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20/10/2011

Guerra às Drogas


Dirigido por Fernando Grostein Andrade



O documentário trata do narcotráfico e discute as diversas políticas públicas sobre drogas com depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Dráuzio Varella,  Bill Clinton, Jimmy Carter entre outras personalidades.




COMISSÃO GLOBAL SOBRE DROGAS


Contexto


A Guerra às Drogas lançada pelos EUA a 40 anos atrás fracassou. Políticas proibicionistas baseadas na erradicação, interdição e criminalização do consumo simplesmente não funcionaram. A violência e o crime organizado associado com o tráfico de drogas se mantêm como problemas críticos em nossos países.


A América Latina continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, e está se tornando rapidamente um provedor relevante de ópio e heroína. Hoje, estamos mais distantes que nunca do objetivo de erradicar as drogas. A violência e corrupção associadas ao tráfico de drogas e a políticas ineficazes de combate estão corroendo a cultura cívica e as instituições democráticas.

A Comissão
A Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia (www.drogasedemocracia.org) foi uma iniciativa dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso do Brasil, César Gaviria da Colômbia e Ernesto Zedillo do México. 


Foi composta por 17 personalidades eminentes de diversos países da região. Seu objetivo foi avaliar a eficácia e impacto das políticas de combate às drogas e formular recomendações para políticas mais eficientes, seguras e humanas. A Comissão se propôs a abrir uma ampla discussão sobre o tema, ouvindo especialistas, analisando alternativas e formulando recomendações. Suas propostas foram apresentadas à opinião pública e governos de vários países da região. 


E a voz da América Latina foi ouvida no debate global sobre um problema transnacional que afeta a todos. A experiência bem-sucedida da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia deu origem a mais duas comissões: 
i) A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia; e 
ii) A Comissão Global de Políticas sobre Drogas A Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (http://cbdd.org.br) é composta de 28 personalidades de diversos setores da sociedade brasileira que se propõem a refletir sobre a política de drogas no país. A Comissão irá ouvir especialistas das diversas áreas relacionadas ao tema e transmitirá suas conclusões ao Governo, ao Congresso Nacional e à opinião pública. Busca políticas e práticas que sejam mais humanas e mais eficazes no enfrentamento deste grave problema.

A Comissão Global de Políticas sobre Drogas (www.globalcommissionondrugs.org) é formada por 18 membros e tem como objetivo levar à esfera internacional um debate bem-informado, baseado em pesquisas científicas sobre maneiras mais humanas e eficientes de reduzir o dano causado pelas drogas para indivíduos e para as sociedades. Seus principais objetivos são:
1) Revisar a premissa, eficácia e as consequencias da ‘guerra às drogas’
2) Avaliar os riscos e benefícios de diferentes respostas adotadas para se lidar com a questão das drogas
3) Desenvolver recomendações concretas para a reforma de leis e políticas sobre drogas.

Influência no filme
Ao saber da existência da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, liderada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o cineasta Fernando Grostein Andrade resolveu convidar o ex-presidente para uma jornada em busca de soluções mais humanas e eficazes sobre a questão das drogas. Essa jornada foi registrada no documentário ‘Quebrando o Tabu’.






Guerra às drogas já matou 50 mil mexicanos

Mais de 50 mil mexicanos foram mortos desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra aos traficantes de drogas e colocou o Exército do México, lamentou ontem o ex-presidente Vicente Fox, que junto com os ex-presidentes brasileiro Fernando Henrique Cardoso e colombiano Cesar Gaviria, defende a descriminalização como tentativa de reduzir a violência.

Os gangues aproveitaram a facilidade de comprar armas nos Estados Unidos e investiram parte do lucro obtido no mercado americano para lutar por seus feudos. Até membros de tropas de elite formaram um cartel, Los Zetas, responsável por algumas das piores atrocidades desta guerra suja.

A fronteira também está tomada pelos cartéis, que agora controlam a imigração ilegal. Mesmo assim, a mortalidade por arma de fogo no Brasil é maior do que no México. 



15/07/2011

A Doutrina do Choque

The Shock Doutrine

"Um estado de choque não é só o que nos passa quando sucede algo de mal. É o que nos passa quando perdemos nosso ponto de referência. Quando perdemos as nossas vivências, quando nos encontramos desorientados. O que nos mantém orientados, alertas e alheados ao choque é a nossa história."

 

O excelente documentário
A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre,
baseado no livro de Naomi Klein, descreve como a exploração social e econômica do neoliberalismo foi utilizada em catástrofes, guerras e crises financeiras.


Trailler:

Na íntegra:








Entrevista com a autora do livro que originou o documentário,

-  The Shock Doutrine -

O golpe de Pinochet no Chile. 
O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – ainda sem tradução para o português. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’.


O que é exatamente a doutrina do choque?

A doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.

É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de um reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Explique quem é Milton Friedman, a quem ataca energicamente nesse livro?

Bem, ataco Milton Friedman porque é o símbolo da história que estou abordando. Milton Friedman morreu no ano passado. Morreu em 2006. E quando morreu, vimos como o descreveram em tributos pomposos como se fosse provavelmente o intelectual mais importante do período pós-guerra. Não apenas o economista mais importante, mas o intelectual mais importante. E é verdade que se pode construir um argumento contundente nesse sentido. Foi conselheiro de Thatcher, de Nixon, de Reagan, do atual governo Bush. Deu aulas a Donald Rumsfeld no início de sua carreira. Assessorou Pinochet nos anos setenta. Também assessorou o Partido Comunista da China no período chave da reforma ao final dos anos oitenta.
Sendo assim, teve uma influência enorme. Falei outro dia com alguém que o descreveu como o Karl Marx do capitalismo. E acredito que não é uma comparação ruim, mesmo que esteja segura de que Marx não gostaria nem um pouco. Mas foi realmente um popularizador dessas idéias.

Tinha uma visão de sociedade na qual o único papel aceitável para o Estado era o de implementar contratos e proteger fronteiras. Tudo o demais deve ser entregue por completo ao mercado, seja a educação, os parques nacionais, os correios, tudo o que poderia produzir algum lucro. E realmente viu, suponho, que as compras – a compra e a venda – constituem a forma mais elevada de democracia, a forma mais elevada de liberdade. O seu livro mais conhecido é Capitalism and Freedom [Capitalismo e liberdade].

Quando da sua morte no ano passado, percebemos o como essas idéias radicais de livre mercado chegaram a dominar o mundo, de como varreram a antiga União Soviética, a América Latina, a África, de como essas idéias triunfaram durante os últimos trinta e cinco anos. E isso me impressionou muito, porque já estava escrevendo esse livro. Nessas idéias - que tanto se falou quando da morte de Friedman -, nunca ouvimos falar de violência, nunca ouvimos falar de crises e nunca ouvimos falar de choques. Ou seja, a história oficial é de que estas idéias triunfaram porque desejávamos que assim o fosse, que o Muro de Berlim caiu porque as pessoas exigiram ter seus Big Macs junto com a sua democracia. E a história oficial do auge dessa ideologia passa por Margaret Thatcher dizendo: “Não há alternativa”, à Francis Fukuyama afirmando que “a história terminou, o capitalismo e a liberdade caminham juntos”.

Portanto, o que procuro fazer nesse livro é contar a mesma história, a conjuntura crucial nos qual essa ideologia entrou com força, mas re-introduzo a violência, re-introduzo os choques e, digo que existe uma relação entre os massacres, entre as crises, entre os grandes choques e os duros golpes contra vários países e a capacidade de imposição de políticas que são rejeitadas pela grande maioria das pessoas desse planeta.

Você fala de Milton Friedman. Qual a relação com a ‘Escola de Chicago’?

A influência de Milton Friedman provém do seu papel como o popularizador real do que é conhecido como a ‘Escola de Chicago’. Ele foi professor na Universidade de Chicago. Estudou na Universidade de Chicago e na seqüência foi professor nessa instituição. O seu mentor foi um dos economistas mais radicais do livre mercado da nossa época, Friedrich Von Hayek que foi professor na Universidade de Chicago.

A Escola de economia de Chicago representa essa contra-revolução contra o Estado de bem estar social. Nos anos cinqüenta, Harvard e Yale e as oito escolas mais prestigiadas dos EUA estavam dominadas por economistas keynesianos, pessoas como John Kenneth Galbraith, que acreditava que depois da grande depressão, era crucial que a economia funcionasse com uma força moderadora do mercado. E foi a partir daí que nasceu um ‘novo contrato’, a do Estado de bem estar social e tudo isso que faz com que o mercado seja menos brutal e se tenha uma espécie de sistema público de saúde, seguro desemprego, assistência social, etc.

A importância do Departamento de Economia da Universidade de Chicago é que realmente ele foi um instrumento de Wall Street, que financiou muito, muito consideravelmente a Universidade de Chicago. Walter Wriston, o chefe do Citibank era muito amigo de Milton Friedman e a Universidade de Chicago se converteu em uma espécie de ponto de partida da contra-revolução contra o keynesianismo e o novo contrato social com o objetivo de desmanchá-lo.

Qual a relação da Escola de Chicago com o Chile?

Depois da eleição de Salvador Allende, a eleição de um socialista democrático, em 1970, houve um complô para derrubá-lo. Nixon disse genialmente: “Que a economia grite”. E o complô teve numerosos elementos, embargos, etc e finalmente o apoio para o golpe de Pinochet em setembro de 1973. Escutamos muito falar nos ‘Chicago Boys’ no Chile, mas não sabemos detalhes sobre o que foram na realidade.

O que faço no livro é contar esse capítulo da história. (...) Em 11 de setembro de 1973, enquanto os tanques rodavam pelas ruas de Santiago e o palácio presidencial ardia e Salvador Allende era morto, um grupo dos assim chamados ‘Chicagos Boys’, assumia o controle da economia. Economistas chilenos que haviam sido levados para a Universidade de Chicago para estudar com bolsas do governo dos EUA como parte de uma estratégia deliberada para orientar a direita latino-americana.

Tratou-se de um programa ideológico financiado pelo governo dos EUA, parte do que o ex-ministro do exterior chama de “um projeto de transferência ideológica deliberada”, ou seja, levar esses estudantes a uma escola distante, na Universidade de Chicago e doutriná-los num tipo de economia que era marginal nos EUA na época e enviá-los de volta para casa como guerreiros ideológicos.

Falemos do choque no sentido da tortura...

Começo o livro estudando dois laboratórios para a doutrina do choque. Como disse anteriormente, considero que há diferentes formas de choque. Um deles é o choque econômico e o outro o choque corporal, os choques nas pessoas. E nem sempre acontecem juntos, mas estiveram presentes em conjunturas cruciais. Assim que um dos laboratórios para essa doutrina foi a Universidade de Chicago nos anos cinqüenta, quando todos esses economistas latino-americanos foram treinados para se converter em terapeutas do choque econômico. Outro – e não se trata de uma espécie de grandiosa conspiração – foi a Universidade McGill nos anos cinqüenta.

A Universidade McGill foi o ponto de partida para os experimentos que a CIA financiou para aprender sobre tortura. Quero dizer, foi chamado ‘controle da mente’ na época ou ‘lavagem cerebral’. Agora compreendemos, graças ao trabalho de gente como Alfred McCoy, que consta em seu programa que o que realmente pesquisavam nos anos cinqüentas sob o programa MK-ULTRA, foram experimentos de eletrochoques extremos, LSD, PCP, extrema privação sensorial, sobrecarga sensorial, tudo isso que vemos hoje utilizados em Guantánamo e Abu Ghraib. Um manual para desfazer personalidades, para a regressão total de personalidades. (...) McGill realizou parte dos seus experimentos fora dos EUA, porque assim considerava melhor a CIA.

Em Montreal?

Sim. McGill em Montreal. Na época então, o chefe de psiquiatria era um individuo chamado Ewen Cameron. Na realidade se tratava de um cidadão estadunidense. Foi anteriormente chefe da Associação de Psiquiatria Estadunidense. Foi para McGill para ser chefe de psiquiatria e para dirigir um hospital chamado de Allan Memorial Hospital, que era um hospital psiquiátrico. Recebeu financiamento da CIA e transformou o Allan Memorial Hospital em um laboratório extraordinário para o que agora consideramos técnicas alternativas de interrogatório. Dopava os seus pacientes com estranhos coquetéis de drogas, como LSD e PCP. Os fazia dormir, uma espécie de estado de coma durante um mês. Colocou alguns dos seus pacientes em uma situação de privação sensorial extrema e a intenção era que perdessem a idéia de espaço e tempo. Ewen Cameron dizia acreditar que a doença mental poderia ser tratada tomando pacientes adultos e reduzindo-os ao estado infantil. (...) Foi esta a idéia que atraiu a atenção da CIA, a de induzir deliberadamente uma regressão extrema.

Você falou do Chile, falemos do Iraque da privatização da guerra no Iraque - O governo iraquiano anulou a licença da companhia de segurança estadunidense Blackwater.

Esta é uma notícia extraordinária. Quero dizer, é a primeira vez que uma dessas firmas mercenárias é realmente considerada responsável. Como escreveu Jeremy Scahill em seu incrível livro ‘Blackwater: The Rise of the [Word´s] Most Powerful Mercenary Army’, o verdadeiro problema é que nunca houve processos. Essas companhias trabalham em uma ‘zona cinzenta’, ou são boy scouts e nada lhes acontecia. (...) Isso significa que se o governo iraquiano realmente expulsar Blackwater do Iraque, poderia ser um fato e tanto para submeter essas companhias à lei e questionar toda premissa de porque até agora se permitiu que se tivesse lugar este nível de privatização e de ilegalidade.

(...) Algo em que eu penso pela pesquisa que eu fiz para o livro No Logo se entrecruza com esta etapa do capitalismo do desastre em que estamos metidos agora. Rumsfeld [ex-Secretário de Defesa de Bush] aproveitou a revolução de percepção das marcas dos anos noventa, na qual a projeção de marcas corporativas – no sentido do que descrevo em No Logo – em que essas companhias deixaram de produzir produtos e anunciaram que já não produziam produtos, mas produziam marcas, produziam imagens e deixam que outros, terceirizados, façam o trabalho sujo de fabricar as coisas. E essa foi a espécie de revolução na sub-contratação e esse foi o paradigma da corporação ‘vazia’.

Rumsfeld se encaixa nessa tradição. E quando se tornou Secretário de Defesa, agiu como age um novo executivo da nova economia que se viu na tarefa de reestruturações radicais. Mas, o que fez foi adotar essa filosofia da revolução no mundo corporativo e aplicá-la à forças-armadas. (...) essencialmente o papel do exército é criar a percepção de marca, é comercializar, é projetar a imagem de força e dominação no globo – porém sub-contratando cada função, da atenção à saúde – administrando a atenção de saúde aos soldados – à construção de bases militares, que já estava acontecendo durante o governo de Clinton, ao papel que Blackwater desempenha e companhias como DynCorp, que como se sabe, destacou Jeremy, participam realmente em combates.

Comente a destruição do Iraque, do ‘Choque e Pavor’, da terapia econômica do choque de Paul Bremer, o choque da tortura, assim como a junção de todas essas coisas no Iraque.

Como já disse, no Chile, vimos esta fórmula do triplo choque. E eu penso que vemos a mesma fórmula do triplo choque no Iraque. Primeiro foi a invasão, a invasão militar de ‘choque e pavor’ – muitas pessoas pensam no tema apenas como se tratasse de um montão de bombas, um montão de mísseis, mas é realmente uma doutrina psicológica que em si é um crime de guerra, porque se diz que na primeira Guerra do Golfo, o objetivo foi atacar a infraestrutura de Sadam, mas sob uma campanha de ‘choque e pavor’, o objetivo é a sociedade em escala maior. È um princípio da doutrina ‘choque e pavor’.

Agora, o ataque de sociedades em escala maior é castigo coletivo, o que constitui crime de guerra. Não é permitido que os exércitos ataquem às sociedades em escala maior, apenas é permitido que ataquem os exércitos. A doutrina é verdadeiramente surpreendente, porque fala de privação sensorial em escala massiva. Fala de cegar, de cortar os sentidos de toda uma população. E o que vimos durante a invasão, o apagão de luzes, o corte de toda a comunicação, o emudecimento dos telefones e logos os saques, que não acredito que façam parte da estratégia, mas imagino que não fazer nada faz parte da estratégia, porque sabemos que houve uma série de advertências que falava em proteger os museus, as bibliotecas e nada se fez. E depois temos a famosa declaração de Donald Rumsfeld quando foi confrontado com este fato: “Essas coisas passam”.

(...) O objetivo, usando a famosa frase do colunista do New York Times, Thomas Friedman, não é o de construir a nação, mas sim “criar a nação”, que é uma idéia extraordinariamente violenta.

Nova Órleans?

Nova Órleans é um exemplo clássico do que eu chamo de doutrina do choque do capitalismo do desastre porque houve um primeiro choque que foi o alagamento da cidade. E como se sabe, não foi um desastre natural. E a grande ironia do caso é que realmente foi um desastre dessa mesma ideologia de que estávamos falando, o abandono sistemático da esfera pública. Eu penso que cada vez mais vamos ver acontecimentos assim. Quando se têm vinte e cinco anos de contínuo abandono da infra-estrutura pública e do esqueleto do Estado – o sistema de transporte, as estradas, os diques. A sociedade de engenheiros civis estadunidense calculou que colocar em condições o esqueleto do Estado custaria 1,5 bilhões de dólares. Portanto, o que temos é uma espécie de tormenta perfeita, na qual o debilitado Estado frágil se entrecruza com um clima cada vez pior, que diria que também faz parte desse mesmo frenesi ideológico em busca de benefícios a curto prazo e crescimento a curto prazo. E quando estes dois entram em coalizão, vem um desastre. É o que ocorreu em Nova Órleans.

O que a mais horrorizou ao pesquisar a doutrina do choque?

Horrorizou-me o fato que se tem por aí muita literatura que eu não sabia que existia e que os economistas a admitem. Uma quantidade de citações de propugnadores da economia de livre-mercado, todos desde Milton Friedman a John Williamson, que é o homem que cunhou a frase ‘Consenso de Washington’, admitindo entre eles, não em público, mas sim entre eles, como em documentos tecnocráticos, que nunca conseguiram impor uma cirurgia radical do livre-mercado se não acontece uma crise em grande escala, ou seja, as mesmas pessoas que propugnam que o mito central da nossa época, que a democracia e o capitalismo caminho juntos, sabe que se trata de uma mentira e o admitem por escrito.

04/07/2011

Acervo reúne visões sobre a Ditadura Argentina

MEMÓRIA ABIERTA
  
A ONG Memória Aberta, que coordena desde 1999 a ação de cinco organizações de direitos humanos, apresentou semana passada o projeto A Ditadura no Cinema: catálogo de filmes sobre a última ditadura, o terrorismo de estado e a transição democrática na Argentina.
  

Cena do drama 'Garage Olimpo' (Foto: Divulgação)

Catálogo La Dictadura en el Cine 
torna acessível informações sobre mais de 450 filmes 
que abordam o período militar do país

DENISE MOTA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,
EM MONTEVIDÉU 

Os laços invisíveis -ou nem tanto- que unem gêneros e temáticas tão diversos, como um documentário sobre futebol e uma ficção sobre uma criança que brinca em ser astronauta, são a base do catálogo on-line La Dictadura en el Cine.

Trata-se de um arquivo eletrônico lançado recentemente pela organização argentina Memoria Abierta e que tem por objetivo resgatar imagens, pensamentos e histórias fomentados pela ditadura do país em filmes.

É o caso de obras consagradas -caso de "Kamchatka" (2002), sobre o menino que enfrenta um redemoinho de forma lúdica- e outras apagadas por motivos políticos ou pelo tempo, como o documentário "Fútbol Argentino" (1990).

"O cinema é uma linguagem e um veículo de transmissão privilegiado porque recolhe elementos do trauma pessoal e social, do drama institucional e político que passam então a formar conteúdos da memória e da cultura coletiva de uma sociedade", afirma à Folha Patricia Tappatá de Valdez, diretora de Memoria Abierta.

"Os argentinos, para explicarmos a nós mesmos o que aconteceu, baseamos uma parte de nosso conhecimento dos fatos nesses filmes em que o material de época, a alegoria e a ficção se misturam, e assim nos oferecem perspectivas, versões e representações desse passado."

RARIDADES
O catálogo (http://www.memoriaabierta.org.ar/ladictaduraenelcine) traz alguns achados , como "Estoy Herido, Ataque!" (1977), que se considerava perdido para sempre, e "Murallas de la Libertad" (1978), nunca apresentado na Argentina.

O acervo, que levou um ano e meio para ser sistematizado, reúne e torna acessível ao público informações sobre mais de 450 filmes, rodados entre 1976 e 2011, que tocam direta ou indiretamente nos anos de chumbo da Argentina (1976-1983).

Desse total, 300 obras estão disponíveis em cópias para que sejam vistas na sede da organização, em Buenos Aires.
"É uma cifra altíssima, sobretudo se você levar em conta que, entre os filmes que nos faltam, há muitos que são simplesmente impossíveis de encontrar, realmente. Um arquivo como esse é inédito", comenta Liora Gomel, porta-voz da entidade.

As obras do acervo estão organizadas segundo um índice alfabético, outro cronológico e um terceiro, temático, em que se intercalam subgrupos das narrativas que abordam, como: "Crianças Roubadas", "Guerra das Malvinas" ou "Igreja Católica", Compromisso Social e Cumplicidades", entre vários outros enfoques.

Fundada há uma década, Memoria Abierta é um coletivo de entidades -como Mães da Praça de Maio e Fundação Memória Histórica e Social Argentina- que trabalham em prol da preservação da memória dos anos em que o país esteve mergulhado em um regime militar.

Fonte: Folha de São Paulo (02/07/2011)

15/03/2011

Documentário relata a trajetória da política paquistanesa Benazir Bhutto


(21/06/195327/12/2007)
foi uma política paquistanesa, duas vezes primeira-ministra de seu país, tornando-se a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um Estado muçulmano moderno.

Trajetória de vida e coragem admiráveis, uma das 
mulheres mais importantes do século XX, 
exemplo de resistência e afirmação feminina no mundo islâmico. 



O GNT exibiu ontem o inédito “Benazir Bhutto: Democracia é a Melhor Vingança”, dentro da programação dedicada às mulheres. O documentário relembra a história da política paquistanesa, duas vezes primeira-ministra de seu país. Benazir foi a primeira mulher a ocupar um cargo de chefe de governo de um Estado muçulmano moderno. Na produção, sua trajetória é descrita com depoimentos de sua família, amigos e rivais.

Filha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, Benazir estudou em Harvard, nos EUA, e em Oxford, no Reino Unido. Após a execução do seu pai, em 1979, ela assumiu a liderança do Partido Popular do Paquistão ao lado da mãe. Depois da vitória do seu partido em 1988, ela se tornou a primeira premiê de um estado mulçumano, cargo que voltaria a ocupar em 1993. Em 2007, Benazir foi morta em um atentado suicida quando saia de um comício.


07/01/2011

Documentário Presidentes da América Latina – Presidente Lula


Homenagem ao Presidente Lula que encerra os 8 anos de seu mandato,
entregando a sua sucessora um país em plena transformação 
cheio de esperança em um futuro cada vez melhor.
 

“A América Latina está vivendo um clima político e social sem precedentes. Parece despertar de uma velha letargia. ‘Presidentes de Latinoamérica’ é um ciclo de documentários de produção nacional [argentina] que registra de forma integral as transformações que esta nova época vai deixando em cada um dos países da região”.

Essa é a definição da produtora argentina Occidente do seu novo trabalho, que foi exibido pela primeira vez pelo canal público argentino Encuentro.

A série de documentários incluem entrevistas com os presidentes da América do Sul, incluindo o presidente Lula, numa tentativa de aproximar e revelar “os sonhos e as lutas daqueles homens que hoje presidem os destinos dos povos latino-americanos”. Em suma, uma tentativa de “humanizar” seus governos, mostrando sua face “gente como a gente”.

Aqui seguem a entrevista com o presidente Lula, dividida em quatro partes:

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4

04/06/2010

AO SUL DA FRONTEIRA


Estreia Documentário de Oliver Stone sobre Hugo Chavez.

Obviamente que para a crítica do jornal "O Globo" é panfleto!

09/04/2010

É TUDO VERDADE



Começa hoje no Rio (em Sampa começou ontem)
o melhor Festival de Documentários do Ano

É TUDO VERDADE


Programão para o final de semana chuvoso,
S
essões gratuitas em Botafogo, Sta Tereza, Instituto Moreira Salles,CCBB...... IMPERDÍVEL!!!

Principal evento dedicado exclusivamente à cultura do documentário na América do Sul. Criado em 1996 pelo crítico
Amir Labaki, o festival tem exibido anualmente cerca de uma centena de obras não-ficcionais brasileiras e internacionais, entre lançamentos e clássicos, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro.



Programação completa:
http://www.etudoverdade.com.br/2010/imprensa/releases/IAT2010-Folder_RJ.pdf

06/03/2010

COCONUT REVOLUTION







(Reino Unido, 1999, 50min. - Direção: Dom Rotheroe)

Imperdível !!!
A história contada por esse documentário é tão incrível, que poderia ser uma fábula.

Imagine a população de uma ilha - desapropriada por uma concessão de extração de cobre – cansada de ver suas matas serem destruídas, sabotam as instalações da maior mineradora do mundo.

Depois disso, enfrentam com flechas, as metralhadoras do país que domina a ilha, depois enfrentam o militares da Austrália, depois os mercenários e um embargo de 7 anos.

Como conseguir armas, alimentos, combustíveis, energia elétrica e medicamentos com o embargo?

Criatividade, otimismo e força de vontade transformaram esse povo da ilha de Bougainville num dos melhores exemplos de sustentabilidade e resistência do mundo.


(Sinopse original do docverdade)

Para baixar acesse link no Doc Verdade:
http://docverdade.blogspot.com/2009/04/revolucao-dos-cocos-coconut-revolution.html

21/02/2010

O POVO BRASILEIRO


“… mais relevante é a insistência dos oprimidos em abrir e reabrir
as lutas para fugir do destino que lhes é prescrito; e, de outro lado,
a unanimidade da classe dominante que compõe e
controla um parlamento servil, cuja função é manter
a institucionalidade em que se baseia o latifúndio.
Tudo isso garantido pela pronta ação repressora de
um corpo nacional das forças armadas que
se prestava, ontem, ao papel de perseguidor de escravos,
como capitães do mato, e se presta, hoje, à função de
pau mandado de uma minoria infecunda
contra todos os brasilieros.”


Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro


Dica de Ouro:
Filme/Documentário "O POVO BRASILEIRO"



Baseado no livro de mesmo nome, e usando muitas das imagens gravadas por Darcy Ribeiro - uma das cabeças mais brilhantes do Mundo e que tanto lutou por um Brasil melhor - fez um grande estudo sobre a formação do povo brasileiro.

Esse documentário é uma forma de ver a beleza dos principais povos que formaram a nação brasileira, e é um grande contraponto a muitas visões preconceituosas que ainda imperam no país, principalmente em relação ao índio e ao negro. Mostra também as raízes da desigualdade social que vivemos até hoje.

(Sinopse do docverdade)


Dividido em dez capítulos que costuram a nossa formação histórica, de maneira mais que completa, rico em imagens e fragmentos, com narração de Chico Buarque e participacões de Tom Zé, Gilberto Gil dentre tantos outros, estudiosos do nosso Brasil, conduzidos pela linha mestra - de"o povo novo" - do mestre Darcy Ribeiro.

Alguns trechos do livro:
"[...] Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Como descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instilada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria."
"A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista." (1995, p.120)
"Os brasileiros se sabem, se sentem e se comportam como uma só gente, pertencente a uma mesma etnia. Essa unidade não significa porém nenhuma uniformidade. O homem se adaptou ao meio ambiente e criou modos de vida diferentes. A urbanização contribuiu para uniformizar os brasileiros, sem eliminar suas diferenças. Fala-se em todo o país uma mesma língua, só diferenciada por sotaques regionais. Mais do que uma simples etnia, o Brasil é um povo nação, assentado num território próprio para nele viver seu destino."

No You Tube é possível assistir por partes dos capítulos, como o que segue abaixo, que é o primeiro, a "Matriz Tupi":




Para baixar - Torrent - http://www.torrentportal.com/torrents-details.php?id=498169

RIBEIRO, Darcy - O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995

03/11/2009

DOCUMENTÁRIOS DE VERDADE



A descoberta do final de semana, foi o Blog Documentários de Verdade, rico em variedade e raridades: http://docverdade.blogspot.com/

Eles procuram por, e postam links para, documentários que lutem contra a exploração laboral e infantil, a fome, a miséria, a guerra, a corrupção dos governos, a parcialidade da mídia, a venda dos Estados em favor das Corporações, a degradação ambiental, o preconteito racial, social e sexual, a crueldade com as pessoas e os animais e, claro, contra a injustiça social.

Tem coisa que não acaba mais, a quem interessar, vale muito a pena a imersão, então fica a dica e boas descobertas!!!


10/08/2009

SURPLUS_TERRORISMO DE CONSUMO

Gravado nos EUA, Índia, China, Itália, Suécia, Hungria, Canadá e Cuba durante três anos, usando a linguagem midiática, dinâmica do videoclip, o documentário Surplus desvela a insustentabilidade de um sistema baseado no consumismo desenfreado para a geração de lucro às grandes corporações e sem contudo preencher o vazio existencial da sociedade de consumo.

Cenas de ativistas anti-capitalistas, do comércio de bonecas infláveis, da monotonia e alienação do trabalho, da crise existencial de um jovem milionário da New Economy, e ainda George Bush, Tony Blair, Silvio Berlusconi e outros governantes símbolos de uma era de estímulo à guerra, ao consumo e à intolerância vão sendo apresentadas ao espectador como um chocante videoclip. Nem a Cuba de Fidel Castro é poupada: os discursos anti-capitalista e anti-comunista também são uma forma de propaganda.


Qual nossa alternativa diante do modelo hegemônico da sociedade de mercado?

O documentário conta ainda com a participação especial e voluntária do filósofo Jonh Zerzan um dos críticos mais radicais do pensamento contemporâneo que tem influenciado decisivamente a prática de ativistas por todo mundo contra a alienação da sociedade de consumo.







25/03/2009

É Tudo Verdade / It`s All True 2009


Adicionar imagemÉ Tudo Verdade
é o principal evento dedicado exclusivamente à cultura do documentário na América do Sul.
Criado em 1996 pelo crítico Amir Labaki, o festival tem exibido anualmente
cerca de uma centena de obras não-ficcionais brasileiras e internacionais,
entre lançamentos e clássicos, simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro.



Um dos legados culturais da finada era Bush foi o involuntário estímulo à renovação do documentário com causa. Talvez desde o auge da Guerra Fria (1945-1989) nos anos 1960, o cinema-punho não tenha mobilizado tantos corações e mentes.

Uma nova era se inicia em 2009, com crise e esperança alternando-se na definição destes outros tempos. O documentário contemporâneo já é também outro, como revela a extraordinária safra brasileira e internacional exibida nesta 14a. edição do É Tudo Verdade.

Maior pluralidade temática e estilística já se faz sentir e mesmo o documentário militante marca presença para além da polarização estabelecida pela “Guerra ao Terror”. Essa expansão das fronteiras do documentário encontra uma de suas mais fascinantes traduções na obra, a um só tempo política, confessional e performática, do cineasta israelense Avi Mograbi.

Trazendo seu mais recente filme, “Z32”, Mograbi visita pela primeira vez o festival e está ao centro da nona edição da Conferência Internacional do Documentário, co-realizado com o Cinusp e o Sesc-SP. Nada mais natural que o tema principal do encontro sejam os novos desafios para o documentarismo engajado.

Embalado pelos ventos gerais de renovação, o próprio festival experimenta neste ano uma nova fórmula, duplicando sua presença no calendário, a fim de ampliar tanto o acesso do público quanto a agenda do cinema não-ficcional no país. Tudo isso é possível mais uma vez pelo engajamento reiterado de nossos patrocinadores, mesmo neste ano de dificuldades atípicas, e sobretudo pela confiança reafirmada dos produtores e realizadores que privilegiaram o É Tudo Verdade como janela primeira para suas obras. Nossa gratidão é infinita.

Desejo a todos, em nome da incomparável equipe do festival,
uma viagem inesquecível pelo melhor do documentário hoje!
Amir Labaki
Fundador e Diretor
É Tudo Verdade
Festival Internacional de Documentários


Todas exibições terão Entrada Franca!

Site oficial do Evento:
http://www.etudoverdade.com.br/2009/home.asp?lng=
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