoiamos um conjunto de direitos universais. Esses direitos incluem liberdade de expressão; liberdade de reuniões pacíficas; liberdade de religião; igualdade entre homem e mulher sob o império da lei e liberdade para escolher seus próprios líderes – onde quer que você viva em Bagdá ou Damasco, Sanaa ou Teerã ... Continuaremos a insistir que esses direitos universais se apliquem tanto às mulheres quanto aos homens.”
Porém as funções da monarquia saudita como cliente e submissa dos Estados Unidos não fazem dela objeto de sanções econômicas ou “mudança de regime” como o são os governos da Síria e da Líbia. A monarquia do Bahrein igualmente funciona como cliente dos Estados Unidos e permite que a 5ª Frota utilize o Bahrein como base naval. Eis o motivo porque Washington refere-se à monarquia como “um parceiro de longa data”.
Hipocrisia: O presidente Obama denunciou o governo do Irã, afirmando que “iremos continuar a insistir que o povo iraniano merece ter direitos universais” e condenou o que ele chamou de “programa nuclear ilícito” do Irã.
Hipocrisia: o presidente Obama diz ao mundo que os Estados Unidos partilham dos objetivos da revolução árabe, que “a repressão irá fracassar, que as tiranias irão cair, e que todo homem e mulher são dotados de certos direitos inalienáveis.”
Realidade: O governo dos Estados Unidos, seja ele comandado pelos republicanos ou democratas, vê o Oriente Médio, rico em petróleo, pelas lentes do império. Operando por meio de uma rede de regimes amigos que inclui Israel, Arábia Saudita, Jordânia, a ditadura de Mubarak no Egito, o xá do Irã até sua deposição em 1979 e outros regimes da região, suplementado por dezenas de milhares de tropas norte-americanas posicionadas em bases de toda a região, e por porta-aviões, os Estados Unidos almejam dominar e controlar a região responsável por dois terços das reservas mundiais de petróleo conhecidas.
Mantém e continua a financiar uma rede de ditaduras submissas brutais, financia a máquina de guerra israelense e leva a efeito repetidas invasões, bombardeios e ocupações contra os povos da região.
| Reações: |
01/12/2010
COBERTURAS IMPARCIAIS
Porque não recebem espaço na Mídia as mulheres que são diariamente
enforcadas, apedrejadas, assassinadas na Arábia Saudita???
- aliás nunca ouviu-se falar -
Será que é pq a Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e subserviente aos interesses de seu maior aliado os EUA, e não do eixo do mal como o IRÃ?
Lembrando que a pena de morte também é praticada em diversos estados americanos.
* * *
O GLOBO 30/11/2010
Mulher condenada por matar esposa de amante é enforcada no Irã http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/12/01/mulher-condenada-por-matar-esposa-de-amante-enforcada-no-ira-923156734.asp
| Reações: |
08/07/2009
LIÇÕES DA REPRESSÃO
Quando o martelo da tirania desce,
como mostra a história, o impacto é imprevisível,
seja no Irã, na China, na Polônia, em Mianmar ou em Honduras
Polícia de Honduras dispersa seguidores do presidente Zelaya, deposto em golpe no mês passado.
Quando o grito de protesto nas ruas de Teerã passou de "Morte à América!" para o mais estranho "Morte ao ditador!", houve uma grande tentação a concluir que os dias dos mulás estavam contados. Mas, como disse o presidente dos EUA, Barack Obama, no mês passado, "ainda não sabemos como essa coisa vai evoluir".
Em todo o mundo se faziam versões da mesma pergunta: o recurso à repressão crua vai funcionar? Ou com o tempo ele vai ser contraproducente, apenas aumentando a enorme divisão política?
A história da repressão para salvar regimes -ou pelo menos seus líderes- é longa. E cada caso é diferente: alguns regimes se desgastam sob a pressão popular, enquanto outros são flexíveis e se adaptam a ela; alguns podem usar o nacionalismo em seu favor, enquanto para outros é sua dissolução. E, se alguns governos são meras tiranias, a estrutura do sistema político do Irã é especialmente complexa e opaca.
Mas há uma linha comum: são as forças de segurança, das quais depende, em última instância, o destino dos regimes. Elas podem decidir se seus melhores interesses estão com os poderes que protegem. Se decidirem que há maior probabilidade de prosperar sob uma nova liderança, o poder pode cair com rapidez.
Existem muitas gradações nessa escala.
Há 20 anos, em junho, muitas pessoas, dentro e fora da China, que testemunharam a revolta na Praça Tiananmen previram o início do fim do Partido Comunista. Estavam enganadas. Duas décadas depois, o próprio partido mudou radicalmente -deixou de lado sua ideologia revolucionária e a substituiu por um pacto social construído sobre um forte crescimento econômico- para continuar seguro, mantendo o poder com a firmeza de sempre.
Como ele fez isso? Nas últimas duas décadas, o Partido Comunista chinês permitiu eleições locais, tolerou protestos contra a poluição ou a corrupção (desde que não atingissem profundamente os poderes da liderança nacional) e deu maior liberdade a viagens ao exterior e à internet (com alguns limites rígidos). E as classes ascendentes aceitaram as regras não escritas. Enquanto isso, os militares obtiveram espólios; hoje, seus empreendimentos financeiros são parte da florescente economia chinesa.
É um exemplo que os iranianos, supõe-se, têm observado com cuidado, mesmo que apenas nesse sentido: sua Guarda Revolucionária também tem crescido em importância e influência financeira.
Voltando um pouco na história, porém, para os levantes na Polônia no início da década de
Lá, a repressão também funcionou no início. As forças de segurança, parte do Pacto de Varsóvia, foram chamadas para impor a lei marcial e permaneceram leais a um governo firmemente situado na órbita da União Soviética. Mas, após uma década, a força do regime se desgastou, enquanto sindicalistas, intelectuais e finalmente as forças de segurança perderam toda a confiança em um governo que consideravam ilegítimo.
Parte do motivo de o regime ter-se mostrado vulnerável foi que os próprios poloneses o viam como um implante estrangeiro. Por isso, quando a URSS começou a desmoronar, as forças de segurança reconheceram que seu próprio patrão estava em grande dificuldade.
Mas o modelo não se encaixa no Irã. Os mulás podem ser fundamentalistas, intolerantes e até fraudadores de votos, mas seu trunfo é que são iranianos até a medula e que sua própria revolução, 30 anos atrás, removeu um autocrata cujo principal defensor externo eram os EUA.
Os exemplos não param aí. Desde 29 de junho, manifestantes em Honduras se chocaram com forças do Exército depois que líderes militares derrubaram o presidente Manuel Zelaya. Os militares se mantiveram firmes quando a ONU condenou o golpe. A brutal junta de Mianmar (ex-Birmânia), que recompensa os militares leais, embora corruptos, resiste há décadas aos protestos do movimento democrático. Os todo-poderosos militares da Coreia do Norte nunca deixaram os protestos vingarem, enquanto obtinham armas nucleares e a população passava fome. Por outro lado, na Indonésia e na Nicarágua, as primeiras brechas nas ditaduras rapidamente desfizeram os mitos do controle
invencível.
O caso da Nicarágua, na década de 1970, foi uma lição sobre o preço de se perder os principais apoiadores. A dinastia Somoza havia suportado rebeliões, mas cometeu um erro crucial quando desperdiçou a ajuda estrangeira enviada para salvar sua economia combalida depois do terremoto de 1972. Isso, combinado com sua brutalidade, alienou importantes líderes da classe média, que fizeram causa comum com os sandinistas de esquerda enquanto os EUA cortavam a ajuda militar. Em 1979, os rebeldes tinham derrotado o Exército.
"É cedo demais para tirar conclusões sobre que modelo cabe no Irã", disse Zbigniew Brzezinski, que foi assessor de Segurança Nacional do presidente americano Jimmy Carter (1977-81). "Mas, neste caso, sou pessimista em curto prazo e otimista em longo prazo."
Isso capta bem o moral dos assessores de Obama. Vários deles advertiram que não estava claro o que os iranianos pretendiam. "Os estudantes em Tiananmen queriam a democracia, os poloneses queriam a mudança de regime, mas os iranianos podem estar buscando algo intermediário", disse um dos principais assessores de Obama.
Robert Litvak, autor de "Regime Change" (Mudança de regime), um estudo sobre como os regimes modernos caíram, disse: "A verdade é que um pouso suave para a sociedade iraniana não é um pouso suave para a liderança". Até agora "os iranianos não estão suficientemente unidos contra o regime como estavam os poloneses no final dos anos 80", observou. Além disso, o regime polonês era mais frágil: como era considerado um instrumento dos soviéticos, a oposição podia usar as emoções nacionalistas.
No Irã, não. Até agora, a Guarda Revolucionária parece completamente alinhada ao líder supremo e ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. A guarda dirige o programa nuclear iraniano; se a oposição ganhar o poder, a guarda terá de se perguntar o que pode negociar.
E agências internacionais estimam que o Irã poderia se tornar capaz de montar uma arma nuclear entre 2010 e 2015. Como disse um assessor de Obama, "para a liderança, isso sugere que nos próximos cinco anos não se deve mexer na fórmula".
Análise de DAVID SANGER
WASHINGTON
THE NEW YORK TIMES textos selecionados para a FOLHA DE SÃO PAULO 06/07/2009
| Reações: |







