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06/07/2009

O IMPÉRIO SE RENOVA

O presidente de Honduras é deposto e os Estados Unidos exigem a volta dele ao poder.

As mudanças climáticas ameaçam o mundo, e o presidente americano consegue aprovar uma lei que imporá às empresas a redução das emissões de carbono no planeta.

O mercado financeiro entra em crise e a Casa Branca propõe maior controle sobre bancos e instituições financeiras.

Barack Obama não será a renovação de tudo o que prometeu. Velhas e novas forças vão se confrontar em seu governo, mas algumas mudanças importantes já começam a acontecer. Muita gente aposta que a devastadora crise econômica, que já destruiu 6,5 milhões de empregos americanos, é o começo do fim do Império. Ele, no entanto, desafiado, se renova. É um interessante momento em que o gigante muda em alguns pontos e permanece igual em outros. Em alguns desafios, ele não sabe ainda como se renovar, como no caso dos mísseis provocativos da Coreia do Norte. Em outros, tem trilhado um caminho novo. O futuro não será a repetição do passado. Mesmo que queiram, os Estados Unidos não terão mais o poder incontrastável que tiveram. Outras peças se mexem no tabuleiro. O poder será menos concentrado; não por concessão americana, mas pela dinâmica dos processos econômicos e políticos em curso.

O embaixador Clifford Sobel não foi confirmado no cargo. Mesmo assim, segundo amigos, ele decidiu morar no Brasil. Originalmente empresário, ele acha que aqui há futuro. Pequeno detalhe que mostra as novas chances das potências médias. O mundo do futuro será formado por várias forças gravitacionais menores e uma maior. Os Estados Unidos não poderão ser unilateralistas como foram no governo Bush. Se o país continuar no caminho da renovação diplomática, da ação internacional cooperativa, da transição para um novo modelo de uso e produção de energia, pode reverter o risco de decadência. É inevitável que os Estados Unidos sejam, no futuro, relativamente menores no PIB mundial e no controle das organizações multilaterais. Eles lutam contra a decadência, com notável sabedoria.

O caso de Honduras é pequeno e emblemático. O cientista político Antonio Octávio Cintra me escreveu ressaltando um ponto interessante: o que Manuel Zelaya fez o torna passível de um processo de impeachment por crime de responsabilidade, ao desrespeitar a Suprema Corte de seu país. No Brasil, se um presidente fizesse isso, incorreria em crime de responsabilidade, lembra ele. A posição de Cintra é parte de um debate que ocorreu em vários blogs — inclusive aqui — e na imprensa americana, sobre se a melhor palavra, para se referir ao que houve em Honduras, é "golpe". Estou convencida de que sim: é golpe. O presidente Zelaya desrespeitou a Constituição, mas a reação a ele foi ainda mais abusiva dos princípios constitucionais. Ele deveria ter sido constrangido, dentro dos parâmetros estabelecidos pela Constituição, e não preso de pijama e mandado para $país, com os novos governantes divulgando uma suposta carta de renúncia, e, em seguida, suspendendo direitos individuais dos cidadãos.

O caso só mostra que os tempos de hoje são mais matizados do que os toscos momentos das quarteladas dos anos 60. A reação americana foi um fato novo e sinal da mudança: o Império renovou sua forma de atuar na região e, ao fazer isso, serrou as estacas do palanque do inconstitucional serial Hugo Chávez.

Há outros sinais de mudanças, na região e fora dela: o começo da retirada do Iraque; as decisões sobre Guantánamo; a atitude cooperativa no G-20. Para o futuro, o mais relevante é a posição interna e externa em relação às mudanças climáticas. O governo Bush negava as evidências científicas do fenômeno. Com Obama, o tema deu um salto para além dessa discussão vencida e passou-se à tomada de ações concretas.

Um dos pontos mais marcantes dessa renovação americana é a Lei da Mudança Climática. Ela foi aprovada na Câmara e agora está no Senado. Em inglês, é conhecida pela sigla ACES (American Clean Energy and Security Act). Ela muda os padrões de uso de energia. Tem efeitos na construção civil, que terá que reduzir em 30% seu consumo de energia atual, ampliando o corte para 62% até 2014. Tem efeitos na forma de geração de energia, nos transportes, na indústria automobilística. Estabelece um sistema de cota e comércio de créditos de carbono (cap and trade) que, de cara, vai encarecer em 7% a energia fóssil. Vai criar um vasto mercado de carbono, maior que o europeu. Obama trabalha intensamente com os democratas contra os inúmeros lobbies. Os Estados Unidos entraram na semana passada na Agência Internacional de Energia Renovável - que George Bush sempre sabotava — para aumentar investimento em energia solar (fotovoltaica) e eólica. Os representantes do governo Obama assinaram um documento que será analisado, na semana que vem, pelo G-8, na Itália, que estabelece o compromisso com a meta científica de dois graus centígrados de aquecimento global máximo.

No área financeira, as mudanças são incipientes. Os administradores e controladores das instituições, que assumiram riscos irresponsáveis, não foram punidos. O caso de Madoff é de crime de fraude e quem cuidou dele foi a Justiça. Mas já foi proposta uma nova regulação, com inovações notáveis. O mercado bancário ainda não a digeriu e lutará contra ela no Congresso.

O Império contra-ataca. Declarado decadente e em crise terminal, ele reinventa lideranças e atitudes. Sairá menor desta crise, mas, se tiver sucesso, pode sair melhor do que entrou.

Por Miriam Leitão para O GLOBO

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/07/05/o-imperio-se-renova-202006.asp

03/04/2009

G20 e os "ANTIGLOBALIZAÇÃO"




Não é de agora que o movimento dito, antiglobalização* ganha as manchetes mundiais. Primeiramente em Seatle, depois Gênova, Porto Alegre (...) e agora Londres. Aos poucos tais concentrações, que não se restringem a manifestações em frente a cúpulas de Estado, ganharam força e visibilidade internacional.

A imprensa - dado o volume e magnitude destas mobilizações - não tem mais como ignorá-las. Vem prestando mais atenção nestes barulhentos ativistas e de uma maneira, digamos, positiva, tem dado uma maior importância, sem mais basicamente denominá-los "baderneiros" ou dotando-os de outros adjetivos pejorativos.

Porquê? Porque acima de tudo, eles representam a opinião pública mundial.

Em sua maioria, espalharam pelas ruas de Londres, extremamente blindadas por um inédito esquema de segurança, passeatas pacíficas. Mas dado o número de participantes, pluralidade ideológica e aos ânimos exaltados de alguns, inevitavelmente teve seus momentos de enfrentamento, violência e depredações. Como qualquer outra manifestação popular, em qualquer lugar do planeta.

Por trás de toda agitação, trazem consigo uma diversidade de reclames e propostas, mostrando ao mundo, e aproveitando-se destes momentos de aglutinação midiática - causada pelo encontro dos principais líderes mundiais, para explicitarem suas insatisfações, que inevitavelmente tendem a ser acentuadas em momentos de crise.

Crise essa que se manifesta em escala global, como a da década de 30, e que mais uma vez mostra ao mundo que a forma com a qual os grandes países (leia-se ricos, desenvolvidos) e os grandes bancos (cujos grandes diretores, os famigerados banqueiros, acumularam cifras incalculáveis nos últimos anos) conduzem a economia e todo o sistema financeiro internacional em pról de seus lucros e acumulação pessoais e corporativistas, não refletindo os anseios e necessidades da maior parte da população do planeta.

O encontro do G20, teve direito a banquete feito pelo chef pop-star Jamie Oliver, famoso por descomplicar a culinária, exatamente o que queriam os organizadores do evento: ingredientes simples para desenrolar este complexo emaranhando gerado pela crise.

Prometeram boas idéias e soluções para salvar o mundo do colapso financeiro gerado pela economia norte-americana, que acostumada ao excesso de consumo, comprou... comprou
... comprou... e na hora em que a conta chegou... quebrou... quebrou!

Incontestávelmente os Estados Unidos são os grandes responsáveis por este enorme abacaxi, e graças ao carismático e boa praça presidente Obama, a coisa não ficou muito pior. Sua capacidade de negociar, de assumir as falhas e propor novas alternativas, parece dar um fôlego a mais a todos os grandes chefes.

Em momento histórico e numa tentativa e de reerguer o FMI, os países membros do G20, dentre eles o Brasil / ponto para a política externa do Governo Lula, prometeram apertar o cerco aos paraísos fiscais e injetar 1 trilhão no Fundo Monetário Internacional, no intuito de ajudar países pobres a sair da crise...Veremos nas cenas dos próximos capítulos se o projeto vai vingar...

Os elogios de Obama à Lula, por mais legais que possam parecer, denotam o que pode vir por aí, um apoio a mais e uma aproximação com o Brasil em um momento em que parte da América Latina esta promovendo uma ruptura com as diretrizes do capital, e tentando um reformulação política, nos moldes da Revolução Bolivariana, proposta por Chavez. Neste contexto, o Brasil se configuraria como o grande líder latino-americano e de certa forma, contrabalanciaria esta tendência "revolucionária" que tanto assusta aos estadunidenses.

Fica a questão:
O Lula é o Cara, ou não é?!!!

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* O termo "antiglobalização" parece-me um tanto quanto controverso, mas, foi denominado assim por designar os que
se opõem aos aspectos capitalistas-liberais da globalização. Não que sejam contrários a uma globalização, mas não nos ditames específicos do Capital. E sim econômicos - no que tange uma melhor distribuição das riquezas, mas também cultural - miscigenação dos povos e culturas, ecológico - no sentido de todos trabalharem juntos para salvar o planeta das mazelas geradas por este sistema produtivo destruidor; procurando globalizar valores que venham a ajudar a nos tornarmos seres humanos mais humanos e menos mercadológicos.
...é... "O capitalismo não esta funcionando" ....

Por Grazi

12/02/2009

Racismo e Xenofobia na Europa

Em épocas de crise, cada um quer salvar o seu!

Este racícionio, de certa maneira, nos ajuda a entender a crescente onda de manifestações de racismo e xenofobia no continente europeu, que esta tornando-se cada vez mais "segregador".

Fora a crise econômica que assola o mundo hoje, temos um histórico recente de fatores que também explicam este crescimento, que é a chamada "luta antiterrorista", da qual podemos extrair muitas das raízes desta intolerância implícitas nas diretrizes destas leis anti-terror. "A intensificação do clima de hostilidade" contra muçulmanos e o anti-semitismo são cada vez mais freqüentes em países como França e Alemanha.

O relatório anual da Comissão contra o Racismo e a Intolerância (ECRI) revelou o crescimento do racismo e da xenofobia na Europa contra imigrantes, negros, ciganos, latinos, muçulmanos e judeus. Muitos são barrados em aeroportos, restaurantes, shoppings ou até mesmo abordados em parques públicos por serem considerados suspeitos devido à cor da pele ou por causa de seus costumes.


Em contraponto - a globalização - que nos propicia uma maior mobilidade em todos os sentidos, deveria desenhar no horizonte um grande momento de miscigenação, acima de tudo cultural, entre os povos, mas o que temos assistido são crescentes ondas de discriminação, intolerância e violência.

Muitos são os argumentos levantados por aqueles que defendem que seus países mantenham-se fechados aos imigrantes, preservando os direitos civis e os seus empregos. Esta visão conservadora e até mesmo retrógrada é refletida diretamente na escolha dos seus líderes políticos neste início de século XIX e na expansão da violência de grupos racistas e xenófagos. As campanhas "contra" e as leis de imigração se tornam cada vez mais duras na Europa.

Não é de agora que se explicitam no Velho Continente manifestações claras de preconceito, a existência de um grande número de adeptos aos movimentos , na sua maioria jovens e em geral violentos, como os nazi-fascistas e/ou neo-nazistas, exemplificam muito bem isso. A discriminação extrapola todos os limites. Casos de agressão e mortes também são freqüentes, como na Rússia, onde muitos estudantes vindos da África são linchados e mortos por grupos neonazistas.

O aumento da intolerância, seja ela racial, étnica, religiosa, política e até mesmo economica, tem crescido assustadoramente. Hoje os principais impactados na Europa são os imigrantes, sejam estes legais ou não. Representam de certa forma uma ameaça ao emprego do cidadão europeu e fomentados pelos discursos nacionalistas dos partidos de direita e extrema-direita, em crescente ascenção ao poder, colaboram ao argumento de restrição e até mesmo eliminação destes do seu convívio social.
Em geral, os imigrantes são acusados de serem os responsáveis pelo aumento do desemprego, da violência e dos gastos públicos: uma campanha fascistóide dos governos para justificar a crise do regime capitalista, jogando a culpa para os mais oprimidos.

Na França de Sarcozy agora é lei que os médicos e enfermeiros denunciem pacientes ilegais, atendidos e/ou hospitalizados, aos setores de imigração do Estado.
Na Itália
de Berlusconi, dirigente com fortes traços fascistas, são crescentes as manifestações de "A Itália para os Italianos".
Na Espanha no último domingo naufragou a poucos metros da costa, uma embarcação que vinha da África, morreram à deriva 21 pessoas, 16 delas tinham entre 4 e 17 anos, até ontem nenhuma manchete de capa nos principais jornais espanhóis. Ignorar para melhor viver!*
Na Suíça, o partido ultra-consevador UDC, lançou a campanha "Para criar segurança" ... chute a ovelha negra pra fora! que lindo...



É deveras preocupante o clima negativo na opinião pública em relação às minorias, alimentado por setores da mídia e também pela utilização de argumentos racistas e xenófobos no discurso político.

O que esperar? Como resolver?
É necessário um debate lúcido entre todos, e que todas as violências praticadas contra os não-europeus, assim como aos não-estadunidenses, sejam explícitadas pela grande mídia de forma ao menos, balançar as consciências da opinião pública internacional frente a esta nova forma de bárbarie que estamos assitindo.

Tanto na Europa como nos EUA, os imigrantes e os trabalhadores negros e latinos representam a base de toda a força de trabalho, sendo a pilar fundamental de sustentação da economia. São estes imigrantes que se submetem àqueles empregos que um cidadão europeu ou norte-americano branco já não precisam e portanto não se submetem mais - em parte pelo baixo salário ou pela baixa qualificação do emprego.

As legislações recentemente aprovadas, relacionadas à situação dos imigrantes, são de cunho nacionalista ou protecionista?
Em que medida estas contribuem aos diferentes graus de preconceito no seio da sociedade civil?

Está na hora de os "ocidentais" reverem seus valores, repensarem suas atidudes, repensarem a escolha de seus representantes, afinal, o que disso tudo,
poderá ser positivo para as futuras gerações de europeus?????



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* Escreveu a respeito Patricia Simón em http://periodistasenguerra.blogspot.com/

"Hoy deberíamos estar todos de luto. Hoy deberían cerrarse los comercios, apagar las televisiones y las radios, no cantar, no reir, no comer y, por supuesto, prohibido soñar. Hoy deberíamos no poder parar de llorar. Hoy, y casi cada día, nos debería dar vergüenza estar rodeados por un mar que está sirviendo de fosa común a Europa. Algún día, tendremos que pedir perdón ante los ojos de la historia y las generaciones venideras por haber sido artífices de un genocidio, el genocidio del continente africano al que, en su huida, nosotros no ponemos más que muros. Y qué bueno que tenemos un océano de por medio que nos hace el trabajo sucio sin tener que mancharnos las manos de sangre."


28/10/2008

E sobre a "Crise"....

A pergunta que não quer calar:

"Onde estava todo esse dinheiro [desbloqueado para resgatar os bancos]?

Estava muito bem guardado.

Logo apareceu, de repente, para salvar o quê?

Vidas?

Não, os bancos".

"Marx nunca teve tanta razão como agora",

ressaltou José Saramago, acrescentando que "as piores conseqüências ainda não se manifestaram", declarou o prêmio Nobel de Literatura de 1998, esta semana em Lisboa.

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