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16/05/2011

A Globalização e a Integração Regional


 Texto publicado na Revista do 
Laboratório de Estudos do Tempo Presente - UFRJ

 


Os efeitos da Globalização no processo de integração dos Blocos Econômicos:  O Mercosul no Sistema Internacional
 
por: Graziele Oliveira Saraiva

A Globalização e a Integração Regional, uma análise dos efeitos da Globalização no processo de integração dos Blocos Econômicos. Abordando o processo de consolidação do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL – como peça da engrenagem do complexo Sistema Internacional contemporâneo. A dialética: globalização e regionalização; internacionalização e soberania nacional. Uma abordagem histórica e econômica da globalização, sua relação com a integração regional e a formação dos blocos econômicos.


Introdução

Objetivando analisar as relações entre as nações no sistema internacional capitalista, este artigo se propõe a discutir as perspectivas do processo de integração regional frente ao cenário internacional promovido pela globalização econômica. Uma abordagem histórica e econômica da globalização, sua relação com a integração regional e a formação dos blocos econômicos. Analisando os desafios e alternativas para inserção internacional da América do Sul no sistema mundial, considerando a consolidação do MERCOSUL como peça da engrenagem do complexo Sistema Internacional contemporâneo. Apresentando a dialética: globalização e regionalização; internacionalização e soberania nacional, como elementos controversos e ao mesmo tempo complementares.

A tendência de organização dos Estados em blocos econômicos representa, acima de tudo, o reflexo do momento histórico posterior a Segunda Guerra Mundial, e término do período de bipolaridade da Guerra Fria. Na nova ordem mundial, os países, a princípio, geograficamente próximos, e com interesses políticos convergentes, se unem em prol de soluções e alternativas sociais e econômicas frente às assimetrias traçadas pelo processo de globalização financeira. Desta maneira, a integração regional deve ser encarada como um processo histórico e econômico concomitante ao processo de globalização econômica, propagado pelo modelo de Estado neoliberal a partir de 1980, que impulsionou um aumento da competitividade e pressão interestatal, assim como entre os novos atores privados nacionais e multinacionais.

27/01/2009

Um Outro Mundo é Possível



O Fórum Social Mundial faz história!
E não é de hoje.
..

Sua consolidação enquanto evento de porte internacional, se deu em decorrência da necessidade de aglutinação da chamada, naquele momento, "nova esquerda", nascente da luta reinvindicatória e de protestos de um barulhento e jovem grupo que se manifestava contrário às grandes organizações financeiras, como OMC, no Fórum Economico, dentre tantas outras, que se espalhavam de Seatle à Gênova, de Davos à Porto Alegre... a estes fora dada a definição controvérsa de "movimento anti-globalização".

E foi lá, na capital gaúcha, na então marcante governança do petista Olívio Dutra, que o FSM se centrou e ganhou a forma que se mantém até hoje. Porto Alegre, naquele momento, destacava-se no cenário político nacional por aplicar o Orçamento Participativo em âmbito estadual e por ter como norte, uma postura ideológica contrária aos interesses dos grandes grupos ruralistas e da mídia dominante no Estado, de fortes raízes oligárquicas e conservadoras. Os grandes opositores do movimento foram a Zero Hora e o Grupo RBS - filiais da Rede Globo e as federações da Indústria e representantes do Agronegócio, juntos, ajudaram a propagar nacionalmente, uma imagem negativa do financiamento e do apoio ao movimento por parte do governo estadual, além de rechaçar e menosprezar as atividades e discussões por ele levantadas.

Desde o início em 2001, quando criado esteve envolto em uma série de reeinvindicações sociais, nasceu como um contra-ponto ao Fórum Econômico Mundial em Davos/Suiça, onde reuniam-se, como fazem até hoje em todos janeiros, os grandes líderes e representantes do sistema financeito mundial. Intrinsecamente vinculada a luta contra o neoliberalismo e por um mundo posneoliberal – que é o sentido de seu lema central “Um outro mundo possível”.
Conforme define sua Carta de Princípios,
o Fórum Social Mundial é um espaço internacional
para a reflexão e organização de todos os que
se contrapõem à globalização neoliberal
e estão construindo alternativas para favorecer

o desenvolvimento humano e buscar a superação
da dominação dos mercados
em cada país e nas relações internacionais.


Contrariando o que muitos esperavam, o movimento não padeceu e sim ganhou força e respaldo. A cada edição surgiam novas propostas, novas discussões, evidenciando a capacidade de mobilização de todos aqueles que de certa forma se sentiam à margem do processo de produção do sistema capitalista.

Aglutinou diversos os movimentos sociais,
de diferentes origens e nacionalidades -
de indígenas à campesinos, de ambientalistas à pacifistas,
de estudantes à intelectuais renomados -
Todos buscando novas alternativas de produção,
de desenvolvimento sustentável,
de economia popular solidária, de paz, de harmonia religiosa,
contrários à guerra,
às imposições e barreiras economicas impostas
pela globalização imperialista,
pela redução da exclusão social,
por uma melhor distribuíção das riquezas,
pela igualdade de oportunidades,
por políticas públicas que propiciassem uma maior inclusão,
dentre tantas outras reinvindicações....


A alternância de sedes expandiu o FSM para outros continentes a partir de 2004. Índia, Quênia, Venezuela e a cada dois anos, alternados por FSM regionais. Mas nem tudo são flores, a descentralização de certa forma pode ser contribuído na limitação de avanço de muitas das propostas surgidas no espaço de trocas, e que efetivamente enfraqueceram, não ganhando maiores mobilizações internacionais, assim como a fragmentação de seus eixos temáticos.

Hoje em Belém/PA inicia-se a nona edição do Fórum, com participação massiva dos movimentos indígenas latino-americanos, dada a proximidade amazônica, e com forte representação diplomática, confirmaram presença os principais líderes: Rafael Correa, Chavez, Evo e claro, Lula.

Podemos dizer que este em especial terá um grande desafio, o de conseguir sintetizar propostas e alternativas aos três grandes acontecimentos determinantes, que são a posse de Obama, a invasão de Gaza por Israel e a crise economica mundial que vem tirando o sono de milhões de trabalhadores de todo o mundo, dado os sucessivos anúncios de demissões em massa por toda parte.

Esperamos que consigamos chegar a determinantes comuns
no que tange alternativas a este conturbado cenário internacional
e que acima de tudo, se produzam trabalhos capazes
de nos aproximar deste "outro mundo possível",
que em muitos momentos, nos parece inatingível e até mesmo utópico,
mas que é possível sim, se todos trabalhassemos numa mesma direção,
uma direção mais humana, mais responsável,
mais tolerante e menos gananciosa.


Graziele Saraiva

Para encerrar, uma ode ao Fórum Social de Belém, escrito por Bernardo Kucinski:

Palavras de ordem

O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Julgar sem pré-julgar
Demarcar sem excluir
Incluir sem forçar
Somar, fazer bonito
O mundo é infinito

Combater a indiferença
Respeitar a diferença
e o diferente.
Respeitar

Defender a mata sem esquecer o homem
Cultivar a terra sem derrubar a mata
Cultivar o homem

Amparar sem esperar
Esperar sem se iludir
Não desesperar, agir
Não sucumbir
Perseverar

Convencer, conversar
Persuadir sem mentir
Não sofismar,
Argumentar

Gritar abaixo o imperialismo
Viva o povo palestino
Mas ao anti-semitismo dizer não

Aplaudir a bravura
Mas repudiar a bravata
Não usar gravata

Gritar a Amazônia é nossa
Viva o povo brasileiro
Viva a cesta básica e o Prouni
Viva o luz para todos
Em plena floresta amazônica

Gritar abaixo os banqueiros
Que seja a riqueza de todo o povo brasileiro
Abaixo os juros
E a especulação financeira
Fora com o Deus mercado e o Deus dinheiro

Sonhar mas não dormir
Cada amanhecer é um novo dia
O fim de um descanso
Cada pequeno passo um avanço

Conceituar sem preconceitos
Refinar pensamentos
Provocar sem agredir
Polemizar
De vez em quando aplaudir

Perguntar e saber ouvir
Não ouvir sem perguntar
Questionar,
Sempre
Sempre duvidar,
Não simplificar, complicar

Entender é o que interessa
Para poder avançar
Saber, conhecer, decifrar
Interpretar
O saber é infinito
O universo também

O mundo é complicado
Nossa tarefa também


Página Oficial do Cômite Organizador do FSM:
http://www.forumsocialmundial.org.br/
Carta de Princípios:
http://www.forumsocialmundial.org.br/main.php?id_menu=4&cd_language=1
Fotos do acervo pessoal.


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